Greve na saúde: sindicatos prometem endurecer ações
Geral
17.05.2012
De Jéssica Barros, especial para o Diário de Natal
Apesar da retomada das atividades dos mais de 200 médicos de 16 especialidades que atendem pela Cooperativa dos Médicos do RN (Coopmed), após a conclusão de acordos bem-sucedidos com o Governo do Estado, a realidade não se aplica os demais profissionais da saúde e os atendimentos na rede pública estadual continuam em risco. Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed), Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do RN (SindSaúde) e Sindicato dos Odontologistas do RN (Soern) permanecem em greve e já planejam fortalecer o movimento de paralisação de atividades. Entre as estratégias de impacto, está a intenção de transferir atendimentos da rede estadual para a municipal a fim de mostrar à sociedade e gestores que o RN está em greve.
Segundo o presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira, a decisão de tomar medidas mais consistentes se deve à falta de posicionamento do governo. Os sindicatos estiveram em reunião com a governadora Rosalba Ciarlini no último dia 11, onde apresentaram suas reivindicações e propostas. A chefe do executivo estadual se comprometeu de dar os retorno aos sindicatos logo no início desta semana, o que não ocorreu e desagradou a classe. "Isso não pode ser protelado para sempre, é a população quem perde com isso", diz Geraldo Ferreira.
Os sindicatos estão atualmente aprofundando as discussões e fazendo um levantamento sobre a situação de todos os grandes hospitais estaduais da rede pública tendo como foco o grave desabastecimento das unidades, a falta de leitos de UTI e a precária qualidade dos materiais que têm chegados aos hospitais, que comprometem a segurança do procedimento e integridade do paciente assistido.
Enérgicas
Os três sindicatos, que vêm realizando atividades conjuntas de sensibilização da sociedade e poder público quanto à situação caótica da saúde pública, pretendem realizar marchas saindo dos maiores hospitais públicos rumo à delegacias e prestar boletins de ocorrência sobre o que vem sendo constatado nas unidades, como desabastecimento e longas filas de espera em macas, além de estudarem uma visita ao MPE "com fatos concretos", segundo Geraldo Ferreira, convocando o poder da Polícia e do Judiciário para que alguma medida seja tomada por parte dos gestores.
Outra estratégia estudada pelos grevistas é de passar a transferir pacientes que buscam atendimento na rede pública estadual de saúde para a rede municipal, apesar da também precária estrutura das unidades administradas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). "Precisamos deixar claro que o estado está em greve. Se continuarmos atendendo todos os pacientes que chegam, a situação vai continuar se estendendo", diz o presidente do Sinmed.
Segundo a assessoria de imprensa do governo, o que foi discutido em reunião com os médicos foi um apelo da governadora Rosalba Ciarlini para que não houvesse greve e as atividades fossem retomadas. Contudo, foi solicitado à Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) um estudo administrativo sobre a situação para que eventuais soluções fossem apontadas.
A assessoria deimprensa da Sesap esclareceu que a secretaria está trabalhando junto a equipe econômica do governo para concluir o estudo sobre o impacto de aumento na folha de pagamento. "Assim, que concluído, nos próximos dias, esse estudo será apresentado a Governadora Rosalba Ciarlini. Em seguida, essa equipe econômica irá se reunir com o Sindicato dos Médicos para continuar as negociações".
Obery, da Seplan, soube pela imprensa sobre falta de repasses
Após reportagem exclusiva do Diário de Natal publicada na edição de ontem tornar público que os R$ 22 milhões mensais orçados para custeio da saúde pública não vem sendo repassados na prática o titular da Secretaria Estadual do Planejamento e das Finanças (Seplan), Francisco Obery Rodrigues, disse que sua pasta não tem "nada a esconder" e está à disposição dos membros do Fórum Estadual dos Conselhos Profissionais de Saúde (Fesarn), Defensoria Pública, Conselho Estadual de Saúde, UFRN, OAB e Ministério Público Estadual (MPE) para quaisquer esclarecimentos. O colegiado que saber o porque das verbas previstas não estarem sendo repassadas na integralidade para a Saúde, o que estaria contribuindo para o desabastecimento das unidades de saúde.
Obery Rodrigues disse ainda que só tomou conhecimento dessa constatação do colegiado da saúde e MPE por meio do DN e que a Seplan ainda não foi contatada formalmente para uma reunião, mas que se encontra plenamente disponível. O secretário explica que a Seplan não realiza detalhamentos orçamentários, sendo responsável pelo nível macro de repasses de recursos do Tesouro Estadual nos níveis de despesas de pessoal, de custeio (onde foi encontrada a irregularidade) e de investimentos. Tantos os valores administrados pela Seplan para repasse quanto os que são empregados na prática estão disponíveis no "Portal da Transparência" do Governo do Estado, segundo Obery Rodrigues.
Autor da declaração que revelava o descompasso entre valores orçados e encaminhados para custeio da saúde pública, o membro da mesa diretora do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Junior, diz que realmente ainda não foi feito contato oficial com a Seplan nem com a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), que também deverá ser convidada a participar das discussões sobre a crise na saúde pública potiguar. Contudo, Francisco Junior diz que foi acordado na reunião com a Promotoria de Saúde na última terça-feira, que até o final desta semana será buscada uma agenda comum do colegiado com estas secretarias.
Fonte: Diário de Natal