Santa Casa reduz taxa de ocupação e habilita leitos
Geral
13.12.2012
A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que atende diariamente mais de mil pessoas, ao adotar a estratégia do S.O.S Emergências conseguiu reduzir a taxa de ocupação, requalificar o atendimento do pronto-socorro e qualificar 190 leitos de retaguarda, sendo 49 destes de terapia intensiva. A taxa de ocupação da emergência na Santa Casa teve redução de 63%, saindo de 154% (em março deste ano) para 103% em novembro. Hoje, a unidade conta com 62 leitos destinados à emergência.
Entre as principais ações que estão sendo implantadas, está o processo de classificação de risco. Hoje, ao dar entrada no pronto-socorro, o paciente passa por esta classificação, que tem objetivo de identificar a gravidade do caso. Com isso, o seu tempo de permanência é monitorado até que seja encaminhado para um leito ou receba alta médica.
“O S.O.S Emergências tem a missão de melhorar o atendimento do usuário do Sistema Único de Saúde e reduzir a espera e a ocupação de macas nos corredores dos hospitais. E estamos conseguindo nosso objetivo, gradativamente”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A ferramenta de gestão clínica utilizada e aplicada por uma equipe de multiprofissional, logo após o preenchimento da ficha é o Kan Ban. Por meio de cores, placas e painéis permite que os profissionais de saúde identifiquem rapidamente a gravidade do caso, o tempo esperado para tratamento de determinada patologia e acompanhe o fluxo de atendimento de modo a identificar, especialmente os casos de permanência acima do normal e também os que podem ser direcionados para unidades de menor complexidade ou para leitos de retaguarda.
O Ministério da Saúde mantém monitoramento diário e continuo dos indicadores, resultados e ações do SOS Emergências por intermédio de sistema informatizado e da atuação dos apoiadores dentro dos hospitais. E disponibilizou sistema de vídeo monitoramento para acompanhamento do fluxo de pacientes na entrada da emergência do hospital.
MONITORAMENTO- Segundo Antônio Carlos Forte, superintendente da Santa Casa, o controle dos leitos e a avaliação de risco já eram realizados, mas, agora esta ação é feita de forma integrada e realmente eficiente. “Não tínhamos o controle efetivo desses processos. Hoje, depois do S.O.S Emergências, a gente tem de forma integrada e online, a situação de cada paciente. Aquele risco que tínhamos de ter um paciente infartado, no meio de muitos outros, sem complexidade é quase nulo. Antes, o paciente grave ficava muitas horas na fila para ser atendido. Hoje isso não acontece mais”, completa.
Os diretores da Santa Casa podem acompanhar em tempo real – por meio de um painel eletrônico – a permanência dos pacientes e também dos leitos destinados ao pronto-socorro. “Os profissionais do pronto-socorro passam a informação para a equipe do Núcleo Interno de Regulação (NIR), responsável por alimentar o sistema e, com isso a gente sabe o que realmente tem e o que precisa ser resolvido. Temos um indicador real da emergência”, afirmou Maria Lúcia Bastos Passarelli, diretora Técnica do Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e responsável pelo painel.
PRONTO ATENDIMENTO – O grande volume de atendimento ainda é um desafio. Por isso, está sendo planejada a construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) – em terreno a ser cedido pelo hospital – que desafogará o pronto-socorro, além da abertura de 60 novos leitos de retaguarda, por meio do início das operações do Hospital Belém, em uma ação conjunta entre Santa Casa, o Hospital Santa Marcelina e as Secretaria Municipal e Estadual de Saúde, além do governo federal. A previsão é da UPA ser construída em 2013. Também há previsão de qualificação e expansão das equipes do Melhor em Casa, programa que faz interface com o S.O.S Emergências por realizar assistência domiciliar, diminuindo o tempo de internação do paciente no hospital.
RECURSOS – Referência para a cidade de São Paulo e para o país, o hospital recebe do Ministério da Saúde, por meio da estratégia do S.O.S Emergências, um recurso mensal de R$ 300 mil, correspondente a R$ 3,6 milhões/ano para garantir o atendimento qualificado à população. O hospital já recebeu o recurso total (R$ 3,6 milhões).
O hospital recebe essas verbas e pode acessar recursos extras para aquisição de equipamentos, reforma e qualificação de leitos.
O Ministério da Saúde já empenhou R$ 1 milhão para aquisição de equipamentos e outros R$ 2 milhões para reforma de enfermaria de adultos.
Como medida para ampliar e qualificar o atendimento, o Ministério da Saúde investirá R$ 8,7 milhões para qualificar 141 leitos de enfermaria e R$ 5,1 milhões/ano para 49 leitos de cuidado intensivo.
AÇÃO – O S.O.S Emergências é uma ação estratégica do Ministério da Saúde, em conjunto com os gestores locais (estaduais e municipais), lançada em 2011 para qualificar o atendimento nas principais emergências do país. Além da Santa Casa, mais 11 hospitais de grande porte integram a estratégia nas seguintes localidades: Goiânia (GO), Recife (PE), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Brasília (DF), São Paulo (SP), Belo Horizonte (BH), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e Ananindeua (PA).
Todos os hospitais selecionados são referências regionais, possuem pronto-socorro e realizam grande número de internações e atendimentos ambulatoriais. A meta é que – até 2014 – a estratégia atinja os 40 maiores prontos-socorros brasileiros, em 26 estados e no Distrito Federal.
Fonte: Portal da Saúde