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03 de julho de 2013: o dia em que o asfalto ficou branco

Geral

04.07.2013

É, parece que o elefante (branco?) acordou junto com o gigante. Na manhã desta quarta-feira (3), por volta das 10h, as ruas da capital potiguar, a exemplo de todo o país, receberam mais um protesto. Dessa vez foi a classe médica – através do Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern) e do Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed/RN) – que resolveu se manifestar, batendo forte nas medidas anunciadas pela presidente Dilma Rousseff, principalmente a importação de médicos estrangeiros, que têm o intuito de amenizar os efeitos da crise na saúde pública nacional.

A passeata reuniu aproximadamente 1 mil pessoas, entre médicos, residentes e estudantes, que caminharam da Associação Médica do Estado até o Hospital Walfredo Gurgel pela avenida Salgado Filho, ocupando duas faixas da via. Quando se aproximaram do shopping Midway Mall, os manifestantes fecharam totalmente a pista por aproximadamente 30 minutos, ocasionando grande congestionamento. Até a cratera aberta na avenida em decorrência das fortes chuvas dos últimos dias ganhou serventia: durante a caminhada foi feito o enterro simbólico do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, com direito até a caixão.

O nefrologista Rodrigo Furtado, referência nacional em transplantes, comemorava o sucesso da ação. “É maravilhoso ver que o protesto tem o apoio da população, até as pessoas que ficaram presas no trânsito estão parabenizando o movimento. Não podemos nos calar vendo tanto dinheiro sendo despejado em obras faraônicas para Copa do Mundo e Olimpíadas enquanto o brasileiro padece num corredor de hospital, jogado à própria sorte. É muito bonito ver os profissionais da saúde unidos em prol do cidadão, da saúde pública, ainda mais numa caminhada pacífica, bem organizada como essa”, enfatiza Furtado.

De um lado, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma que existe um déficit de quase 10 mil profissionais da área no Brasil, e que a única saída para minimizar este impacto perante a demanda existente seria atrair médicos de outros países. Além dessa questão, o Ministro alega que a realidade é ainda mais complicada devido à concentração de aproximadamente três quartos dos profissionais brasileiros no eixo Sudeste/Sul.

Os médicos, em contrapartida, rebatem as afirmações de Padilha, ressaltando que sobram especialistas, mas faltam condições de trabalho. O presidente do Sinmed/RN, Geraldo Ferreira, liderava o movimento contra as medidas presidenciais, entoando palavras de ordem. “Essas medidas do Governo Federal são, no mínimo, incoerentes. Não está faltando contingente profissional. Temos médicos mais do que suficientes, nas mais diversas áreas, para atender a demanda do País, inclusive em especialidades que o Ministério da Saúde diz existir déficit, como ortopedia, pediatria e neurocirurgia. O que causa preocupação é a estrutura, a ausência de incentivos e boas condições para que possamos desempenhar nossa função”, relata Ferreira.

Segundo as associações médicas participantes da caminhada, além de incoerente, o processo de importação de profissionais estrangeiros é ilegal, pois é necessário revalidar o diploma emitido em outro país, para que se possa exercer a Medicina em território brasileiro.

Para a cardiologista infantil Márcia Schumacher, a manifestação reflete o desgosto da classe médica em relação ao descaso das autoridades com a Saúde Pública. “Essa situação é inaceitável. Como pode o Ministro falar em importação de médicos, se temos tantos profissionais capacitados e disponíveis no Brasil?”, questiona. “Se o País está precisando de médico, os Estados deveriam realizar mais concursos públicos, além de chamar todos os aprovados nos certames já realizados e que estão aguardando convocação. Tem muita gente esperando, inclusive especialistas em áreas que sofrem com falta de pessoal”, denuncia Márcia Schumacher.

Fonte: Jornal de Hoje