MAIS DE 20 MIL ABORTOS INDUZIDOS NA PARAÍBA
Geral
10.09.2010
"Na pesquisa de campo também utilizamos o Sistema de Informações Hospitalares do SUS, disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, que apontam que os abortos estão concentrados em João Pessoa e em Campina Grande" disse Maria Lúcia, acrescentando que cidades como Santa Rita, Bayeux e Patos também são responsáveis pela realização de procedimentos de curetagem em 500 mulheres, nesse mesmo período. O índice coloca a Paraíba como "risco médio" no número de abortos induzidos apresentados, com 19,6 abortos para cada mil mulheres.
Em João Pessoa, desde que o serviço do "aborto legal" foi implantado na Maternidade Frei Damião e no Instituto Cândida Vargas, 32 casos de mulheres que interromperam uma gravidez, resultado de violência sexual e doméstica, foram registrados. A medida, com amparo legal para esses casos e nos demais que envolvem os problemas de formação do feto, ainda é desconhecida de grande parte das mulheres, que chegam a enfrentar um verdadeiro drama psicológico e social depois de sofrerem um estupro ou abuso, seja por um desconhecido ou por um parente mais próximo.
A partir do momento em que é identificado o caso, na mulher que chega a uma das unidades de saúde, o atendimento passa a ser diferenciado. "Apesar de acharem que o serviço ia funcionar de maneira aleatória, desde que inauguramos o programa em 1998, fizemos 28 interrupções aqui na maternidade seguindo todos os critérios", afirmaa coordenadora do Programa de Assistência às Mulheres Vítimas de Violência Sexual da Maternidade Estadual Frei Damião, Gerlane Bandeira. Os outros quatro casos foram registrados no Instituto Cândida Vargas. Nos atendimentos em geral, as idades variam, desde meninas de 12 anos até idosos de 73 anos. Mas, houve caso em que chegou até a unidade uma bebê de dois meses abusada por um parente.
Igreja
Para o arcebispo da Igreja Católica, Dom Aldo Pagotto, a defesa da vida deve ser sustentada e o aborto não deve ser praticado sob nenhuma condição, mesmo quando há um estupro, abuso sexual, ou quando o feto tem problemas de formação: "A vida não nos pertence, nem pertence à mãe, mas a Deus. A criança concebida tem o direito de nascer", disse.
O pastor Estevam Fernandes, da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, também é um defensor da vida, mas disse que nesses casos que se constituem como exceções, é necessário fazer um encaminhamento das mulheres para os serviços de saúde: "Em princípio sou sempre a favor da vida,mas há três situações em que devemos tolerar o aborto: quando a criança apresenta anencefalia; quando a gravidez apresenta riscos para a mãe e quando a mãe vítima de estupro, decide fazer o aborto", argumentou.
Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE | O NORTE