CLIMA FRIO É PROPÍCIO A DOENÇA
Geral
21.09.2010
DIÁRIO DE NATAL| SAÚDE
Por: Márcia Neri
Publicado no dia 21/09/10
A esclerose múltipla é mais frequente em países mais frios. Estudos revelam que, nos Estados Unidos, pelo menos 400 mil pessoas sofrem com o mal. "Há uma interação da doença com o meio ambiente, que ainda não sabemos explicar muito bem. Ao que parece, a chance de desenvolvê-la é maior em localidades nas quais os dias são mais curtos e a exposição solar é menor", revela. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a progressão da doença, porque o tratamento evita os surtos. É justamente a maior frequência deles que promove o agravamento da EM. De acordo com o neurologista Rodrigo Barbosa Thomaz, do Centro de Atendimento e Tratamento da Esclerose Múltipla da Santa Casa de São Paulo, infelizmente os paciente peregrinam por muitos especialistas antes de terem o diagnóstico confirmado. "Alguns médicos prescrevem drogas contra labirintite. Outros indicam terapias contra o estresse para pacientes que sentem formigamento. Infelizmente, essa é a história da maioria dos doentes", pondera.
As medicações minimizam ossurtos, mas não os eliminam. Em cerca de 85% dos casos, a evolução é lenta quando o paciente é medicado, mas os 15% restantes evoluem para a cadeira de rodas em um ano. O tratamento é feito por meio de injeções periódicas e baseado em imunomoduladores, proteínas que regulam a entrada de leucócitos no sistema nervoso central, bloqueando as inflamações, e corticoides. "A estratégia de combate depende do caso. É extremamente importante que o tratamento medicamentoso seja feito paralelamente a terapias complementares. Uma equipe multidisciplinar, composta por fisioterapeuta, nutricionista, neuropsicólogos, enfermeiros, fonoaudiólogos e o que for necessário para garantir a qualidade de vida do paciente, é fundamental", considera Thomaz.
A professora Rita de Cássia Sussuarana, 41 anos, teve praticamente todos os sintomas ao longo dos últimos 10 anos. Eram manifestações que iam e vinham. No ano passado, ela passou a cair com frequência, sem motivo aparente. O diagnóstico foi feito graças a um ortopedista que tratouum problema do joelho e investigou o motivo da demora na resposta ao tratamento proposto. "Não sei o que seria de mim sem minha filha e meus pais. Mesmo medicada, ainda tenho surtos. Às vezes, segurar um copo é uma tarefa difícil", relata.
Rita de Cássia também tem encontrado alento na acupuntura."Tenho sorte, muitos pacientes não têm os mesmos recursos. Precisamos ter a certeza de que não estamos sozinhos", explica a professora. Especialistas estão otimistas em relação aos avanços das drogas. A expectativa é que, ainda no decorrer deste mês, seja aprovado nos Estados Unidos um medicamento oral contra a EM. "Aos poucos, as drogas são melhoradas e provocam menos efeitos colaterais. Hoje, os pacientes ainda sentem muito cansaço e calafrios depois das injeções. É como se estivessem gripados", pondera.
Saiba mais
A esclerose múltipla é uma doença que atinge o sistema nervoso central, de caráter inflamatório e neurodegenerativo, promovendo a incapacidade neurológica progressiva na maioria dos indivíduos afetados.
Fatores envolvidos
A esclerose múltipla está relacionada à destruição da bainha de mielina, membrana que envolve e isola as fibras nervosas responsáveis pela condução dos impulsos elétricos no cérebro e medula espinhal. A doença surge de uma alteração no sistema imunológico, onde as células de defesa não reconhecem a bainha de mielina
Causas
O fator que desencadeia essa alteração ainda é desconhecido, mas sabe-se que o paciente nasce com uma predisposição genética e que alguns fatores ambientais, como exposição solar, tabagismo e determinados vírus, funcionam como "gatilhos" da doença
Primeiros sinais
– Das manifestações clínicas iniciais, 46% são sinais e sintomas medulares – fraqueza das pernas, dormências, disfunção sexual e incontinência urinária
– Em cerca de 21% dos pacientes a doença se manifesta primeiramente com quadro de neurite óptica e 10% com síndromes de tronco cerebral (visão dupla, desequilíbrio, tonturas e falta de coordenação motora)
– 23% apresentam uma combinação dos sintomas
Sintomas
As manifestações mais comuns são:
– Fadiga
– Tremor
– Dormência
– Formigamentos
– Vertigens
– Dor na mastigação
– Paralisia facial
– Falta de coordenação motora
– Neurite óptica (inflamação do nervo óptico), que provoca diminuição do campo visual
– Incontinência ou retenção fecal ou urinária
– Perda progressiva da capacidade de andar
Dados
– Doença mais comum do sistema nervoso central, afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas no mundo
– É a causa mais frequente de incapacidade neurológica adquirida em adultos jovens
– Estudos demonstram que 20 a 25 anos após o diagnóstico, quase 90% dos pacientes com EM terão incapacidade grave, precisando de algum apoio para andar
– Em 85% dos pacientes, o quadro clínico se inicia sob a forma de um surto