‘Greve acabou, mas o caos na saúde continua
Geral
10.09.2013
Após 34 dias de paralisação, na terça-feira, 3, os servidores da Saúde do Rio Grande do Norte decidiram suspender a greve iniciada em 1º de agosto. Apesar de terem retomado as atividades, eles afirmam que permanecerão em Estado de greve, mobilizados, e que não confiam no Governo do Estado.
Em nota, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde (SINDSAÚDE/RN) afirma que "guardamos os nossos coletes, mas se o Governo não cumprir o combinado, a greve pode voltar".
Os sindicalistas destacaram que a greve foi histórica e uma das maiores e mais fortes que a Saúde já fez. Nestes 34 dias, os grevistas foram às ruas, ocuparam a Sesap e ficaram durante 14 dias em frente à mansão da governadora Rosalba Ciarlini, em Natal.
Na nota divulgada pelo Sindsaúde, os sindicalistas afirmam: "somos guerreiros e guerreiras, dormindo em barracas, seguindo a governadora, marchando pelas ruas em defesa da saúde pública. O governo ameaçou cortar o ponto e o eventual, pediu a ilegalidade da greve e liberou o assédio nos hospitais. Os servidores – incluindo muitas chefias – resistiram à pressão. No final, o governo não só não recuou do corte do ponto, como ainda teve que se comprometer com a tabela correta do nosso plano".
A proposta do governo, enviada pela Sesap, atendeu parcialmente às reivindicações da categoria. O governo se comprometeu finalmente com a correção da tabela do plano de cargos. O comprometimento é considerado uma vitória da luta dos servidores. No entanto, isso só estará em vigor a partir de março de 2014.
O pagamento do percentual que os aposentados têm direito também só será feito a partir do ano que vem.
Para o Sindsaúde, o prazo longo apenas demonstra a falta de comprometimento deste governo com a valorização e o resgate dos salários dos servidores. "O governo usou o discurso da crise financeira para não dar reajustes aos servidores públicos, quando, na verdade, há superávit nas contas do Estado, que é usado para suas prioridades, como as obras da Copa do Mundo, a publicidade e o pagamento dos juros da dívida", declara a nota.
Os servidores não lutaram só por salário, mas contra o caos na saúde pública do estado. "Infelizmente, o governo não se sensibilizou com as reivindicações de nossa pauta em defesa da saúde. Não se pode ter um atendimento de qualidade, se faltam 220 técnicos de enfermagem, apenas no Hospital Walfredo Gurgel. A proposta do governo não garante praticamente nenhuma convocação para este hospital, assim como o Santa Catarina e o Deoclécio Marques. As convocações vão pouco além das necessárias para a retomada do Hospital da Mulher, em Mossoró, e para o Hospital da PM, em Natal", destaca. "Os servidores continuarão trabalhando com sobrecarga e o atendimento continuará prejudicado", acrescenta o documento.
Nestes 34 dias, não foram poucas as vezes em que se tentou relacionar a crise na saúde do Estado com a greve. "A greve foi suspensa. E agora? Alguém duvida que centenas de pessoas continuarão morrendo todos os meses por falta de atendimento, por falta de medicamentos e de leitos? A população sabe muito bem que a responsabilidade do caos nos hospitais é dos governos, que não financiam a saúde pública. A verdade é que o caos na saúde no governo de Rosalba vai continuar, mesmo com todas as maquiagens que se possa inventar".
Conforme o Sindsaúde, "saímos da greve ainda mais convencidos que precisamos lutar para derrubar o governo de Rosalba Ciarlini, um governo repudiado por 83% da população, responsável pelo caos no estado. Nossa greve ajudou a desmascarar esse governo. Mas, para podermos enfrentar o caos na saúde, é preciso retirar Rosalba de lá. Nós servidores da saúde agradecemos o apoio que recebemos nestes dias, a solidariedade das demais categorias e da juventude. Nos sentimos vitoriosos por tudo o que fizemos. Saímos de greve, mas a nossa luta continuará todos os dias, pelo Fora Rosalba e pela defesa da saúde pública, gratuita e de qualidade", conclui a nota.
Para a Sesap, a decisão pela suspensão da greve demonstra sensatez e equilíbrio e terá como principal beneficiário o usuário da rede estadual de saúde pública.
A Sesap ressalta que a garantia da assistência ao usuário sempre foi sua prioridade, bem como o princípio norteador das negociações por parte da Secretaria. A Sesap espera que a atitude do sindicato reflita o reconhecimento da disposição efetiva e do compromisso do Governo em negociar e atender as propostas da categoria dentro das possibilidades objetivas do Estado – financeiras e fiscais.
Fonte: Gazeta do Oeste