Ortopedistas suspendem cirurgias em Parnamirim
Geral
24.08.2012
Enquanto Governo do Estado e representantes da Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte (COOPMED) não chegam a um acordo sobre a renovação e pagamento dos plantões dos ortopedistas, 71 pacientes esperam por cirurgias ortopédicas no Hospital Regional Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim. São crianças, adultos e idosos que aguardam o retorno dos médicos que paralisaram o atendimento ontem (23).
Francimar da Costa Paulo, 36 anos,é um dos que esperam. Ele tem uma hérnia de disco e está há 17 dias no Deoclécio Marques aguardando uma cirurgia.
Situação ainda pior é a de Gilson Silva Rodrigues, 36 anos. Ele sofreu um acidente de carro em Areia Branca há quatro meses e desde então espera para fazer cirurgia. Conseguiu fazer a primeira, na perna esquerda há 20 dias e está aguardando o retorno dos médicos.
A paralisação acontece porque o contrato da COOPMED com a Secretária de Saúde venceu no dia 07 agosto. Os médicos estão sem receber o pagamento dos plantões dados no Deoclécio Marques, Centro de Recuperação de Operados (CRO) do Walfredo Gurgel e Samu Metropolitano, que juntos somam um débito de R$900 mil. Além disso, há atraso também no pagamento dos plantões da alta e média complexidade do SUS, que representa ao em torno de R$980 mil.
De acordo com a diretora geral do Deoclécio Marques, Nilzilene Carrasco, dos 71 pacientes internado, 60 são do interior do Estado. A direção teve que improvisar uma observação ortopédica, onde estão 16 pacientes, para tentar absorver a demanda do hospital, que realiza cerca de 200 cirurgias ortopédicas por mês e 100 atendimentos de urgência e emergência/dia.
"Nossa situação é muito delicada. Eram 28 ortopedistas das cooperativas e dois do quadro do Estado. Esses conseguem dar assistência aos que estão internados, mas não dá para atender urgência e nem as cirurgia eletivas", disse a diretora.
REUNIÃO
O Governo marcou ontem a tarde uma reunião com a COOPMED, mas nenhum representante da cooperativa compareceu. "Eu estava em cirurgia e não consegui ir a reunião, um outro representante também não, mas essa reunião era para dizer que o processo se encontra na Procuradoria Geral e que será regularizado. Mas isso eles dizem há, pelo menos três semanas", disse o diretor da COOPMED, Fernando Pinto. O ortopedista alertou ainda que o contrato da cooperativa com o Samu Metropolitano vai vencer no próximo dia 28 e até agora a Secretaria não se posicionou.
Em nota, a assessoria de comunicação da Sesap disse que: "Em relação ao novo contrato da COOPMED, o processo se encontra na Procuradoria Geral do Estado, deverá retornar a SESAP até amanhã (hoje) e, provavelmente será regularizado dentro de oito dias. Já o processo referente ao pagamento do mês de junho, se encontra na auditoria da SESAP e será encaminhado ainda hoje para o Coordenadoria Financeira, que enviará para a SEPLAN para pagamento".
Pacientes precisam levar lençóis para o Hospital
Na última terça-feira (21), a TRIBUNA DO NORTE publicou uma matéria mostrando a falta de estrutura dos hospitais públicos do Estado. Entre eles o Deoclécio Marques, em Parnamirim, onde cirurgias estão deixando de ser realizadas por falta de roupas limpas. A terceirização dos serviços de lavanderia está irregular há dois meses, devido pendências no contrato firmado entre a Sesap e a Lavanderia Sol. A proprietária da lavandeira, Suzane Câmara, afirmou que o Governo não faz repasses desde o início do ano, mas tentando manter o serviço. O serviço foi reduzido em 90%, e em vez do hospital trabalhar com dois mil lençóis, "que seria o ideal", vem funcionando com 200 por dia.
Apesar das pendências, o contrato foi renovado dia 1º de julho, e além do serviço de lavanderia a empresa também fornece o próprio enxoval hospitalar – ou seja, lençóis, batas, capotes e outros itens são de propriedade da contratada, que ainda atende os Hospitais Ruy Pereira e João Machado, em Natal; o Alfredo Mesquita Filho, em Macaíba; e o Samu Metropolitano.
CONTRATO
Sobre o novo contrato, a assessoria da Sesap informou que "a Secretaria tem até 30 dias, após a apresentação da primeira fatura, para realizar o pagamento (até 1º de setembro)". Quanto as pendências, o secretário Isaú Gerino disse que estará "reunido com a governadora Rosalba Ciarlini nos próximos dias para resolver a questão". Ele não confirmou o tempo de atraso nem soube precisar quantos meses estão em aberto; enquanto isso, o hospital lava parte das roupas em outras unidades que ainda dispõem de lavanderia própria.
Fonte: Tribuna do Norte