Sesap garante atendimento infantil no Hospital Walfredo Gurgel, mas sindicatos realizam protesto
Geral
24.04.2013
Muito barulho, por quase nada. Na manhã desta terça-feira (23), entidades sindicais ligadas à saúde realizaram um ato público em frente ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG) contra o fechamento dos serviços de pediatria e a falta de profissionais para fechar a escala médica, como vinha acontecendo nos últimos meses. No entanto, o problema foi resolvido nesta segunda-feira (22), pois a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) conseguiu remanejar pediatras e garantir a escala médica no maior hospital de urgência e emergência do Estado, com dois pediatras, até o fim do mês. Na manhã de hoje, os dois pediatras estavam de plantão, mas não havia nenhuma criança internada. Os quatro leitos de enfermaria e o de reanimação estavam vazios.
Para solucionar o problema da escala, tanto do Hospital Walfredo Gurgel, quanto do Hospital Doutor José Pedro Bezerra (Hospital Santa Catarina), a Secretaria autorizou os pediatras a realizarem plantão eventual, contratou profissionais da Cooperativa dos Médicos, remanejou profissionais da UTI Pediátrica para darem plantão no Pronto Socorro e trouxe dois profissionais que trabalhavam na Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (Apami), em São José de Mipibu para compor a escala do mês de abril. Ao todo serão quatro pediatras que irão compor o quadro do Walfredo Gurgel, sendo dois agora em abril e dois a partir de maio. No Hospital Santa Catarina foram remanejados cinco pediatras.
A pediatra Sônia Godeiro que trabalha no Pronto Socorro Clóvis Sarinho disse que o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Fonseca, fez o que deveria ter feito no mês passado, quando o Pronto Socorro ficou fechado por cinco dias. Este mês, a escala só estava garantida até o dia 22, ou seja, seriam nove dias de suspensão de atividade. “Durante este mês, tivemos várias reuniões com o secretário. Ele pediu um crédito e que pudéssemos ficar esses dias com apenas um pediatra, mas não concordamos, porque os dois pediatras de plantão são responsáveis por atender quatro setores. Hoje, ele (o secretário) resolveu o problema e já vai dar para fechar a escala médica”, destacou. O pediatra do Walfredo Gurgel além do Pronto Socorro, também trabalha no Setor de Tratamento de Queimados, na enfermaria pediátrica e no ambulatório para filhos de funcionários.
Sônia Godeiro comemorou o anúncio do secretário em realizar um concurso para contratação de pediatras. “Agora vamos cobrar o concurso para suprir a necessidade de forma definitiva, pois o ciclo de aposentadoria não vai parar. A decisão do Governo foi apenas uma solução imediata, pois cobriu um santo para descobrir outro”, destacou a pediatra que criticou o protesto realizado na manhã de hoje. “O protesto está um mês atrasado, pois o mês passado é que a situação estava crítica. Hoje, o problema está resolvido. Com saúde, temos que agir rapidamente”, destacou.
A pediatra Kátia Correia Lima esteve no protesto representando o Sindicato dos Médicos do RN e a Sociedade de Pediatria do RN. Ela disse que as entidades estão reunidas no sentido de tentar impedir o fechamento das unidades de pediatria no Estado. “A postura do Governo do Estado de fechar alguns serviços é prematura, pois ele está agindo com os municípios assim: toma o que é teu e vai cuidar. Mas o problema é que nos municípios não existe estrutura para atender a demanda. Acredito que o Governo do Estado deveria esperar os municípios se prepararem para atender a população, pois do jeito que está o grande prejudicado é a população”, destacou.
Em curto prazo, a representante do Sinmed acredita que a solução seria a contratação de profissionais da Cooperativa dos Médicos para dar suporte e a abertura, imediata, das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) nos municípios, com atendimento pediátrico e equipar as unidades de saúde dos municípios. “Sabemos que essas coisas não se resolvem do dia para a noite e percebemos que o secretário Luiz Roberto Fonseca tem muita vontade de solucionar o problema, mas ele precisa ter o apoio da governadora. Quando se trata de atendimento infantil não podemos agir de qualquer forma e a solução pede urgência”, afirmou a pediatra Kátia Correia.
A coordenadora do Sindicato dos Servidores Estaduais de Saúde (Sindsaúde/RN), Simone Dutra, disse que a campanha contra o fechamento das pediatrias segue. Segundo ela, a situação do Walfredo Gurgel ainda é instável, pois para a sindicalista, o Governo encontrou apenas uma solução paliativa. “A decisão faz com que o Governo fique refém do setor privado, sujeito às crises de suspensão de atendimento por falta de pagamento. A saúde tem que ser 100% estatal. Além disso, o Governo preferiu esticar a carga horária, com os plantões eventuais, sacrificando os profissionais. O Governo está espremendo o bagaço da laranja”, afirmou.
Simone Dutra disse que está elaborando um relatório com o diagnóstico da pediatria do Rio Grande do Norte, baseado nas visitas in loco nos principais hospitais do Estado. Em seguida, o Sindicato solicitará uma audiência com a governadora Rosalba Ciarlini. “Também vamos acionar o Ministério Público para que se pronuncie a respeito da situação da pediatria no Estado. É inaceitável que permaneçamos nessa situação, pois a vida no RN está sempre em risco. A criança nasce, porém os serviços que encontra não garante a sobrevivência”, destacou.
Fonte: O Jornal de Hoje