Quase 30 pacientes aguardam por leito de UTI no Hospital Walfredo Gurgel
Geral
27.12.2012
Apesar das medidas adotadas pelo Governo do Estado em relação ao Plano de Urgência e Emergência da Saúde Pública para tentar desafogar os corredores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a situação na unidade hospitalar, que é referência no atendimento de urgência e emergência segue caótica. Além dos inúmeros pacientes de ortopedia e clínica médica que sofrem nos corredores aguardando algum tipo de procedimento, na manhã desta quarta-feira (26), 29 pacientes, que necessitam de ventilação mecânica, aguardam por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). As quatro UTIs do Hospital estão lotadas. A lotação do maior hospital do Estado é ocasionada, principalmente, pela suspensão do atendimento médico de urgência no Hospital Regional Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim.
Para agravar ainda mais a situação, na manhã de hoje, a Justiça determinou que a direção do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel providenciasse imediatamente um leito de UTI para um paciente. A intimação, recebida pela direção do hospital nesta terça-feira (25), foi assinada pelo juiz da 6ª Vara da Família. A direção do Hospital não quis se pronunciar a respeito da determinação judicial, mas encaminhou o documento para a coordenação das quatro UTIs – Cardiológica, Geral, Pediátrica e Bernadete -, e assim que surgir uma vaga cumprirá a determinação judicial. Caso o Hospital descumpra a decisão, está sujeito a multa.
A diretora geral do Hospital Walfredo Gurgel, Fátima Pinheiro garantiu que todas as 31 vagas de UTI e as nove do CRO (Centro de Recuperação de Operados), também usadas pela terapia intensiva, estão ocupadas. “Estamos sem um ponto de oxigênio ou para respirador mecânico livre para receber novos pacientes”, disse Pereira.
O aposentado Severino Alves Camelo, de 72 anos e natural do município de Nova Cruz, é um dos pacientes que aguardam um leito de UTI. Ele teve um enfarte na última quinta-feira (20) e quando chegou ao Hospital teve um novo enfarte. Ele aguarda um leito de UTI para poder fazer um cateterismo. Diante da demora, a família procurou, na manhã de hoje, a Defensoria Pública do Estado para que o Governo providencie um leito de UTI para o aposentado.
“Se o Hospital não tem vaga de leito de UTI, que o Governo do Estado providencie e garanta a assistência. O médico que está acompanhando ele já disse que ou o transferimos daqui o mais rápido possível, ou ele vai a óbito. Ele tem sentido forte dores no coração e eu quem tenho que sair correndo atrás de enfermeiras para poder medicá-lo, mas nem sempre tem medicamentos. É um descaso muito grande. A negligência com a população é imensa”, desabafou Elaine Cristina, nora de Severino Alves.
Além dos 29 pacientes que aguardam um leito de UTI, sendo que 15 estão nos corredores, 42 pacientes aguardam, em macas espalhadas pelos corredores, por um procedimento ortopédico, enquanto que 21 pacientes de clínica médica também aguardam transferência. Os corredores estão lotados, e na manhã de hoje, tinha paciente em uma maca bem próxima do elevador do hospital.
A diretora do Hospital, Fátima Pinheiro explica que o retorno do excesso de macas espalhadas pelos corredores do Walfredo Gurgel se deve a paralisação no Hospital Deoclécio Marques de Lucena e também à deficiência das unidades de saúde do interior do Estado, que não funcionam e praticam a ambulancoterapia, encaminhando todos os pacientes para o Walfredo Gurgel. “Não temos vagas, não podemos recusar de atender, e para piorar a situação não temos para onde encaminhar”.
A aposentada Maria Soares, de 68 anos e do município de Passa e Fica, sofreu uma queda no último domingo (23) e, desde então, aguarda em cima de uma maca no corredor do Walfredo Gurgel a transferência para o Hospital Memorial ou o Médico Cirúrgico para realizar uma cirurgia. O vigilante Eduardo da Silva, de 29 anos, caiu de um coqueiro também no domingo e quebrou o calcanhar. Ele, que também está no corredor, reclama de fortes dores e das condições precárias do Hospital. “Não tem remédio, sofremos com as dores e ninguém faz nada. A situação aqui é angustiante. Não nos dizem nada e única perspectiva que tenho é de sair, por conta própria, e ir pra casa”, reclama o vigilante.
Médicos rejeitam proposta
Em greve há mais de oito meses, os médicos do Estado rejeitaram a última proposta apresentada pelo Governo do Estado e a paralisação permanece. A última proposta do Governo limitou-se a oferecer um reajuste de 12% aos médicos, escalonado em duas parcelas. “Parece que o governo esqueceu que estamos lutando pela dignidade dos pacientes, condições de trabalho, mais leitos de UTI, carreira médica e pelo Piso Fenam”, expôs Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed.
A última proposta enviada pela categoria médica reivindicava ao governo condições mínimas de trabalho, reajuste de 13,5 % do salário base, a partir de janeiro de 2013, concessão em janeiro da incorporação da GDAC ao salário dos médicos aposentados, do ambulatório e cedidos e a formação de comissão paritária Sesap/Sinmed para definir até março de 2013 a criação da carreira médica, piso da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), controle de freqüência e concurso público.
Frustrados, os médicos programam para o dia 28 de dezembro uma manifestação pública “Pelo Rio Grande do Norte, Pela saúde, Fora Rosalba”. A classe médica pretende reunir diversas categorias para uma grande caminhada. A concentração do ato será às 8h30, no calçadão da rua João Pessoa, no bairro de Cidade Alta e depois segue em caminhada até o Hospital Ruy Pereira. Os médicos consideram esta manifestação como o ato #ForaRosalba 2, recordando o ato realizado no dia 15 de novembro, pela situação de falência da saúde pública no Estado.
Reprodução: Jornal de Hoje