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Januário Cicco sofre com falta de leitos de UTI

Geral

22.05.2012

 

A falta de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais no Rio Grande do Norte voltou a ser destaque na mídia nacional no final de semana. No domingo à noite, o portal de notícias UOL destacou que seis bebês e duas crianças esperavam leitos de UTI em hospitais de Natal. Prematuros, sem assistência adequada esses bebês corriam risco de morte. O problema foi exposto por alguns médicos pelo Twitter. Eles estavam de plantão e usaram a rede social para chamar a atenção da imprensa e de agentes públicos. Na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), cinco bebês em estado grave estariam recebendo cuidados em uma sala improvisada do centro cirúrgico. Um dos bebês pesa apenas 800 gramas e nasceu de parto prematuro na madrugada do domingo.
Diretor da MEJC, Kléber Morais diz que situação continuará crítica. Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press Ontem de manhã a situação já estava um pouco mais normalizada, mas ainda era crítica. Dos cinco, um bebê ainda continuava internado no Centro Cirúrgico, sendo que não havia leito de UTI para ele. Outros três haviam sido acomodados dentro da própria MEJC, e o quinto bebê havia sido transferido para o Hospital Santa Catarina, na Zona Norte, que também é terciário, assim como a maternidade da UFRN. De acordo com o diretor da maternidade Januário Cicco, Kleber Morais, o problema da superlotação da UTI neonatal na instituição é frequente.
"No fim de semana a superlotação extrapolou, mas nós vivenciamos isso no dia a dia da maternidade. Infelizmente esse é o nosso cotidiano. Enquanto não houver leitos suficientes, mais leitos na UTI em outras unidades, além de uma assistência bem feita no pré-natal, para evitar bebês nascidos prematuros, a situação continuará crítica", afirma o diretor da unidade, Kléber Morais.
Segundo Morais, é "urgente e necessária a regulação de mais leitos neonatais, de neonatologia, e que se divida a demanda de pacientes com outros hospitais". Ele relata que, sem orientação, a maior parte das mães que procuram atendimento para os recém-nascidos e crianças acaba procurando a Januário Cicco, que por sua própria característica de maternidade terciária que funciona como escola, não pode recusar pacientes. 
Ainda na noite do domingo, o médico anestesista José Madson Vidal relatou a situação crítica da falta de leitos para recém-nascidos e crianças em Natal. "Deixar bebê prematuro de 800 gramas sem assistência intensiva adequada por falta de leitos de UTI neonatal é criminoso", escreveu no microblog. Ele criticou as autoridades de saúde pública, especialmente a rede estadual, responsável pelos hospitais infantis Maria Alice Fernandes e Santa Catarina, que fazem esse tipo de atendimento especializado na capital. "Até quando a sociedade vai ficar anestesiada, permitindo que, diariamente, bebês agonizem pela desassistência neonatal?", observou. No Maria Alice Fernandes, durante o final de semana, havia duas crianças e um bebê precisando de leitos de UTI. Eles receberam cuidados médicos em local inadequado. 

Fonte: Diário de Natal