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Refluxo: Quando o peito arde

Geral

01.11.2011

Aquela queimação no meio do peito, que muitos chamam de azia ou gastura, na verdade é sintoma típico do refluxo gastroesofágico, doença caracterizada pela retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago. Cerca de 20% da população brasileira sofre desse mal – índice semelhante ao observado na Europa e nos Estados Unidos, segundo o gastroenterologista Tomás Navarro Rodrigues, professor do Hospital das Clínicas de São Paulo, um dos especialistas mais conceituados no assunto.

Ele esclarece ser a sensação de queimação consequência do PH ácido do estômago agindo no esôfago, que não é preparado para receber  tamanha acidez. O refluxo é mais comum em mulheres e está relacionado com o tipo de alimento consumido.

"Tem duas maneiras que você pode interpretar; uma é aquele alimento que causa o aumento da produção de ácido do estômago, e um outro tipo de alimento que faz com que a transição entre o esôfago e o estômago se abra, fazendo que esse ácido reflua, ou seja, volte para cima. Um exemplo bem clássico e famoso é o chocolate. Algumas proteínas do chocolate fazem o esfíncter (espécie de válvula) abrir mais vezes que o habitual, e faz com que você reflua", diz o especialista.

Entre os sintomas do refluxo, além da azia, estão gosto amargo e azedo na boca, dor torácica intensa – podendo ser confundida até com angina – tosse seca, doenças pulmonares como pneumonias, bronquites e asma.

Tomás Navarro diz haver um único grande estudo sobre refluxo no Brasil, e ele indica que o problema atinge 12% da população, isso levando-se em conta os sintomas clássicos. "Mas tem pessoas também com doença do refluxo que não têm esses sintomas, e sim os paralelos, como rouquidão, pigarro, sensação de alguma coisa coçando na garganta. Então, extrapolando para isso, nós calculamos que seja algo em torno de 20% da população com a doença do refluxo. É um número bem alto e bem parecido com os números do primeiro mundo."

O conteúdo ácido ao chegar no esôfago provoca lesões na região.  A endoscopia é o exame mais indicado para fechar um diagnóstico de refluxo. "É como se fosse uma fotografia daquela região. Olhando o esôfago e o estômago eu percebo se há algum machucado. O fato de não haver um não indica que você não tenha lesão", explica Tomás navarro.

O tratamento é à base de medicamentos antiácidos, aliado a cuidados dietéticos e comportamentais; ou seja, alguns alimentos devem ser retirados da dieta e são necessárias algumas mudanças de hábitos, como não deitar após as refeições antes de passadas duas horas e praticar atividade física regular para evitar a obesidade. Cigarro e álcool são verdadeiros venenos.

"Cai de novo naquilo que a gente sempre comenta: quanto mais saudável você estiver, o seu corpo funciona como saudável por completo. Mudanças de hábitos são difíceis de serem feitas, mas em termos dietéticos sempre optar pelo mais natural e o mais saudável possível, sem agressividade ao extremo – ou seja, comer alimentos estimulantes da secreção, frituras, coisas desse tipo", recomenda o gastroenterologista paulista, que esteve semana passada em Natal, realizando palestra.

Se o tratamento convencional não surtir efeito, é indicada então a cirurgia para corrigir a ação do esfíncter entre esôfago e estômago e aumentar a pressão naquela área. Porém, ela não é definitiva e os sintomas podem voltar a aparecer após sete anos.
Reprodução: Tribuna do Norte