3201 5491

FALE COM A GENTE

ÁREA DO COOPERADO

Crise já afeta "ilhas de excelência" do Walfredo Gurgel

Geral

09.05.2012

Nacionalmente já se tem conhecimento da grave crise estrutural e financeira pela qual a saúde pública potiguar vem passando. No maior hospital do estado, o Monsenhor Walfredo Gurgel (HWG), o quadro é de desabastecimento, greve de servidores e médicos, corredores lotados e uma espera sem fim. Atualmente, cerca de 60 macas se acumulam nos corredores do hospital com paciente de diversos quadros clínicos, segundo informações da assessoria do hospital. Até setores considerados "ilhas de excelência" no HWG, como o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), já começam a sentir os efeitos da crise.

De acordo com o chefe do CQT, o médico Edilson Carlos de Souza, apesar do caos na saúde pública, o centro vem conseguindo atender a sua demanda, mas a falta de uma diretoria geral no Walfredo e a greve dos médicos já está prejudicando os atendimentos, principalmente no setor cirúrgico. Edilson Souza diz que atualmente alguns profissionais vêm tentando "boicotar" a quantidade de cirurgias plásticas feitas no CTQ sob o pretexto da greve, o que pode acarretar no acúmulo de pacientes sem a devida assistência, alerta o médico.
Interdição de setor
O Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern) realizou uma plenária na noite da última segunda-feira para decidir sobre uma interdição ética no setor de reanimação do Hospital Walfredo Gurgel. Às 22h, o pleno chegou à decisão de que o setor deve ser interditado imediatamente. A decisão do conselho tem força de lei. Com a decisão, os pacientes que necessitarem da reanimação continuarão a ter acesso ao atendimento, contudo, fica proibida a permanência do paciente no setor, como vem ocorrendo há anos.
A interdição é por prazo indeterminado, como explica o presidente do Cremern, Jeancarlo Fernandes, e o hospital tem a orientação de que encaminhe aos poucos os pacientes internados na sua área de reanimação para leitos de UTI da rede pública de saúde ou leitos contratados na rede privada, mediante o surgimento de vagas.
O setor de reanimação tem porfinalidade central promover a reanimação e estabilização do quadro do paciente, encaminhando-o por fim para outro setor – na grande maioria dos casos, para a UTI. Segundo dados da assessoria de comunicação do HWG, atualmente estão sendo ocupadas seis das nove vagas da reanimação do hospital com pacientes estabilizados, mas que necessitam do auxílio de aparelhos para respirar.
Jeancarlo Fernandes ressalta que o setor no HWG vinha funcionando como "depósito de pacientes" e era usada para as internações de UTI devido à ausência de leitos. O presidente do Cremern diz ainda que os pacientes costumam ficar entubados em macas no setor de reanimação, com uma precária equipe de enfermagem e sem a assistência devida, contribuindo para o alto índice de mortalidade no hospital.
Em nota à imprensa, o Cremern informou que o que motivou a decisão de interditar o setor em foi a análise de um relatório de seu departamento de fiscalização sobre a situação encontrado no hospital. Entre as exigências que o conselho solicita quesejam cumpridas estão manter médicos qualificados 24h na unidade para fornecer assistência, reabastecer os medicamentos, principalmente antibióticos, e reparar ou adquirir camas específicas para substituir as sucateadas.
A assessoria de imprensa da Sesap informou que "uma equipe de técnicos vai readequar os serviços da área em questão e providenciar o abastecimento de insumos para que as atividades no setor de reanimação do Pronto Socorro Clóvis Sarinho não tenha descontinuidade".

Fonte: Diário de Natal