CAMPANHA INCENTIVA DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
Geral
29.09.2010
CORREIO DA TARDE | URGENTE
Por: Alex Costa
Publicado no dia 28/09/10
Uma campanha promovida pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de estimular o aumento das doações em todo o país será veiculada na internet, veículos impressos, emissoras de rádio e televisão a partir do dia 6 de outubro.
Para doar um órgão ou tecido, não é preciso assinar documento por escrito. A família deve estar ciente da vontade do doador, pois é ela que autoriza a doação em caso de morte cerebral. No entanto, a recusa de parentes em autorizar a doação é apontada pelo Ministério da Saúde como um dos principais obstáculos para o aumento do número de transplantes no país.
Segundo o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Alberto Beltrame, em 24% dos casos de morte cerebral, a família não autoriza a doação. Beltrame disse ainda que somente 50% das mortes cerebrais são notificadas. O ministério aumentou para R$ 600 o valor de remuneração pelos exames complementares para o diagnóstico da morte encefálica. "Queremos valorizar o profissional e garantir que o diagnóstico saia rápido", afirmou.
No Rio Grande do Norte, desde o dia 1º de agosto vêm sendo realizadas ações de conscientização em 10 escolas públicas localizadas em diferentes pontos da capital. De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes do RN, Francinete Guerra, a campanha foi um sucesso, tendo sido encerrada no último dia 24 de setembro, no Parque das Dunas, com peças teatrais sobre o tema e atividades culturais.
"Felizmente, a taxa de doação aumentou em 170% em todo o Brasil, e o RN está entre um dos estados em que este índice de doação é mais alto", garantiu a coordenadora. "Além da campanha, nós também fazemos um programa de sensibilização dos médicos para que os profissionais de saúde notifiquem os casos de mortes cerebrais à Central Estadual de Transplantes", completou.
O ministério anunciou recursos de R$ 76 milhões para incentivar o transplante de órgãos e tecidos no país. Do total, R$ 10 milhões serão para capacitar mais de dois mil profissionais de saúde para tratar a questão do transplante com as famílias.
Os valores pagos pelas cirurgias de transplantes de córnea e de coração foram também reajustados, com o objetivo de incentivar esse tipo de cirurgia no Sistema Único de Saúde (SUS). O governo prevê também a criação de 80 leitos na rede pública para o transplante de medula óssea, equivalente a R$ 16 milhões, e a implantação de bancos de tecidos (córnea, pele e osso) em dez estados, com investimento de R$ 20 milhões.
No ano passado, foram realizados 20.253 transplantes de órgãos sólidos (coração, fígado, rim, pâncreas e pulmão), córnea e medula óssea no Brasil. No primeiro semestre deste ano foram 2.367 transplantes, um aumento de 16,4% em comparação ao mesmo período do ano passado. Cerca de 60 mil pessoas aguardam na fila por um órgão.
Como doar?
Para ser um doador, o interessado deve informar a família de que, em caso de óbito, deseja que seus órgãos sejam doados. Todavia, mesmo em vida, um doador pode salvar outra vida. Pessoas interessadas em realizar doações de medula óssea são muito raras, e a chance de compatibilidade é muito baixa. De acordo com dados da Central de Transplantes do Rio Grande do Norte, uma a cada 100 mil pessoas possui medulas ósseas compatíveis. Os centros móveis Hemonorte e Hemovida são os responsáveis por essa coleta.