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Jornada conscientiza profissionais de saúde para a importância de transplantes

Geral

28.10.2012

Mantendo a tradição acadêmica de promover eventos científicos, os alunos do curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), realizaram nesta sexta e sábado, a I Jornada de Transplante de Órgãos do Estado, ocorrida no Pirâmide Natal Hotel & Convention. A ideia era conscientizar estudantes e profissionais de saúde para as possibilidades que se abrem com a prática de doação de órgãos.

Um dos organizadores do evento é o estudante Vinícius Dantas, que pretende seguir a carreira de anestesiologista, quando concluir seus estudos. Para ele, até nisso o procedimento cirúrgico de transplante pode contribuir, visto que a especialidade pretendida é fundamental na cirurgia. “Assim como eu enxerguei uma possibilidade com os transplantes, outros profissionais podem se encontrar também. Por exemplo, hoje, quando se procura um psicólogo especializado em comunicar à família sobre mortes cerebrais e a chance de doação de órgãos, é difícil de se achar alguém com esse perfil” , revela Vinícius.

E ele tem razão. Não só com relação aos profissionais de saúde, mas a ambiência dos hospitais favorece a negativa das famílias para a doação. Entre as principais razões para não se ter um quantitativo maior de transplantes de órgãos no Brasil estão as falhas no Sistema Único de Saúde (SUS); tratamento e cuidado das famílias ofertados de forma incompleta e a falta de esclarecimento da população. O nefrologista e professor Universitário, Maurício Galvão, lembra um fator ainda pior que é a ambiência dos hospitais para se comunicar as más-notícias. “Hoje, as famílias de pacientes em potencial para doar são abordadas nos corredores ou numa sala improvisada. O ideal seria um espaço reservado para que os entes responsáveis pelo paciente fossem comunicadas não só sobre a morte, mas sobre a evolução do quadro clínico de quem se gosta”, acrescenta Maurício.

Anteriormente ao evento, a organização da I Jornada de Transplantes ainda promoveu uma campanha de conscientização junto a 100 pessoas, de setembro até hoje. Com o tema “Dê à vida um novo começo” a ação tentou incrementar o número de registro da vontade de se doar órgãos. A ideia é que aconteça outras jornadas deste tipo, além da criação de um projeto de Extensão permanente na UFRN. Vinícius Dantas acrescenta que é possível se prospectar estes projetos porque é um assunto pouco explorado e que teve boa receptividade no Departamento de Medicina Clínica, da Universidade.

Atualmente, a Central de Transplantes de Órgãos (CTO) do Rio Grande do Norte realiza transplantes de córneas, rins e medula óssea. Desde 2008 não há registros de doações de fígado e as de coração cessaram em 2010. Segundo dados divulgados pela Central de Transplantes durante a Jornada deste fim de semana, o Estado já realizou, só em 2012, 155 cirurgias de transplantes de córnea; 38 de rim; e 24 de medula óssea.
Reprodução: Jornal de Hoje