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Faltam funcionários para UTI infantil

Geral

25.08.2013

O Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes, enfrenta situação semelhante a do Huol. Na unidade hospitalar da zona Norte, a UTI funciona com dez leitos bastante disputados e com apoio da chamada “Sala Vermelha”, onde ficam os pacientes que têm prioridade na fila para o tratamento intensivo.

Além desses dez leitos, há a chamada Unidade de Dependentes de Ventilação Mecânica (UDVM), com estrutura física, aparelhos e leitos organizados mas, ainda assim, está desativada desde abril, quando foi finalizada.

Segundo Renilson Rodrigues, diretor técnico do Maria Alice Fernandes, este é mais um caso de leitos inutilizados por falta de pessoal, além da falta de um local específico para pacientes doentes crônicos. “Se estivesse funcionando, [a UDVM] desafogaria a UTI e permitiria uma maior rotatividade, devido aos casos de pacientes crônicos, que são permanentes e ocupam metade dos leitos de terapia intensiva”, diz. De acordo com Rodrigues, o paciente mais antigo está há oito anos no hospital.
Na Maternidade Escola Januário Cicco, o problema da falta de leitos se repete. Segundo Kleber Morais, médico e diretor-geral da MEJC, os dez leitos atuais são insuficientes para a demanda, levando à criação de unidades improvisadas, no centro cirúrgico da unidade.

Com a obra que deve ter início ainda neste semestre, Morais estima que cinco novos leitos sejam implantados. “O ganho no número de leitos é irrisório para o estado, mas substancial para a maternidade”, afirma. Segundo Kleber Morais, a verba para reforma e ampliação da UTI neonatal da MEJC é procedente do programa nacional de Reestruturação dos Hospitais de Ensino, que também atingirá outros setores da maternidade.

Leitos de UTIs disponíveis estão superlotados

Para Camila Costa, médica e coordenadora hospitalar da Sesap, o número de leitos não é um problema no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. “Pelo percentual ideal, o Walfredo precisaria de cerca de 20 [leitos para UTI], mas hoje temos 35 e, até o fim do ano, outros 10 devem ser inaugurados”, afirma a médica. “O problema não está no Walfredo ou nesses maiores hospitais. O que acontece é uma carência de UTIs em outras unidades e regiões do estado, levando à superlotação dos que têm [esse tipo de serviço]”, acrescenta.

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UTI: fila de espera e leitos ociosos
No Santa Catarina, a UTI passa por uma ampliação e, devido às obras, a terapia intensiva funciona provisoriamente com três leitos. “Antes a UTI do hospital tinha seis leitos, mas agora está com três devido ao serviço de expansão. Quando acabar a obra, a UTI do Santa Catarina passará a ter dez leitos, mais um exclusivo para isolamento”, explica Maria José de Pontes, chefe da divisão de Enfermagem do hospital. A direção do Santa Catarina espera que a conclusão do serviço ocorra até o fim de setembro. “Para começar a funcionar, faltam as cortinas que separam os leitos, prateleiras que serão usadas para colocar os equipamentos do leito e os armários, além da equipe médica.

De acordo com Reginaldo Holanda, médico responsável pela UTI Neonatal, além dos leitos adultos, o Santa Catarina tem a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, com vaga para 18 recém-nascidos, 7 vagas para cuidados intermediários e 12 em tratamento canguru, todas para pacientes de alto risco.

Acordo determina criação de vagas

A Justiça Federal no Rio Grande do Norte mediou, no dia 9 de agosto, um acordo entre o Estado do Rio Grande do Norte, o Município de Natal e o Conselho Regional de Medicina para que o poder público recorra a custeio de profissionais da saúde em hospitais privados, bem como aluguel de leitos, além da criação, implantação e manutenção de outros, na tentativa de amenizar a demanda no Hospital Walfredo Gurgel.

Contando com os leitos de terapia intensiva nos hospitais Onofre Lopes, Santa Catarina, Maria Alice Fernandes e Memorial, que estão prontos ou em fase de conclusão, a assessoria da Sesap afirma que outros leitos devem ser abertos até o fim do ano. Desses, seis serão inaugurados no Hospital Ruy Pereira ainda em agosto, somando com os quatro já em atividade; 13 adultos, sendo sete já criados e seis novos, e quatro neonatais no Hospital Coronel Pedro Germano (Hospital da PM); e dez leitos neonatais no Varella Santiago.

Além desses leitos, os dez novos no HWG anunciados pela Sesap não estão inclusos no acordo, que prevê a ativação, até o fim deste ano, de 56 leitos de terapia intensiva no RN e, que em dois anos, 159 leitos de terapia intensiva sejam abertos para atendimento pelo SUS.

Como determinado no acordo, devem também ser implantados a médio prazo: 10 leitos adultos no Hospital do Seridó, em Caicó; dez leitos adultos no Hospital Dr. Mariano Coelho, em Currais Novos; e dez adultos no Hospital Regional de Pau dos Ferros. Devem ser cumpridos ainda 4 leitos adultos e 7 pediátricos no Hospital Tarcísio Maia, em Mossoró, em até um ano; e 60 leitos adultos no Hospital de Trauma da Região Metropolitana em até dois anos.


Remanejamento

Segundo a médica Camila Costa, atualmente o governo estuda os 24 hospitais que formam a rede estadual no RN para avaliar a distribuição de profissionais. Esse número, que segundo ela, é considerado alto para a média brasileira, dificulta o gerenciamento perfeito das unidades de saúde. “Existe desabastecimento. Precisamos melhorar e muito”, afirma.

Após a verificação da distribuição de pessoal, que a Sesap espera concluir em até 30 dias, será feito remanejamento, caso seja possível. “A nossa primeira opção é o remanejamento de profissionais. Se não for possível, a secretaria abre um concurso público para convocação. Mas, caso a demanda seja de urgência, recorre-se à terceira opção, de contratação de cooperativas para serviço terceirizado”, explica a médica e coordenadora hospitalar da Sesap.

Questionada sobre a capacitação de médicos, enfermeiros e técnicos já ligados ao Estado, Camila diz que existe um projeto financiado pelo Banco Mundial para capacitação de profissionais para trabalhar em Unidades de Terapia Intensiva. “Já são feitos cursos de capacitação, mas esses financiados pelo Banco Mundial devem começar até o início de 2014”, disse.

Em relação à crise de funcionários devidamente capacitados para o trabalho em UTIs, tanto os responsáveis pelo Huol quanto pelo Santa Catarina e pelo Hospital Maria Alice Fernandes, dizem que está em andamento a parceria com os governos Estadual e Municipal, para fornecimento de pessoal que trabalhará nessas unidades paradas ou que serão inauguradas em breve, mas não foi dado nenhum prazo estimado.
 

Fonte: Tribuna do Norte