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O drama humano por trás da greve

Geral

15.12.2011

Mais uma vez a população é prejudicada por causa da má-gestão dos recursos públicos da saúde. Por causa da paralisação dos profissionais da Cooperativa dos Médicos do Rio Grande do Norte (Coopmed), a cirurgia do gari natalense Damião Ferreira da Silva, 55, marcada para a última segunda-feira, foi suspensa por tempo indeterminado. O sofrimento deverá aumentar porque Damião, que tem ferimentos no rosto por causa de um câncer de pele, arranhou as feridas justamente no dia em que seria operado. "Arde, queima, dói", se queixa.

Sem o procedimento cirúrgico e afastado pela perícia da Companhia de Serviços Urbanos (Urbana), onde trabalhou sob sol escaldante por 25 anos, o ferimento do gari – que começou pequeno e que aumenta a cada dia, corre o risco de se tornar um dano irreversível. A filha Francisca Ediana da Silva, 31, agente comunitária de saúde, diz que as consultas foram feitas em agosto, o procedimento foi marcado em setembro, e agendado para início de dezembro. Por causa da paralisação dos médicos da Coopmed, tudo desandou. "As feridas sangram e ele passa noites sem dormir. Não temos como usar curativos porque não sabemos o que podemos usar. E também não damos medicamentos porque não foi receitado nada. A única coisa que ainda fornecemos é um analgésico para aliviar as dores. Não sei mais o que fazer", relata ela, que acompanha a agonia do pai ao lado da mãe, Vitória.

A família de Damião Ferreira mora em Nova Natal, Zona Norte. Centenas de outras famílias sofrem com o problema, agravado essa semana. Desde segunda-feira, 12, cerca de 100 procedimentos de alta e média complexidade vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS) deixam de ser realizados todos os dias em oito hospitais particulares da capital. Os procedimentos são feitos por meio de uma parceria com Governo do Estado e prefeitura do Natal, uma vez que os hospitais públicos não conseguem atender à grande demanda.

Reprodução: Diário de Natal