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Paralisação de técnicos de enfermagem prejudica atendimentos na capital

Geral

23.12.2011

A greve dos técnicos de enfermagem, nutrição e da farmácia que trabalham na Maternidade Leide Morais, Hospital dos Pescadores, Maternidade das Quintas e Unidade Básica de Saúde de Cidade Satélite continua por tempo indeterminado. Os servidores decidiram pela continuidade do movimento, ontem à tarde, após a secretária Maria do Perpétuo Socorro afirmar em reunião com os diretores dessas unidades que a prefeitura só tem condições de pagar o adicional noturno e no final de janeiro.

Perpétuo Socorro informou aos diretores que a Secretaria Municipal de Saúde não tem como implantar as gratificações solicitadas pelos servidores. Os diretores, por sua vez, levaram o resultado da reunião aos técnicos que garantiram continuar a paralisação. Hoje, às 9h, representantes da comissão dos grevistas vão tentar sensibilizar a secretária durante café da manhã no Centro de Controle de Zoonoses.

A paralisação de técnicos de enfermagem, da nutrição e da farmácia que trabalham naMaternidade Leide Morais, na Zona Norte, prejudicou o atendimento à população ontem, terceiro dia da greve, deflagrada na última terça-feira, 20. Os funcionários de nível técnico cruzaram os braços por causa de gratificações, que desde fevereiro deveriam ter sido incorporadas ao contracheque dos funcionários públicos municipais que trabalham na unidade.

Os servidores que paralisaram as atividades justificam a greve e falam dos prejuízos causados à população. "Hoje ganho um terço do que recebia quando entrei no funcionalismo público, há dois anos. A implantação dos planos de cargos também garante pagamento dos plantões. Até isso não é respeitado pela prefeitura", afirma Antônio Lucas, técnico de enfermagem da Leide Morais. "Além disso, a maternidade carece de infraestrutura. Há fungos, infiltração, mofo, salas sem condicionador de ar".

Flávio Nascimento, auxiliar de cozinha, disse que o setor de nutrição também sofre porque trabalham sem adicionais noturnos. "Trabalhamos à noite e não recebemos adicionais. Aescala é mista", disse ele, que também reclamou da falta de profissionais. "Apenas dezoito pessoas trabalham na produção do alimento, mais de 150 refeições diárias no almoço, além da janta, ceia e do café da manhã. São apenas três ou quatro por equipe. Isso provoca sobrecarga de trabalho". Outro problema grave da Maternidade é a falta de copos e artigos de limpeza.

 

Grevistas querem implantação de gratificações

 

As gratificações que motivaram a greve seriam pagas porque, no município, o funcionário da saúde que é transferido de uma unidade para outra, adquire gratificações e adicionais por tempo de serviço e atividade executada. Na última greve, que durou 30 dias e ocorreu em novembro do ano passado, os servidores conseguiram que fosse implantada a Gratificação de Estímulo à Atividade Obstétrica e Neonatal (GEAON), que seria implementada em dezembro de 2010 e janeiro desse ano. "Ficou acertado que a partir de fevereiro o município iria implantar adicionais de insalubridade e adicionais noturnos. Isso não foi feito até agora", disse Sônia Godeiro, uma das diretoras do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN).

O comando de greve já fechou oito dos 24 leitos da Leide Morais. Tiago Daniel Fernandes de Souza, secretário-geral do Sindicato dos Servidores do Município de Natal (Sinsenat), que também coordena a greve, disse que os servidores da maternidade não recebem nem as gratificações nem os adicionais. "Plantão também não recebem, nem os adicionais, que são pagos em qualquer empresa do Brasil. Insalubridade, adicional noturno e também a falta de enquadramento dos técnicos de enfermagem. Isso provoca defasagem salarial. Recebem como auxiliares, mesmo sendo técnicos. A lei garante isso".

Segundo Sônia Godeiro, na Maternidade Leide Morais, alguns funcionários trabalham há três anos sem receber os adicionais. "A greve é culpa da atual gestão municipal. Temos que solucionar essas pautas e encontrar uma solução".

Fonte: Diário de Natal