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“Folha dos profissionais da Saúde está descoberta em R$ 67 milhões”, deixa escapar secretário

Geral

24.07.2013

O prefeito Carlos Eduardo Alves, do PDT, pode até ter comemorado, na semana passada, a positividade dos 200 dias da gestão dele, inclusive na saúde pública, com a reabertura de unidades de saúde. Contudo, ainda há muito a ser feito. E um exemplo disso foi dado nesta segunda-feira, quando o secretário municipal de Saúde, Cipriano Maia, afirmou que não tinha como reabrir o Posto de Saúde do Conjunto do Jiqui porque não havia recursos disponíveis para isso. Alias, nem mesmo para o pagamento de pessoal, a pasta tem dinheiro.
 
Segundo o vereador Júlio Protásio, do PSB, na audiência pública realizada na noite desta segunda-feira, no bairro de Neópolis, era essencial a reabertura da unidade médica para o atendimento da população. E foi diante desse pedido do líder do prefeito na Câmara Municipal de Natal que o secretário de Saúde escancarou a situação atual para justificar a negativa. “Precisamos economizar, pois os recursos estão críticos. Para se ter uma ideia, a folha de pagamento apenas dos profissionais da Saúde está descoberta em R$ 67 milhões neste ano”, justificou Cipriano Maia.
 
Isso quer dizer que mesmo diante da “positividade” com a qual o prefeito avalia seus primeiros 200 dias de gestão, a Prefeitura de Natal não tem nem recursos suficientes para cobrir a folha salarial dos servidores até dezembro. E é porque no mês passado aprovou na Câmara Municipal um projeto que permite a contratação de médicos e profissionais da saúde, em caráter temporário, até que seja feito o concurso público para a área (o que só deve acontecer no próximo ano).
 
É importante lembrar que na semana passada, o secretário e o prefeito Carlos Eduardo ressaltaram o importante investimento na saúde e a reabertura de 57 unidades médicas. Contudo, não comentaram a situação do Conjunto Jiqui, que teve o posto fechado há 10 dias, sem o conhecimento prévio da população. A comunidade usuária passará a ser atendida no Posto do Conjunto Pirangi, a qual, segundo o secretário, fica localizado à 650m do Jiqui.
 
“Fizemos esse cálculo da distância justamente para ter a certeza de que a população do Jiqui não seria prejudicada. Nós fechamos para mudar a forma de atendimento da unidade e agora a nossa prioridade será consolidar os serviços que estão em melhores condições. Pirangi conseguirá atender tranquilamente as duas comunidades, inclusive durante os três turnos do dia”, afirmou Cipriano Maia.
 
Apesar de simbólico por demonstrar a situação de crise na saúde pública, o Conjunto Jiqui não é o único local a sofrer com dificuldades e a limitação orçamentária da pasta municipal. Segundo o secretário Cipriano Maia, há uma parcela da população vivendo atualmente em situações bem piores.
 
“Temos áreas com 50 mil pessoas que infelizmente não dispõem de atendimento básico. Precisamos de pelo menos mais 20 postos de saúde para conseguir atender todo mundo. Porém, para isso, é preciso recurso”, disse. “Fui um construtor do SUS (Sistema Único de Saúde) aqui e não assumi esse cargo para fazer politicagem. Para reerguer o Sistema, é preciso responsabilidade”, acrescentou.
 
Nessa situação, é claro que os parlamentares que estiveram na audiência pública para discutir melhorias na saúde pública, lamentaram as condições reveladas pelo secretário – até porque elas não foram tão bem denunciadas na semana passada, na avaliação dos 200 dias de gestão. Júlio Protásio, por exemplo, explicou a necessidade de reunir a comunidade para que a Secretaria de Saúde pudesse apresentar as razões do fechamento do posto.
 
“Os usuários devem ser informados de uma medida tão séria como essa. Na minha opinião, os postos do Jiqui e Pirangi têm que funcionar para atender suas demandas. Um posto de saúde fechado é bom para quem?”, questionou.
 
Para o presidente da Comissão de Saúde da Câmara, vereador Fernando Lucena, do PT, que também participou da audiência, é importante que a Prefeitura ouça as vozes das ruas. “Só sabe a importância de um posto de saúde quem usa”. Já o parlamentar Adão Eridan (PR), membro da mesma Comissão, afirmou que esse cenário pode mudar. “Estou à disposição do Governo para aprovar projetos que venham beneficiar o povo, assim como fizemos recentemente, ao aprovar pauta que prevê a contratação de 1.500 profissionais da saúde”, disse.
 
Na semana passada, no dia que o governo fez a avaliação dos 200 dias de gestão, o vereador George Câmara, do PC do B, foi um dos que lamentou a condição da saúde pública municipal e, mesmo sendo do “lado governista”, questionou o secretário Cipriano Maia sobre quando seria possível ter um atendimento de mais qualidade. O gestor municipal afirmou que a intenção era decretar, novamente, estado de emergência na saúde pública municipal como forma de ter mais agilidade na liberação de recursos e contratação de profissionais.

Fonte: Jornal de Hoje