Maternidades de Natal funcionam de forma precária
Geral
27.12.2012
Data: 26 dezembro 2012 – Hora: 18:22 – Por: Portal JH
A situação do atendimento materno-infantil no Rio Grande do Norte, em especial em Natal, está complicada. Diante da inoperância das maternidades municipais, a Maternidade Escola Januário Cicco e o Hospital Santa Catarina sofrem com a superlotação, já que se tornam as únicas unidades a realizar parto em Natal. Nos últimos dias, a Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), que tem capacidade para atender 92 parturientes, estava com um excesso de 38 gestantes, que se acomodavam como podiam nos corredores da maternidade, pois sem leitos suficientes, o único local que resta para as pacientes são cadeiras e macas espalhadas pelos corredores. Na manhã desta quarta-feira (26), a situação estava mais tranqüila. Apenas dez pacientes estavam nos corredores, além da capacidade da maternidade.
Das três maternidades do município, Felipe Camarão, Quintas e Leide Morais, na zona Norte de Natal, apenas a de Felipe Camarão está realizando partos. Na maternidade das Quintas, as escalas médicas estão completas e ainda há pacientes internadas, mas os partos cesáreos não estão sendo realizados por problemas elétricos no centro cirúrgico. Na Maternidade Leide Morais e Hospital Municipal da Mulher, o atendimento está suspenso desde a semana passada por falta de profissionais, obstetras e pediatras, e por problemas de gestão.
A secretária Municipal de Saúde, Maria Joilca Bezerra, informou à diretora da Maternidade Januário Cicco, Maria da Guia de Medeiros, que vai enviar um comunicado ainda hoje para a maternidade das Quintas para que os médicos que são lotados nesta unidade sejam transferidos, até o dia 31 de dezembro, para a maternidade Leide Morais, a fim de possibilitar que os partos sejam retomados.
Enquanto isso, a maternidade de Felipe Camarão está com a escala de médicos completa até o dia 31, mas nos últimos dias não vinha realizando partos. Na manhã de hoje, apenas duas puérperas estavam internadas. Ainda restavam dez leitos do alojamento conjunto, além dos dois leitos do pré-parto, que também funcionam como leitos para acomodar as puérperas. De acordo com a enfermeira de plantão, Alessandra Kássia de Souza, há cerca de 15 dias, o atendimento está normalizado na unidade, com a realização de uma média de três a quatro partos, mas segundo ela, a população não tem procurado a unidade nos últimos dias.
Taciana Santos tem enfrentado uma verdadeira maratona para ter o filho. Grávida de nove meses e cinco dias, desde sábado ela vem sofrendo com dores fortes. No último sábado (22), ela procurou a Maternidade das Quintas e a encaminharam para a Maternidade Escola Januário Cicco. Chegando lá, ela esperou mais de seis horas para ser atendida e depois recomendaram que ela procurasse a unidade de Felipe Camarão. Hoje pela manhã, ela foi até lá com a esperança de ter o seu primeiro filho, mas também não foi desta vez que ela conseguiu realizar o parto. “É muito constrangedor e ficamos à espera da vontade deles. Nunca pensei que o mais difícil seria realizar o parto. Carregá-lo na barriga foi muito fácil, o difícil está sendo para sair. E o pior é que estamos num momento de dor e temos que ficar se deslocando para cima e para baixo”, desabafou Taciana Santos.
A diretora da Maternidade Escola Januário Cicco, Maria da Guia de Medeiros conta que a transferência dos médicos obstetras da Maternidade das Quintas para o Leide Morais para realizar partos cesáreos vai ajudar a desafogar a Januário Cicco. “Quando fazemos muita cesárea, a paciente demora mais tempo para sair e a rotatividade é menor”, disse.
Maria da Guia conta que como estratégia para diminuir a demanda, a Maternidade não está realizando as cirurgias eletivas, pois os profissionais estão de recesso. Com isso, as parturientes estão ocupando os leitos que antes eram ocupados por estas pacientes. A diretora conta que, caso a situação não seja normalizada, a Maternidade poderá realizar uma paralisação de advertência.
“Fizemos um documento e entregamos a reitora da UFRN, ao Ministério Público, ao Ministério da Saúde e as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde, mostrando que a situação vem se agravando desde 2007. O documento aponta os problemas e as possíveis soluções. Caso venhamos a parar, todos já estão cientes da situação. Se continuar desse jeito, poderemos chegar ao ponto de termos que fechar as portas”, afirmou a diretora.
A diretora disse que pretende se reunir, ainda essa semana, com o próximo secretário municipal de Saúde, Cipriano Maia, para discutir as estratégias que serão implantadas, na próxima administração, para dar uma melhor atenção a mulher, “principalmente na hora do parto que é sagrada, para que ela não fique pulando de cadeira em cadeira”. “Só não podemos deixar que as mulheres continuem realizando seus partos da forma que estão, que vai de encontro a tudo que já estudamos”. Além disso, segundo Maria da Guia de Medeiros, o Governo do Estado precisa dar uma resposta para essa situação.
“O Governo do Estado precisa colocar as maternidades dos hospitais regionais para funcionar, deixando para Natal apenas os partos de mulheres que são de Natal, sendo que os de baixa complexidade realizados pelas maternidades do Município e as de alta pela MEJC e pelo Hospital Santa Catarina. Pois do jeito que está, estamos ocupando uma equipe especializada em atendimento de alta complexidade para realizar parto normal, deixando de fazer o atendimento de alta complexidade. Quem precisa resolver essa situação não é a UFRN e, sim, o Estado e os Municípios. A SMS tem que ter outro olhar e o Estado tem que se apoderar da situação e resolver o problema”, destacou Maria da Guia de Medeiros.