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COLÍRIOS ESTÃO EM FALTA NA REDE MUNICIPAL DE SAÚDE

Geral

17.09.2010

TRIBUNA DO NORTE | NATAL

Publicado no dia 17/09/10

Há mais de seis meses os portadores de glaucoma não recebem os colírios utilizados para o controle da pressão interna ocular. A entrega do medicamento é feita para as pessoas cadastradas previamente pela Secretaria Municipal de Saúde através de atestado médico. Apesar de distribuído pela rede municipal de saúde, a verba para compra dos produtos vem do governo federal. O glaucoma atinge 2% da população mundial, sendo mais comum em adultos e idosos.

Os colírios mais caros utilizados no tratamento da doença custam em média R$ 90 nas farmácias. A maioria das famílias que procuram o serviço público não tem condições de efetuar a compra da medicação e estão aflitas com a falta do produto. “O desuso do colírio pode levar à cegueira”, afirma o oftalmologista Dr. Carlos Alexandre.

  O glaucoma consiste no aumento da pressão do olho e destrói gradativamente o nervo ótico com a perda do campo de visão. Os casos mais comuns são entre os adultos e idosos, porém também ocorrem em crianças, é o caso de Pedro Gomes, 6 anos. O caso de Pedro é chamado de glaucoma congênito, pois ele nasceu com a doença. O garoto passou por cinco cirurgias em Natal e uma em São Paulo devido à gravidade do seu diagnóstico. Os colírios são de suma importância para o tratamento de Pedro e devem ser usados diariamente.

 “Meu filho precisa usar o colírio todos os dias. O que seria de nós se não comprássemos o medicamento na farmácia? Gastamos em média R$ 250 por mês com o tratamento”, desabafa o corretor de imóveis Werley Andrey, pai da criança. Ele diz que quase todos os dias procura o Centro Clínico Zeca Passos, na Ribeira, onde o medicamento é distribuído e sempre dizem que em 15 dias tudo estará regularizado. Isso ocorre desde o mês de março.

 A falta de medicamentos na saúde municipal não é um caso novo e não se restringe a medicamentos de alto custo. Questionado sobre a recorrência da falta do colírio na rede municipal, Dr. Carlos comenta que é comum. “Sempre faltam colírios nos postos de saúde que fazem a entrega para população. É um problema sério, crítico”.

Uma outra vítima do descaso da saúde municipal é o bancário Airton de Medeiros Brito. “Não aguento mais ouvir que o caso está sendo solucionado e que no dia 20 os colírios serão entregues. Todo mês é isso e nada de resolverem. Eles vão esperar quantas pessoas cegarem, quantos idosos?”. O bancário já ameaçou denunciar a Secretaria Municipal de Saúde ao Ministério Público e diz que fará se mais uma vez o problema persistir.

 “Sabemos que a verba para a compra dessa medicação é federal e vem regularmente. Onde a prefeitura coloca esse dinheiro?”, questiona Airton. O único colírio que está disponível no Centro Clínico Zeca Passos é o betaxolon, um dos mais baratos do tratamento.

  O secretário municipal de Saúde, Thiago Trindade, informa que todo o problema de falta de medicamentos será resolvido com a implantação do Programa Farmácia da Gente a ser lançado em outubro. A Prefeitura comprará medicamentos da rede comercial com o objetivo de sanar as necessidades de todas as unidades de saúde.

 Em relação ao problema da falta dos colírios na rede municipal que afeta crianças, adultos e idosos, ele diz que o processo de compras está concluído. “O processo de aquisição desses itens está pronto e ainda essa semana começaremos a distribuir os colírios.”

Fonte: TRIBUNA DO NORTE | NATAL