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Abril Azul: Conscientização sobre o Autismo e a Importância do Diagnóstico Precoce

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04.04.2025

Abril Azul: Conscientização sobre o Autismo e a Importância do Diagnóstico Precoce

Durante o mês de abril, conhecido como Abril Azul, diversas campanhas de conscientização são realizadas para promover a compreensão e o apoio às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para discutir a importância do diagnóstico precoce e o papel da família e da sociedade, conversamos com Dra. Camila Barros, médica pediatra da Coopmed-RN, e que esclareceu dúvidas sobre os sinais do autismo e como garantir o melhor tratamento para as crianças afetadas.
O Transtorno do Espectro Autista é um distúrbio do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento das crianças. Segundo Dra. Camila, o TEA se manifesta de forma variada, mas seus principais sinais incluem dificuldades na comunicação verbal e não verbal, problemas na interação social e a presença de comportamentos repetitivos ou interesses restritos. “É fundamental que os pais fiquem atentos ao desenvolvimento de seus filhos desde os primeiros anos de vida, pois o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença”, explica.

Dra. Camila destaca que o diagnóstico precoce do autismo é crucial para melhorar o prognóstico da criança. Com a neuroplasticidade do cérebro infantil, há uma janela de oportunidades para o desenvolvimento de habilidades que pode ser aproveitada por meio de terapias específicas. “Quando o autismo é identificado cedo, é possível iniciar um tratamento mais eficaz, o que pode reduzir os sintomas e aumentar a funcionalidade da criança ao longo do tempo”, afirma.

Embora o diagnóstico precoce seja fundamental, ele nem sempre é fácil de ser realizado. Dra. Camila aponta que os profissionais de saúde enfrentam desafios, como a falta de uma equipe multiprofissional capacitada e a escassez de serviços especializados em muitas regiões. “O acesso ao tratamento pode ser demorado, e em muitos casos, os pais precisam viajar para grandes centros urbanos em busca de um diagnóstico adequado”, comenta. Além disso, o custo elevado dos tratamentos, que envolve profissionais de diversas áreas, é outro obstáculo.

Os primeiros sinais do autismo podem ser notados ainda nos primeiros meses de vida. Dra. Camila explica que, durante os primeiros seis meses, os pediatras observam os marcos de desenvolvimento, como o contato visual e a comunicação. “Aos 18 meses, todas as crianças devem passar por uma triagem pediátrica para verificar seu desenvolvimento neuropsicomotor. Entre os sinais mais comuns relatados pelas mães estão atraso na fala, falta de resposta ao nome e pouco contato visual”, afirma a médica.

Embora o diagnóstico de TEA seja clínico, Dra. Camila aponta que ferramentas como o M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) são muito úteis para os pediatras. “Esse é um teste de triagem que pode ser aplicado a partir dos 16 meses de idade e ajuda os profissionais a avaliar se há sinais do transtorno”, explica. A aplicação desse exame é obrigatória por lei, como parte do acompanhamento pediátrico regular.

O diagnóstico precoce tem um impacto direto no sucesso do tratamento. Dra. Camila destaca que quanto mais cedo a criança começar as terapias, maior será o seu potencial de desenvolvimento social e comunicativo. “O estímulo diário e intensivo nas primeiras fases da vida aumenta as chances de a criança desenvolver habilidades importantes, como a capacidade de interagir de forma mais natural com os outros, além de reduzir comportamentos não adaptativos”, esclarece.

Dra. Camila também aborda alguns mitos comuns que ainda cercam o autismo, como a ideia de que “cada criança tem seu tempo para aprender”. “Embora cada criança tenha seu ritmo, as que não atingem os marcos de desenvolvimento esperados para a idade precisam de apoio especializado. Não podemos esperar que o tempo sozinho resolva a situação. O tratamento precoce é fundamental para que a criança alcance seu pleno potencial”, afirma.

A família tem um papel crucial no tratamento do autismo. Dra. Camila enfatiza que o envolvimento dos pais, além do treinamento adequado, pode fazer toda a diferença. “Os pais precisam ser acompanhados e treinados para lidar com os desafios do diagnóstico e das terapias. O pediatra deve ser um ponto de apoio durante todo o processo, orientando não só a criança, mas também os familiares, que muitas vezes passam por um sofrimento emocional durante o tratamento”, observa.

A sociedade também desempenha um papel essencial na conscientização sobre o autismo e na criação de um ambiente inclusivo. Dra. Camila acredita que é fundamental garantir a inclusão das crianças com TEA na escola e na comunidade, criando espaços públicos acessíveis e promovendo políticas públicas voltadas para o diagnóstico precoce e o acesso às terapias. “Devemos combater a desinformação e promover a empatia. A sociedade precisa entender que a inclusão é um direito fundamental para todos”, afirma.

Dra. Camila ressalta que a pesquisa científica tem avançado bastante na busca por tratamentos mais eficazes para o autismo. No entanto, ela alerta para os tratamentos alternativos sem comprovação científica. “Embora não exista cura para o TEA, o tratamento adequado pode proporcionar ganhos significativos. O mais importante é divulgar informações baseadas em evidências científicas e evitar que as famílias recorram a terapias milagrosas que podem prejudicar ainda mais o processo”, alerta a pediatra.

O Abril Azul é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre o autismo e a importância do diagnóstico precoce. O envolvimento de pais, profissionais de saúde, educadores e da sociedade como um todo é fundamental para que as crianças com TEA tenham acesso a um diagnóstico adequado e a tratamentos eficazes. Com o apoio certo, essas crianças podem ter uma vida mais integrada e plena.