CONVOCAÇÃO DE PROFISSIONAIS NA ÁREA DA SAÚDE NÃO RESOLVE NECESSIDADES LOCAIS EM INFECTOLOGIA
Geral
09.09.2010
O MOSSOROENSE | COTIDIANO
Recentemente, o Governo do Estado anunciou a convocação de 422 profissionais para suprir a deficiência na área da saúde no RN. Em Mossoró, entre as áreas críticas está a de infectologia, que trata de doenças como dengue, gripe e Aids. Atualmente, o município conta com apenas dois profissionais especializados – um para cada hospital regional. Eles são também os únicos da área disponíveis no Oeste potiguar. Apesar do anúncio, aqui esta situação permanece.
Isso porque os dois infectologistas convocados para Mossoró atuam na cidade há vários anos: Dr. Alfredo Passaláqua, que trabalha no Hospital Rafael Fernandes, e Dr. Fabiano Maximino, do Tarcísio Maia. "Na verdade, eles só fizeram documentar o que já ocorria na prática. Eu era cedido ao município e agora vou ser contratado pelo Estado. É isso que muda", diz Passaláqua. De acordo com ele, a situação de Maximino é semelhante.
O profissional do Hospital Rafael Fernandes diz que há sobrecarga enorme no setor de infectologia. Para ele, seria necessária a contratação de no mínimo mais três profissionais. "Somos só nós dois para atender a Mossoró e região. Em períodos difíceis, como surto de dengue, por exemplo, é preciso realizar treinamento com profissionais da área, senão fica impossível dar conta".
Passaláqua diz que o governo ofereceu oito vagas para a região Oeste. "Mas foram os próprios médicos que preferiram ficar em Natal. Cada profissional pode decidir a sua lotação". Por causa disso, o coordenador de Recursos Humanos do Estado, Jorge Luiz de Castro, afirma: "O preenchimento de vagas para a região é uma coisa incerta".
Segundo o coordenador, há mais dois motivos para a incerteza. Primeiro: a convocação dos 422 profissionais, apesar de anunciada, é apenas uma "definição preliminar". "Ainda não analisamos o perfil de todos os convocados. Eles ainda passarão por outra seleção. Profissionais sem especialização definida não serão contratados". Segundo: "A quantidade de pessoas especializadas em infectologia de que dispomos é insuficiente".
Apesar disso, ele garante que o Estado tem trabalhado no assunto há muito tempo. "O que podemos fazer é este tipo de seleção. Esta é a terceira que fazemos. No futuro, haverá também concursos. Com a realização de mais exames desse tipo, esperamos conseguir solucionar essa questão num futuro próximo".