UTI do hospital está sem refrigeração
Geral
16.11.2012
Os pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Catarina, na zona Norte de Natal, enfrentam problemas no sistema de refrigeração. Com aparelhos de ar-condicionado quebrados, há cerca de uma semana, ventiladores levados por familiares improvisam certo conforto aos doentes do setor, como flagrado pela TRIBUNA DO NORTE, na tarde de ontem. A falta de manutenção no sistema de refrigeração se agravou com o atraso no repasse financeiro da Sesap para a empresa terceirizada responsável pelo serviço. O problema atinge também o Centro de Obstetrícia da unidade.
O Hospital Santa Catarina é a segunda maior unidade de urgência e emergência do Estado e poderia dar suporte ao problema de superlotação do Hospital Walfredo Gurgel "se não fossem problemas de estrutura e administrativos", observa o médico Sebastião Paulino.
Na tarde de ontem, quando a reportagem esteve no local, três dos seis leitos da UTI estavam ocupados. A preocupação do plantonista, o médico intensivista Sebastião Paulino, é de, às vésperas de um feriadão, a situação "impeça o recebimento de novos pacientes" em estado grave. "Além do desconforto para os pacientes e equipe de profissionais, as condições inadequadas podem aumentar o risco de infecções", alertou o médico.
A dona de casa Nicênia de Lima Laurentino que está com a mãe Dalva Lima Laurentino, de 64 anos, internada na UTI, há cerca de um mês, conta que os problemas com o ar condicionado são recorrentes. "Trouxemos de casa um ventilador semana passada, além de um colchão e travesseiro hospitalar e até medicamentos precisamos comprar", afirma.
A família de Dalva Laurentino, que mora no conjunto Pajuçara, conta que arcou por duas vezes com as despesas para remoção da paciente do Santa Catarina para o Hospital Giselda Trigueiro para realização de exames. "Cada viagem saiu por R$ 600,00, o aluguel em ambulância com UTI, porque as daqui estão quebradas", afirma.
Nas três salas de parto do Centro de Obstetrícia (CO), a situação se repete. "Há cerca de um mês, trabalhamos com ventiladores. O ar condicionado aqui, também está quebrado", disse a pediatra Giana da Escóssia Melo. Equipamentos novos foram adquiridos e, em uma das salas de parto, a instalação foi iniciada e interrompida. Até às 16h, o CO abrigava cerca de 30 pacientes, além de equipe médica.
Segundo funcionários que preferiram preservar a identidade, a direção da unidade estaria corrigindo um erro na entrega dos novos equipamentos, adquiridos por meio de licitação pública, que não corresponderiam aos modelos exigidos.
O secretário estadual de saúde Isaú Gerino ressaltou que o erro ocorreu no processo de licitação para a entrega de equipamentos do Pronto Socorro e já foi resolvido. "Estou acompanhando pessoalmente", disse. A abertura do pronto-socorro, prevista para o próximo da 28, dará uma maior resposta ao atendimento de média e alta complexidade.
Terceirizados param e médicos fazem protesto
Cerca de 1,3 mil trabalhadores terceirizados que prestam serviços nos hospitais regionais do Estado ameaçam cruzar os braços nesta quinta-feira, dia 15. A categoria formada por profissionais da limpeza, nutrição e maqueiros, das empresas JMT e SAF, estão com os salários atrasados.
De acordo com o presidente do Sipern Domingos Ferreira, o Estado não repassou às empresas os R$ 2 milhões necessários para a manutenção da folha. "O governo deu uma previsão de pagamento até sexta-feira. Iremos votar amanhã (hoje) se mantemos a greve", disse.
Além do salários atrasados, os funcionários não receberam o reajuste retroativo a janeiro (implantado em setembro) e há irregularidades no pagamento de vale-alimentação e concessão de folgas.
Uma mobilização está marcada para às 9h, em frente ao Hospital Walfredo Gurgel. É para lá também que os médicos do Estado, em greve há seis meses, convergem em passeata saindo da Associação Médica do RN, na Hermes da Fonseca. "É um protesto contra a inércia do governo perante seis meses de greve dos médicos e quatro meses do decreto de calamidade sem efeito", criticou.
De Brasília, o presidente do Sinmed Geraldo Ferreira afirmou à TRIBUNA DO NORTE que o ministro da saúde, Alexandre Padilha, poderia entrar na causa. O entendimento seria em relação aos recursos previstos ao Programa SOS Emergência – aposta do governo para viabilizar a reestruturação do Walfredo Gurgel – que teria para ser liberado estar atrelado ao plano de carreira dos profissionais.
O secretário Isaú Gerino descartou a greve dos terceirizados. "O repasse está previsto para hoje. O coordenador financeiro está na Seplan tratando disso nesse momento", garantiu.
Em relação ao pleito dos médicos, o secretário frisa não haver uma proposta concreta.Uma das alternativa seria o modelo de proposta adotado no Piauí, que se baseia na carga horária dos médicos, com a maioria de 20 horas semanas – no RN a maior parte é de 40horas. "Estamos estudando, dentro das bases legais e com responsabilidade. porque demanda recursos, o que é escasso. Não adianta chegar a uma negociação e não cumprir", disse.
Providências
Por telefone, o diretor médico do Hospital, Leonardo Motta, assegurou que o atraso no repasse da terceirizada já foi regularizado e o serviço retomado. "Dos três aparelhos da UTI, dois já voltaram a funcionar. E adquirimos 36 que serão paulatinamente instalados no novo setor até o final do mês", afirma o diretor médico. Destes, seis aparelhos serão para o Centro de Obstetrícia. A previsão, segundo Motta, que a situação nos demais setores esteja resolvida também nesse prazo.
O médico considerou "precipitada" a locação de ambulâncias por familiares. As duas unidades de UTI Móvel estão em manutenção e nesse período, ressaltou o médico, o atendimento está sendo feito com ambulâncias do Samu e do Hospital Maria Alice Fernandes. "A família não comunicou esta necessidade à direção, que poderia ser sanada sem a locação", garantiu.
Fonte: Tribuna do Norte