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Policlínica da ZN não tem recursos humanos para absorver demanda do AME Nova Natal

Geral

23.10.2012

Com o fim do atendimento médico nos Ambulatórios Médicos Especializados (AMEs) de Brasília Teimosa, Nova Natal e Planalto, a demanda, de aproximadamente 900 atendimentos diários, foi remanejada para quatro centros clínicos: Policlínica Zona Norte, no conjunto Santa Catarina, Centro Clínico José Carlos Passos, na Ribeira, Centro Clínico de Neópolis e Cidade Satélite. Na manhã desta segunda-feira (22), o movimento na Policlínica Zona Norte, que ficará responsável por absorver a demanda do AME de Nova Natal, foi intenso. No entanto, de acordo com a diretoria, dentro do esperado para o início da semana.

“Neste primeiro dia não conseguimos identificar pacientes oriundos do AME. O movimento está grande, mas normal para uma segunda-feira”, afirmou o diretor da Policlínica Zona Norte, Carlos Moura. Ele disse que ainda não foi comunicado pela Secretaria Municipal de Saúde de como será a absorção desses atendimentos oriundos do AME do Nova Natal. “Nossa meta é atender a população bem, mas hoje a unidade já funciona no limite, pois temos deficiência de recursos humanos em algumas especialidades. Só poderemos aumentar nosso atendimento à medida que a Secretaria encaminhar novos profissionais”, destacou o diretor. Hoje, faltam profissionais médicos, além de enfermeiros, técnicos de enfermagem e de laboratório. Com a demanda do AME Nova Natal, essa deficiência deverá ser bem maior. “A unidade está aberta, mas para isso precisamos de recursos humanos”, afirmou.

A Policlínica Zona Norte dispõe de 30 médicos, tanto do quadro de pessoal do Município, quanto da Cooperativa Médica (Coopemed), que atende em diversas especialidades, como oftalmologia, psiquiatria, gastroenterologia, ginecologia de alto risco, psicologia, endocrinologia, proctologia, cardiologia, otorrinoloringologia, cirurgia geral, dermatologia, fonoaudiologia, infectologia, urologia, reumatologia, e pediatria. O atendimento odontológico dispõe de 12 dentistas, distribuídos nos três turnos. Cada médico de 20 horas atende uma média de 40 pacientes por semana, enquanto que os profissionais que trabalham 40 horas atende cerca de 60 pacientes.
O grande problema da Policlínica Zona Norte é em relação à psiquiatria e a cardiologia. Carlos Moura conta que, apesar de contar com quatro psiquiatras, que atendem cerca de 170 pacientes por semana, a demanda é alta e os pacientes chegam a esperar até um mês por um atendimento médico. Em cardiologia a situação é mais complicada. Apenas um cardiologista é responsável por atender toda a demanda da zona Norte de Natal. “Temos uma deficiência de pelo menos dois cardiologistas e se os pacientes do AME vierem essa deficiência será maior, pois hoje os pacientes já chegam a esperar dois e até três meses por uma consulta com cardiologista”, afirmou o diretor Carlos Moura.

A Policlínica Zona Norte funciona de segunda a sexta, das 6h30 às 20h30 e conta com cerca de 150 profissionais, entre médicos, enfermagem, administrativo e serviços gerais. Além do atendimento médico, são realizados todos os tipos de exames laboratoriais e eletrocardiograma. Diferente dos Ambulatórios Médicos Especializados, a Policlínica não realiza curativo, mas a sala de imunização (vacinas) funciona todos os dias.

O aposentado Francisco Canindé considera que o atendimento na Policlínica da Zona Norte é ótimo, mas disse que a dificuldade para conseguir marcar uma consulta é um problema que precisa ser resolvido. Ele conta que, antes de procurar a unidade, foi até o AME de Nova Natal, meses atrás, mas nunca conseguiu atendimento. “O sistema de saúde pública de Natal já está em falência. Os postos de saúde não funcionam e todo mundo se desloca para os cantos que funcionam. Por isso, que aqui vive lotado, pois as pessoas sabem que funciona”, destacou o usuário.

Para a dona de casa, Cláudia Maria dos Santos, de 49 anos, que mora no Santarém, o problema é o mesmo. Ela conta que, para algumas especialidades, é necessário chegar de madrugada na Policlínica da Zona Norte, para conseguir marcar uma consulta. Hoje, ela revela, que para conseguir marcar uma consulta para o endocrinologista, chegou a unidade às 2h da madrugada. “Ficamos a mercê da própria sorte, arriscando as nossas vidas, para conseguir um atendimento. Dizem que não precisamos chegar de madrugada, mas quando não fazemos isso, não conseguimos atendimento. E essa humilhação é para todo mundo, inclusive os idosos”, desabafou a dona de casa.

Multa

O Ministério Público Estadual considerou um retrocesso social a mudança feita pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) na gestão dos Ambulatórios Médico Especializados (AME) de Nova Natal, Planalto e Brasília Teimosa. As unidades deixarão de atender especialidades médicas e, farão apenas atendimentos ambulatoriais. A promotoria da saúde deve pedir a execução de uma multa diária de R$ 100 mil, já no dia 26 de outubro, devido à diminuição dos serviços prestados pelo município.

A multa foi determinada no dia 20 de agosto passado, quando o juiz Airton Pinheiro, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Natal, determinou que o município teria até 60 dias para assumir a execução dos serviços de saúde.
Reprodução: Jornal de Hoje