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OMS VOLTA ATENÇÕES PARA DOENÇAS TROPICAIS

Geral

15.10.2010

TRIBUNA DO NORTE | INTERNACIONAL

Publicado no dia 15/10/10

 

Genebra (AE) – A Organização Mundial da Saúde (OMS) quer controlar as doenças tropicais até 2015, revertendo décadas de abandono na pesquisa de problemas que afetam diretamente 1 bilhão de pessoas por ano, matam 534 mil e ameaçam mais 1 bilhão de pessoas. Ontem, no lançamento da nova estratégia, o Brasil alertou a OMS de que apenas receber doações de remédios de grandes multinacionais não resolverá o problema. Desde meado do século 20, algumas das doenças mais letais do mundo deixaram de ser alvo das pesquisas das grandes multinacionais que consideraram como pouco lucrativo atuar em áreas como malária, doença de Chagas e outros males que apenas afetam populações pobres. Os investimentos deixaram de ser feitos por cálculos econômicos.

O dinheiro investido não resultaria em lucros, já que os compradores seriam algumas das sociedades mais miseráveis do planeta. A questão é que os problemas gerados por essas doenças são amplos. Só a doença de Chagas atinge 10 milhões de pessoas por ano no mundo.

“As necessidades de tratamento são enormes. Mas as pessoas afetadas por essas doenças são pobres. Portanto, não têm acesso a intervenções médicas”, afirmou a diretora da OMS, Margaret Chan. “A indústria esteve pouco inclinada a investir em novos produtos contra essas doenças ligadas a populações pobres que não têm como pagar pelos remédios”, alertou.

A meta da entidade é a de lidar com 17 doenças consideradas até hoje negligenciadas. A OMS não pretende erradicá-las em cinco anos. Mas pelo menos iniciar uma campanha com entidades internacionais, governos e principalmente as grandes empresas para que desenvolvam tratamentos.

Outra meta é a de criar condições de investimentos para mecanismos de diagnóstico dessas doenças. Alguns dos instrumentos foram descobertos na primeira metade do século 20 e até hoje não houve um novo desenvolvimento das técnicas. A Sanofi-Aventis anunciou ontem que doaria US$ 25 milhões nos próximos cinco anos para a compra de remédios para as populações afetadas. A GlaxoSmithKline anunciou que doaria a partir de 2012, quatrocentos milhões de doses de remédios contra a elefantíase.

Entretanto, durante o lançamento da campanha, o Itamaraty fez questão de alertar que a doação de remédios não seria suficiente para lidar com as doenças negligenciadas. Para a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo, a OMS precisará desenvolver uma estratégia para reduzir os preços desses remédios. A diplomata ainda pediu a criação de mecanismos financeiros para estimular a pesquisa nessas áreas negligenciadas.

Fonte: TRIBUNA DO NORTE | INTERNACIONAL