Combate à dengue não pode parar
Geral
11.08.2011
A subcoordenadora estadual de Vigilância Epidemiológica, Juliana Araújo, confirmou que o surgimento de casos de dengue no Rio Grande do Norte está em viés de baixa. Porém, ela disse que isso não quer dizer a saúde pública e nem as pessoas, de modo geral, devam se acomodar, pois o prevenção e combate à doença transmitida pelo mosquito Aedes Aegipty é rotina
Além do trabalho educativo e de conscientização da população, Juliana Araújo reitera que "não existe nenhum outro meio" para acabar a dengue, "a não ser a eliminação do criadouro ou foco de proliferação das larvas do mosquito", que em 80% dos casos situam-se em imóveis residenciais.
Segundo ela, já existe pesquisa mostrando que 95% das pessoas sabem como devem se prevenir da dengue. Portanto, não cabe só ao agente da dengue aplicar larvicidas nos criadouros, é importante também o trabalho educativo feito por eles, principalmente em períodos de redução dos casos de dengue.
Embora afirme não ser sua área específica de atuação, ela confirmou que a Organização Mundial de Saúde (OMS) manda que para cada grupo de 800 a 1.000 imóveis, é preciso que haja a contratação de um agente de endemia pelos municípios.
Levantamento feito pela subcoordenadora estadual de Vigilância Ambiental, Iraci Nestor de Souza, aponta que das seis Unidades Regionais de Saúde (Usarps), excetuando-se a Grande Natal, apenas a 2ª Ursap, sediada em Mossoró, tem 24 agentes de dengue a menos do que o número o mínimo necessário.
Com relação a Grande Natal, que pelos critérios da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) abrange seis municípios, apenas dois estão com saldo positivo de agentes da dengue, Parnamirim, com 20 agentes a mais do exigido e Macaíba, com 25.
Em Natal, segundo a Sesap, existe um déficit de 79 agentes de dengue, enquanto em Ceará-Mirim e Extremoz são nove a menos e em São Gonçalo o déficit é de dois agentes.
Em números globais, no Rio Grande do Norte existem 1.676 agentes de dengue, quando o número mínimo necessário é de 1.498. O excedente é de 178 profissionais.
Iraci Nestor também informou que o Ministério da Saúde já mandou para serem distribuídos aos municípios 80 litros do larvicida líquido Novaluron, de um pedido feito de 130 litros. O volume que chegou deve servir para dois meses e é usado no combate a dengue independentemente do aumento ou redução do número de casos da doença. Apenas Natal não usa, ainda, esse larvicida, pois continua utilizando o veneno em pó – o diflubezuron.
O último boletim divulgado é referente a 29ª semana epidemiológica, o qual aponta que, apesar da curva de queda da doença, o índice de infestação predial ainda é muito alto em grande parte dos municípios.
Juliana Araújo diz que a OMS trabalha com um índice tolerável de menos de 1% para cada grupo de 100 mil imóveis.
De acordo com o boletim, até a penúltima de julho deste ano, apenas oito (4,89%) dos 167 municípios do Estado não tinham informado o índice de infestação. Mas, em 67 deles (40,1%) o risco de infestação predial é de "alerta", enquanto em 61 (36,5%) municípios o risco é "médio" e em 31 (18,6%) o risco é "satisfatório".
Reprodução: Tribuna do Norte