3201 5491

FALE COM A GENTE

ÁREA DO COOPERADO

MULHERES IGNORAM CÂNCER DE MAMA

Geral

30.09.2010

TRIBUNA DO NORTE | BRASIL

Publicado no dia 30/09/10

São Paulo (AE) – O câncer de mama não é uma preocupação para boa parte das mulheres brasileiras, já que 39% delas acreditam que são imunes à doença, de acordo com pesquisa do Instituto Avon, divulgada ontem, em São Paulo. Para 56% das entrevistadas, a razão para acreditar que não poderiam desenvolver a doença está no fato de não terem nenhum caso de câncer de mama na família. Elas também citam para a explicação dessa crença a alimentação adequada (23%) e o hábito de não fumar (22%).

No entanto, a realidade desmente essas suposições. Em 90% dos casos de câncer de mama não há componente hereditário ou familiar e 70% das mulheres não apresentam fatores de risco, segundo Rita Dardes, ginecologista e mastologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretora médica do Instituto Avon. “Basta ser mulher e envelhecer para estar no grupo de risco”, afirmou. O presidente da Avon Brasil, Luis Felipe Miranda, destacou que, com mais informação, a doença deixaria de ser a primeira causa de morte por câncer no País entre as mulheres.

O desconhecimento encontra respaldo em outro dado da pesquisa: apenas 23% das mulheres se consideram muito informadas sobre a doença. A “Pesquisa Instituto Avon/Ipsos – Percepções sobre o Câncer de Mama – mitos e verdades em relação à doença” ouviu do dia 30 de julho a 11 de agosto mil mulheres, a partir dos 16 anos, em 70 cidades do País.

Gisele Lozovoi Cifarelli, por exemplo, foi diagnosticada com câncer de mama no começo deste ano. Foi o primeiro caso na família dela. “Perdi o chão. A gente toma um susto. Ainda mais que foi logo após a minha separação. Eu ficava pensando como seria a vida da minha filha de 9 anos.”

Ela precisou fazer quimioterapia e teve removido o seio do lado direito. “Mas somos mais que uma mama, um cabelo. Nessas horas eu contei com o apoio de amigos e principalmente da minha sogra “ Gisele ficará em observação intensa e em tratamento regular até 2015. “Jamais vou desistir da minha vida. Vou morrer bem velhinha.”

Gisele é uma das personagens da mostra itinerante de 49 fotografias em preto e branco “De Peito Aberto”, que a Avon inaugurou ontem junto com a divulgação da pesquisa. O projeto é do fotógrafo Hugo Lenzi e de sua esposa, Vera Golik. A exposição, que ficará no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, até o próximo dia 8, percorre os sentimentos que sobressaem desde a descoberta do câncer de mama, passando pelo processo de tratamento, até a superação da doença.

Hugo afirmou que deu início ao projeto após, no ano 2000, o irmão, a irmã e, três meses depois, a mãe de Vera terem diagnóstico positivo para o câncer. Só o irmão dela morreu por causa da doença, um linfoma. O casal decidiu tirar fotos de mulheres com a doença com o objetivo de “humanizar” a pessoa com câncer, que muitas vezes é vista e se percebe como alguém que não é “igual aos outros”.

Um terço das mulheres não faz exames

O levantamento também mostrou que um terço das mulheres nunca realizou exame clínico. Novamente o dado encontra respaldo na realidade: 60% das vítimas morrem porque o câncer de mama é descoberto em um estágio avançado. De acordo com Rita, diagnosticar a doença logo no início eleva a chance de cura em 95%.

A médica também disse que o autoexame não deve ser uma estratégia isolada de detecção do câncer de mama. “O diagnóstico precoce só é identificado na mamografia, por isso é importante realizar o exame clínico.” Rita afirmou que a incidência da doença aumenta a partir dos 40 anos, com pico entre os 50 e os 60 anos.

O diretor-executivo do Instituto Avon, Lírio Cipriani, disse que eram três os objetivos do evento realizado ontem: lançar a pesquisa, a fim de direcionar novos rumos para campanhas de informação; abrir a exposição fotográfica e dar início a uma mobilização em outubro, mês de conscientização mundial sobre o câncer de mama.

Nilcéa Freire, ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, disse que o governo está atento aos dados da pesquisa. “O que estamos fazendo aqui é para mudar o cenário da desinformação”, afirmou. O evento contou com a participação das atrizes Giovanna Ewbank e Paola Oliveira. “Quando recebi o convite e tive acesso à pesquisa, fiquei assustada com o número de mulheres que não têm informação sobre a doença. A gente precisa de mais conscientização”, disse Giovanna.

Coração

A Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde publicou ontem, no Diário Oficial da União, as portarias que reajustam entre 4% e 227%, a partir de novembro, o valor de 105 procedimentos cardiovasculares que constam da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). O investimento de R$ 98,9 milhões será aplicado na reestruturação da tabela de procedimentos e também nos honorários profissionais e serviços hospitalares, incluindo os de alta complexidade e procedimentos cardiovasculares pediátricos.

Está previsto também um ‘’extra-teto’’ a ser repassado a estados e municípios para o pagamento de procedimentos que ultrapassarem o limite atual de cirurgias. As medidas fazem parte de um esforço orçamentário do Ministério da Saúde e foram discutidas com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV).

Fonte: TRIBUNA DO NORTE | BRASIL