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Unidade Mista de Cidade Satélite sofre com falta de médicos e problemas de infraestrutura

Geral

20.12.2012

A situação na Unidade Mista de Cidade Satélite é crítica. Os problemas vão desde a suspensão de atendimento por falta de médicos a problemas estruturais. Na manhã desta quarta-feira (19), o atendimento médico foi suspenso, das 7h às 19h, porque a única médica que estava escalada para o plantão adoeceu. A partir das 19h, dois médicos entrarão para cumprir o plantão, retomando o atendimento à população. No entanto, a partir das 7h da próxima sexta-feira (21), o atendimento será suspenso até o dia 31 de dezembro, pois os médicos do quadro do Município já cumpriram a carga horária e a escala deveria ser completada com os profissionais da Cooperativa dos Médicos (Coopmed-RN). Sendo que, em virtude dos constantes atrasos no repasse do pagamento por parte da Prefeitura de Natal, muitos médicos pediram descredenciamento da Cooperativa, o que tem dificultado a complementação das escalas. De acordo com o administrador da Unidade Mista de Cidade Satélite, Arlindo Rodrigues de Almeida, que há oito anos está à frente da unidade, o Pronto Socorro conta com 13 médicos do quadro do Município, sendo que apenas três com carga horária de 40 horas. Este mês, conta o administrador, a escala foi feita com apenas dez médicos, pois dois estão afastados por licença médica e um está de férias. Por plantão, são necessários dois médicos. “Até agora a Cooperativa não mandou médico e só temos escala até às 7h do dia 21. Após isso, se não mandarem nenhum médico, o atendimento será suspenso até o próximo mês, quando será iniciada a nova escala”, afirmou o administrador. No quadro de funcionários de plantão apenas os nomes dos profissionais como enfermeiro, nutricionista, bioquímico e assistente social. O espaço dos médicos estava vazio. A demanda grande, já que o Pronto Socorro é responsável pela demanda das zonas Sul e Oeste, fez vários usuários buscarem outra opção de atendimento. Os funcionários da recepção estavam orientando os pacientes a buscarem atendimento no Hospital dos Pescadores, nas Rocas, zona Leste de Natal, ou no Hospital Regional Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim. Julimar Nogueira, diretor da Cooperativa dos Médicos do Rio Grande do Norte, explicou que a Coopmed está com dificuldade de preencher a escala de médicos na Unidade Mista de Cidade Satélite, assim como no Pronto Socorro Infantil Sandra Celeste. Julimar disse que as escalas foram feitas durante o processo de negociação entre a Cooperativa dos Médicos e a Prefeitura de Natal para renovação do contrato e, diante da indefinição, grande parte dos médicos pediram descredenciamento da Cooperativa. “E não temos como fazer a escala por falta de médicos, pois a maioria assumiu compromisso com outras unidades. Temos poucos pediatras no Rio Grande do Norte e a dificuldade será maior. O mais provável é que só consigamos resolver esse problema no próximo ano. A situação da Unidade de Cidade Satélite é a mesma. Muitos clínicos que trabalhavam na unidade se desligaram e estamos com esta dificuldade, mas estamos na luta para cooperar novos médicos com o intuito de resolver esse problema”, afirmou o diretor da Coopmed, Julimar Nogueira. Arlindo conta que apesar dos problemas, o abastecimento está regular e não têm faltado medicamentos com frequência. No entanto, além da falta de médicos, os problemas na estrutura do prédio são visíveis. Logo na recepção, assim como ao longo dos corredores do Pronto Socorro, as paredes da unidade estão mofadas. Apesar da ‘maquiagem’ feita com pintura, o problema vem à tona constantemente. Na sala de medicamentos mais mofo na parede trazendo risco à saúde dos usuários e profissionais que trabalham diariamente na sala. O local onde funcionaria o necrotério da unidade mais parece um depósito, servindo para acondicionar alguns colchões e televisões. Além disso, o local não tem refrigeração. Na recepção, as portas dos banheiros, tanto masculino, quanto feminino, estão deterioradas. Além disso, os puxadores das portas já não existem mais há meses. Os próprios funcionários improvisaram com pedaço de fios uma ‘fechadura’ para as portas. No banheiro masculino, a situação é mais complicada, pois há meses houve um problema na instalação elétrica e o banheiro está sem energia. “Atendemos com a estrutura que temos e com a boa vontade dos funcionários. Tendo material e recursos humanos não deixamos a desejar. Apesar das dificuldades, o atendimento é bom. Se tivéssemos um quadro de funcionários maior, prestaríamos um melhor serviço, pois quando chega um paciente de emergência, os profissionais de enfermagem deixam o que estão fazendo para poder atender a urgência”, afirmou um servidor que não quis se identificar. Prefeitura já gastou mais de R$ 800 mil com aluguel Hoje, o ambulatório da Unidade Mista de Saúde de Cidade Satélite funciona em um prédio alugado pela Secretaria Municipal de Saúde. A estrutura é boa, pois é a mesma onde funcionava uma clínica particular. Há mais de três anos que a Prefeitura de Natal transferiu a unidade para o prédio alugado com a promessa de reforma na estrutura antiga, mas nada foi feito. Durante esse período, a Prefeitura chegou a gastar mais de R$ 800 mil em aluguel, já que o valor mensal é de aproximadamente R$ 20 mil. Enquanto isso, a estrutura antiga segue abandonada e nenhum centavo foi investido. Arlindo Rodrigues disse que a última vez que conversou com o proprietário, há dois meses, foi informado de que não estava tendo problemas com atraso no pagamento do aluguel do prédio. O administrador conta que o ambulatório atende uma média de 200 pessoas por dia, incluindo as consultas médicas, vacinas e curativos. Ele conta que a demanda de outros bairros recai sobre a unidade de Cidade Satélite. Diferente de outras unidades, no mês de novembro o ambulatório da unidade teve excesso de médicos. “A demanda estava pequena diante da oferta de profissionais. Há seis anos que não tínhamos pediatra, mês passado tivemos, mas a população desconhecia. O médico vinha para atender cerca de 30 crianças, mas só realizava dois atendimentos por dia. com isso, o pediatra e mais dois ginecologistas foram transferidos”, disse. O ambulatório atualmente conta com três clínicos gerais e um ginecologista. Todos do quadro do Município. O administrador conta que informou diversas vezes à Secretaria Municipal de Saúde, através de ofícios, da necessidade de reforma do prédio antigo, mas que até o momento não há nenhuma perspectiva de início da reforma. Arlindo conta que até o Ministério Público já visitou a unidade e cobrou do Município a reforma do prédio. Mas nenhuma providência foi tomada. Transitar pelo antigo prédio do ambulatóri
o da Unidade Mista de Cidade Satélite é um risco iminente à vida. O teto ameaça desabar a qualquer instante. As paredes mofadas já fazem parte da estrutura do prédio. Equipamentos deteriorados e macas velhas enferrujadas estão amontoados pelos corredores. As portas estão completamente destruídas. Na sala onde um dia funcionou a farmácia a situação é ainda mais crítica, pois parte do teto já desabou e a sala é cheia de entulhos. O risco de insegurança é grande, pois com o teto aberto é um ambiente propício para qualquer pessoa adentrar na unidade. Os funcionários improvisaram com um armário velho de ferro uma barreira para impedir o acesso à sala de farmácia. Reprodução: Jornal de Hoje