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USUÁRIOS SE QUEIXAM DO ATENDIMENTO PRESTADO PELOS PLANOS DE SAÚDE NA CIDADE

Geral

05.10.2010

O MOSSOROENSE | COTIDIANO

Publicado no dia 05/10/10

Marcar uma consulta médica, mesmo que seja através dos planos de saúde, é uma batalha para milhares de cidadãos. "Pago plano de saúde e quando necessito de uma consulta, muitas vezes tenho que esperar meses. Se for exame, pior ainda, porque algumas vezes não são feitos aqui em Mossoró, então tenho que marcar em Natal. Às vezes a espera é de quase três meses", reclama a professora Elenice Vieira.

A situação vivida por Elenice parece muito semelhante ao atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e essa é uma das maiores queixas dos consumidores: pagar caro por um serviço e não ter o retorno desejado. Ela conta que possui plano de saúde há mais de 10 anos e que a situação tem piorado ano a ano.

"Nesse período até já mudei de empresa para ver se melhorava. Antigamente não era assim, todos os procedimentos eram mais fáceis e rápidos. Hoje há muita burocracia. Para fazer um simples exame de sangue é preciso pedir uma autorização que tem prazo de validade", revela.

Elenice Vieira não é a única. Um levantamento realizado este ano pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) constatou através de pesquisas que 88% dos conveniados a planos têm dificuldades para marcar consultas, exames e outros procedimentos.

 Os usuários acreditam que boa parte desse problema se deve a dois fatores principais: a redução na quantidade de médicos conveniados, o que provoca uma longa espera pelos poucos profissionais e também a preferência deles pelos usuários que pagam as consultas e exames de forma particular. "É o que a gente escuta frequentemente nos consultórios e é a realidade. Os médicos recebem pouco pelas consultas pelo plano e preferem o paciente particular. A gente paga por um plano, mas tem um serviço igual ao do SUS ou pior", comenta a dona de casa Elza de Lima.

Esse relato feito pelos conveniados apresentando diferença no atendimento em relação aos pacientes particulares fere o Código de Ética Médica e a Lei de Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98).  Em função dessa insatisfação, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) pretende fixar prazos mínimos para o atendimento dos consumidores em seus respectivos planos. Muito mais do que uma conduta abusiva das empresas, esses problemas podem gerar danos à saúde dos usuários.  

O Idec defende que a regulamentação editada pela agência também contenha regras para minimizar a burocracia exagerada. A perspectiva da ANS é que os prazos estabelecidos cheguem a sete dias para consultas como pediatria e clínica geral, três dias para exames clínicos simples e 21 para procedimentos de alta complexidade. A previsão é que esses prazos comecem a valer a partir de março de 2011.

Assessor de comunicação de um dos planos de saúde de Mossoró, Ciro Ney disse que até o momento ainda não foram comunicados a respeito da nova regulamentação que a ANS pretende implantar.  Ainda assim ele informa que as queixas relativas ao problema têm diminuído. "Em Mossoró, o maior problema é, sobretudo, a pequena quantidade de profissionais em algumas especialidades, como reumatologistas, por exemplo. Eles atendem a todos os planos e ainda particular, por isso muitas vezes há essa espera", diz. Segundo ele, a ouvidoria do plano tenta atender os usuários e resolver o impasse o mais rápido possível.

Fonte: O MOSSOROENSE | COTIDIANO