SAÚDE EM NOVA CRISE
Geral
20.09.2010
DIÁRIO DO NORDESTE | OPINIÃO
Publicado no dia 20/09/2010
A capacidade de atendimento do IJF esgotou-se em menos de vinte anos da reinauguração, tendo sido concebido para ser um hospital de trauma, modelar, de grande porte, com excelente quadro funcional e os equipamentos de última geração. Mas destinava-se a atender aos casos de acidentes na Capital e, vendo-se obrigado a atender também à clientela desassistida das regiões interioranas, seu funcionamento, até então considerado como padrão de assistência médica, ficou precário.
Os problemas da principal unidade hospitalar de Fortaleza agravam-se, a cada dia, pela demanda crescente e pelos elevados custos financeiros do atendimento oferecido. Como resultado da doação de ambulâncias às Prefeituras para o transporte dos doentes para a Capital, o IJF registrou semana passada o recorde de 115 pacientes, em estado grave, aguardando atendimento. Do total, 77 procediam dos municípios interioranos e se encontravam redistribuídos por macas, nos corredores de acesso aos serviços especializados, à falta de leitos. Essa situação tem sido uma rotina ultimamente.
As consequências da crise se refletem nas finanças daquela autarquia municipal. As suas despesas mensais passaram de R$ 3,9 milhões para R$ 4,8 milhões. O caos gerado com a superlotação culminou com o pedido de exoneração do diretor clínico e do diretor da Emergência, impotentes diante da crise prevista há muito tempo.
Também a estrutura do próprio hospital se ressente do uso continuado de seus equipamentos. A média de atendimento mensal no IJF é de 7.400 pessoas. Na área de internação, a inviabilidade resulta da demanda mensal de 800 pacientes. Toda essa conjuntura de crise poderia ter sido evitada com a conclusão da compra de um hospital particular, montado com 240 leitos, mas não inaugurado, para receber a clientela adicional. O Ministério da Saúde teria garantido 50% do investimento; o Estado, 25%; os 25% restantes seriam compartilhados entre os municípios.
As negociações estariam empacadas em decorrência de restrições, de âmbito municipal, relacionadas com o fornecimento do alvará de funcionamento. A localização física do hospital, pronto para operar, estaria procrastinando o funcionamento.
Há igualmente outras soluções, como a implantação, em Fortaleza, de quatro das 32 Unidades de Pronto Atendimento (UPA´s). Essas unidades irão se voltar para os casos de emergência de média complexidade, aliviando, em parte, as emergências em funcionamento. Em ano eleitoral, com rotatividade nas equipes governamentais, dificilmente elas chegarão a tempo de atenuar a crise. De todo modo, o problema revela a necessidade de se repensar o modelo de saúde pública.
Fonte: DIÁRIO DO NORDESTE | OPINIÃO