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Samu adere à greve de servidores

Geral

31.08.2012

A greve dos servidores municipais entra hoje para o 30º dia e, agora, tem a adesão das equipes de pronto-socorro do SAMU-Natal, que reduziram de 12 para cinco o número de ambulâncias de plantão  na cidade, em  protesto contra o corte do adicional noturno até 80% para os médicos e enfermeiros que recebiam em torno de R$ 1 mil e dos técnicos de enfermagem, que percebiam entre R$ 300 e R$ 400. Com a paralisação dos plantonistas do SAMU municipal, que se revezam em turnos de 12 horas, pelo menos metade dos 810 mil habitantes de Natal ficará prejudicada com a redução do número de ambulâncias.

O coordenador do SAMU-Natal, Kleiber Furtado, disse que pelos critérios de implantação do serviço na primeira metade da década passada, cada viatura do atendimento básico abrange uma cobertura entre 100 mil e 150 mil habitantes. Com nove unidades básicas, o número é suficiente para atender a cidade, mas devido a greve, desde ontem de manhã só estão rodando três unidades de suporte básico, ou seja, o suficiente para atender até 450 mil pessoas.

Já em relação às unidades de suporte avançado (UTIs móveis), Kleiber Furtado informou que existem três ambulâncias desse porte em Natal, cada uma para atender 300 mil habitantes. A greve reduziu para duas as unidades de plantão,  podendo deixar de atender 200 mil pessoas.

Segundo Furtado, hoje o SAMU Natal conta com 17 unidades, das quais cinco são usadas como reserva técnica, para suprir a retirada de carros para revisão ou conserto em caso de quebra, já que que circulam, ininterruptamente, por 24 horas. "Quando a chamada é de código 3, em que o paciente atendido corre risco de morte, o desgaste é muito, pela pressa que tem de chegar ao local e a troca de marcha lenta constante por causa do trânsito", disse ele.

 Furtado explicou que a greve atinge apenas os socorristas: "Não temos problema de paralisação dos condutores dos veículos, porque eles são terceirizados".

O diretor do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Natal (Sinsenat), Paulo Bandeira, diz que os servidores do SAMU estão cumprindo a lei de greve, garantindo "até mais do que os 30% do atendimento", com o plantão de duas das três UTIs móveis e das três unidades de suporte básico.

Paulo Bandeira disse que "a gota d'água para a deflagração da greve", decidida na quinta-feira, dia 23, mas adiada em função de uma tentativa de conciliação no Tribunal de Justiça que não resultou em acordo com o município, foi a redução do valor do adicional noturno no contracheque dos plantonistas, que já vinham enfrentando problemas pela falta de condições de trabalho.

"Já houve de uma ambulância sair com o pedal da embreagem quebrado e amarrado  com um 'garrote', aquela liga de borracha que se no braço do paciente para fazer infusão da injeção", disse Bandeira, a respeito da manutenção dos veículos. Para o sindicalista, o SAMU que ele diz ser "o serviço mais respeitado e que tem uma avaliação extremamente positivo" por parte da população natalense, "só estão funcionando com a cara e a coragem dos trabalhadores".

Samu recebe 7 mil chamadas mensais

O corte do adicional noturno dos plantonistas do SAMU-Natal foi oficializado em 30 de maio, quando saiu no "Diário Oficial do Município" uma portaria assinada pela prefeita Micarla de Sousa, regulamentando o novo cálculo do adicional noturno em todas as repartições da administração direta, fundações e autarquias municipais.

De acordo com a portaria, a concessão do chamado ADN uma jornada de 20, 30 ou 40 horas de trabalho, ficaria condicionada a uma fórmula matemática, na qual se toma o vencimento básico e o número de horas.

No mesmo "Diário Oficial" foi publicada outra portaria em que reduz, até 31 de dezembro, o pagamento de novas Gratificações de Expediente Extraordinários (GEE) e a realização de adicional de serviços extraordinários em todas as repartições municipais.

Para o diretor do Sisenat Roberto Linhares, a medida traz prejuízos para parte dos servidores do SAMU, que ainda não tiveram o adicional noturno implantado no contracheque: "A gente deu 15 dias para se chegar a um acordo e não prejudicar a população com a prestação de um serviço essencial, mas não houve avanços".

O coordenador do SAMU, Kleiber Furtado, informou que a média mensal de chamadas é de sete mil, mas 50% delas são trotes por telefone, enquanto metade dos procedimentos são de atendimento clínico, 30% de pessoas traumatizadas e resto do atendimento é de orientação médica, feita inclusive por telefone.

Na manhã de ontem, depois que houve a redução do número de unidades do SAMU em circulação, a ambulância de nº 7, cuja equipe  chegou às 5h30 na sede do SAMU, nas ruas dos Potiguares, foi acionada  três vezes entre às 6h24 e 11 horas.

Fonte: Tribuna do Norte