Novo aparelho a laser trata doenças na próstata no SUS de São Paulo
Geral
27.09.2011
Um novo equipamento disponível no sistema público de saúde da capital paulista consegue tratar problemas na próstata com raios laser.
A próstata é a glândula que produz o sêmen, o líquido que carrega os espermatozoides no homem.
Recém-adquirida pelo Centro de Referência em Saúde do Homem, em São Paulo, a máquina alemã, conhecida como UroBeam, vaporiza os tecidos que bloqueiam o canal por onde passa a urina — pressionado quando a glândula aumenta de tamanho.
"No Brasil, existem somentes dois aparelhos com essa tecnologia: um aqui e outro em uma instituição privada em Curitiba", diz Joaquim Claro, coordenador do centro, ligado à Secretaria de Saúde estadual. O custo é de R$ 300 mil.
Até o momento, cerca de 60 pessoas já foram tratadas com a nova técnica no centro médico localizado no prédio do antigo Hospital Brigadeiro. O uso do aparelho reduz o tempo de internação do paciente e diminui o risco de infecção depois da operação.
"O paciente deixa mais rápido o hospital e não precisa ficar retornando, como acontece com pessoas que precisam substituir sondas urinárias", diz o urologista, citando a vantagem econômica do equipamento.
Segundo o médico, a cirurgia também pode ser feita por pacientes com problemas cardíacos e que recebem medicações para reduzir a coagulação.
Doenças relacionadas
A próstata pode crescer por conta de doenças como o câncer ou a "hiperplasia benigna" – um crescimento anormal do órgão, comum em homens após os 45 anos de idade.
Esse inchaço da glândula faz o paciente sentir vontade de urinar muitas vezes ao dia e apresentar um jato de urina mais fraco.
"Existem pacientes que acordam toda hora para ir ao banheiro e chegam a perder o emprego por se levantarem demais no ambiente de trabalho", conta o médico.
Alguns pacientes chegam a se enganar quando começam a urinar demais. "Quando os médicos perguntam se o paciente está bem, ele responde que está urinando até bem demais", explica Claro. "Mas se ele está indo mais ao banheiro do que o normal, algo está errado."
Com o tempo, problemas mais graves podem afetar o funcionamento de órgãos como a bexiga, para a qual não há transplantes. A falência desse órgão obriga o paciente a usar sondas urinárias durante o resto da vida.
Gosto pela água
Outros aparelhos a laser já eram usados para operações na glândula, mas tinham a desvantagem de precisar da presença de oxigênio combinado com hemoglobina na região onde a cirurgia é feita para funcionar. A hemoglobina é encontrada nas células vermelhas do sangue.
Já o novo equipamento usa raios laser que têm afinidade com água, um líquido presente em abundância dentro do corpo. "Essa diferença permite que o médico termine a cirurgia quando quiser", explica Joaquim Claro.
Apesar de danificar a glândula, para o médico a melhora na qualidade de vida do paciente compensa o efeito colateral da operação. "A grande maioria dos pacientes com hiperplasia benigna são homens em idade avançada, que já não desejam mais ter filhos", diz o urologista, lembrando da importância da glândula para a fertilidade do homem.
Como é a operação
A cirurgia é feita com um "cistoscópio" – um pequeno cilindro colocado dentro da uretra após anestesia – que possui uma sonda com os feixes de laser e um aparelho óptico para que o médico possa observar as paredes da bexiga e do canal de urina.
A operação dura até 90 minutos e o paciente pode ser liberado no mesmo dia.
A vaporização destrói o tecido que está atrapalhando a passagem da urina pelo canal. O feixe de raios é controlado por um pedal controlado pelo urologista.
Apesar de estarem disponíveis no Brasil, as cirurgias a laser são bem menos frequentes do que as convencionais – que cortam o abdômen do paciente ou utilizam bisturis eletrônicos – para tratar problemas na próstata.
Fonte: G1