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Hospital Walfredo Gurgel avança em deficiências apontadas em relatório feito pelo Ministério da Saúde

Geral

01.11.2013

O Departamento Nacional de Auditoria do Ministério da Saúde realizou uma auditoria no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em atendimento à solicitação da Ordem dos Advogados do Brasil/RN, com o objetivo de verificar a superlotação de pacientes, falta de medicamentos e insumos, insuficiência de profissionais de saúde para atender os pacientes internados e demanda reprimida de pacientes que necessitam de cirurgias ortopédicas e vasculares. A auditoria foi realizada no mês de fevereiro. Sete meses depois, a reportagem d’O Jornal de Hoje visitou a maior unidade hospitalar do Estado e verificou que, muitos dos problemas apontados já foram solucionados, principalmente em relação à superlotação do corredor do Pronto Socorro Clóvis Sarinho (PSCS).

À época da vistoria, a unidade chegou a ter até 176 pacientes em macas nos corredores. Hoje, com o corredor do politrauma vazio há mais de dois meses, a média de pacientes em corredor, em sua maioria de clínica médica, é de 20 pacientes. Os resultados foram possíveis, principalmente, depois da chegada do programa SOS Emergência ao Hospital, que coincide com esse período. O SOS Emergência começou a ser implantado no Hospital Walfredo Gurgel a partir de 22 de março, quase um mês após a vistoria realizada pelo Ministério da Saúde.

A auditoria analisou a superlotação de pacientes nos corredores do Pronto Socorro Clóvis Sarinho, as instalações físicas da área de urgência e emergência, o Setor de Reanimação, que foi interditado pelo Conselho Regional de Medicina (Cremern), a não uniformidade no número de plantonistas nas escolas do Pronto Socorro, a demanda reprimida no atendimento a pacientes do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a despesa/custo por paciente decresceu em 2012, devido à falta de medicamentos, dentre outras constatações.

Durante a visita, verificou-se que a área de repouso/observação estava localizada em boxes com dez macas, que se encontravam ocupadas. Nos corredores da área de urgência e emergência havia uma média de macas que excedia os limites máximos do serviço, sem privacidade, conforto ou segurança e ainda, vulneráveis a infecções cruzadas, em desconformidade com a Política Nacional de Humanização.

O relatório recomenda que a direção do Hospital redefina os fluxos dos pacientes crônicos dos hospitais dos municípios do interior do Estado para o Pronto Socorro Clóvis Sarinho, além de definir os fluxos de saída dos pacientes com a Secretaria Municipal de Saúde, evitando a estagnação de pacientes nos corredores.

O secretário adjunto de Saúde, Marcelo Bessa, reconhece que o momento em que a vistoria foi realizada o Hospital passava por um caos, com problemas de superlotação e desabastecimento, mas também coincidiu com o período de chegada do SOS Emergência. “Naquele momento chegamos a ter 176 pacientes no corredor, hoje temos em média 20. Isso foi possível, pois conseguimos fazer um melhor gerenciamento dos leitos de retaguarda. Conseguimos incrementar através do Núcleo de Acesso a Qualidade (NAQ), pelo SOS Emergência, um monitoramento desses leitos, e conseguimos melhorar a média/permanência desse paciente”, afirmou o secretário.

Hoje, o Hospital tem 66 leitos de retaguarda exclusivos para as demandas clínicas do Walfredo Gurgel, sendo 50 no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) e 16 no Hospital da Polícia. Em relação à alta demanda de pacientes ortopédicos, Marcelo Bessa lembra que a Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) realizou, nos últimos meses, o mutirão de cirurgias ortopédicas, que terminou zerando a fila de pacientes a espera de procedimento cirúrgico.

Outro ponto levantado pela vistoria foi em relação às instalações físicas da área de urgência e emergência, que segundo o relatório, não atendiam as legislações pertinentes. A vistoria apontou que os ambientes que compõem a área física da urgência e emergência, salas de atendimento a pacientes críticos, de repouso/observação, de gesso, pequena cirurgia não atendem a RDC nº 50/Anvisa, pois não se separam pacientes por sexos, e nos setores de emergência cirúrgica, clínicas e politraumatizados não há distinção de espaço físico levando em conta o grau de gravidade de cada paciente.

Além disso, o Setor de Reanimação que havia sido interditado pelo Conselho Regional de Medicina, por falta de intensivista, estava funcionando em outro local, sem intensivistas, e todos os pacientes continuavam sendo assistidos pelos plantonistas do PSCS. Durante a vistoria, o local apresentava dez ventiladores mecânicos quebrados e um aparelho de hemodiálise também danificado. Hoje, a situação está diferente. O local citado passa por uma reforma e deverá, até o final do mês de novembro, dar espaço a uma nova UTI, com dez leitos. Para isso, garantiu o secretário Marcelo Bessa, a unidade contará com uma equipe própria de profissionais, inclusive com médicos intensivistas. O Hospital também inaugurou um setor de observação para pacientes de traumas, que comumente ficavam no corredor, com capacidade para até doze macas.

Escala de plantões

O relatório também apontou que não há uma uniformidade no número de plantonistas nas diversas escalas do Pronto Socorro Clóvis Sarinho, nos diferentes turnos. A vistoria verificou que havia escalas médicas para todas as especialidades para o Pronto Socorro, mas o número de profissionais por turno não é uniforme havendo com freqüência muitos profissionais em um turno, como o noturno, e poucos em turnos matutinos e vespertinos. Este fato foi evidenciado, especialmente, nas escalas de ortopedistas e anestesiologistas.

O secretário Marcelo Bessa conta que foi necessário fazer a parametrização das escalas de plantão. “No Walfredo Gurgel existe déficit, mas era necessário, em um primeiro momento fazer uma reestruturação, que foi a parametrização das escalas. Uma portaria que estabelece o número de plantões de porta de entrada do Pronto Socorro e das enfermarias, resultado de um estudo, para vermos de que forma viabilizaríamos melhor atendimento com as pessoas que tínhamos aqui. A distribuição precisava ser feita. Com a parametrização conseguimos ver melhor o dimensionamento e ver onde há realmente déficit de profissionais e distribuir melhor os profissionais”, afirmou.

Marcelo Bessa destacou que a implantação do ponto eletrônico foi fundamental para garantir o cumprimento da escala. “O ponto eletrônico também foi um grande avanço para o hospital, pois temos a efetivação das pessoas que estão realmente trabalhando, pois havia algumas distorções e elas deixaram de ser feitas. Tudo isso fixou melhor os profissionais nas unidades”, explicou o secretário adjunto de Saúde.

Além disso, para sanar o déficit de profissionais, a Secretaria convocou, do último concurso público, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos, além do remanejamento de profissionais de outras unidades para o Hospital Walfredo Gurgel.

Medicamentos

A vistoria do Ministério da Saúde apontou que houve um decréscimo, em 2012, em relação à despesa/custo, em função da falta de medicamentos. Pelo relatório, em 2011 o hospital atendeu 86.942 pacientes e teve uma despesa de R$ 20.450.134,29, enquanto que no ano seguinte, em 2012, o número de pacientes atendidos saltou para 99.410, mas houve uma redução na despesa, caindo para R$ 20.343.329,15.

A análise apresentada conforme dados repassados pelo Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same) do Hospital, referente ao atendimento do Pronto Socorro, mostra que houve um acréscimo na assistência ao usuário do SUS em relação ao período de 2011 de 12.468. No entanto, verifica-se que o valor das despesas diminui devido às faltas de medicamentos, assim como as informações incompletas da Farmácia do Hospital.

Marcelo Bessa explica durante esse período foram tomadas algumas medidas administrativas e de gestão em relação ao custo. Uma das medidas foi a padronização dos medicamentos. Tinha-se uma variação grande de insumos e foi necessário fazer uma padronização dos medicamentos. Por exemplo, compravam-se quatro tipos de medicamentos para vômito, hoje, compram-se apenas dois, que fazem o mesmo efeito.

“Tivemos um enxugamento com essa padronização ideal, de modo que podemos cumprir todas as obrigações com os pacientes. Isso faz com que eu tenha um menor custo com o número de itens, garantindo o abastecimento, dentro da qualidade. Não diminuímos custo para não atender o paciente, mas para atender melhor o paciente”, afirmou o secretário. Hoje, a diretora do Hospital, Fátima Pinheiro, garantiu que o problema do desabastecimento foi sanado.

Conclusão do relatório

O relatório concluiu que o Pronto Socorro Clóvis Sarinho do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel apresenta falhas na estrutura física e no funcionamento devido às múltiplas falhas gerenciais, apontadas no relatório. A auditoria apontou a necessidade imediata de reforma na área física do Pronto Atendimento, de acordo com as legislações pertinentes, para o adequado atendimento às urgências e emergências.

Além disso, também deveria ser redefinido os fluxos dos pacientes crônicos dos hospitais dos municípios do interior do estado para o Pronto Socorro Clóvis Sarinho, além dos fluxos de saída dos pacientes com a Secretaria Municipal de Saúde de Natal, sendo necessária a avaliação permanente da lista de espera de pacientes que necessitam ser submetidos a procedimentos cirúrgicos de alta complexidade para evitar a estagnação de pacientes nos corredores.

No entanto, o relatório reconhece que, embora com todos os aspectos negativos e dificuldades apontadas, o Hospital Walfredo Gurgel continua garantindo o atendimento ininterrupto às demandas em encaminhadas pela regulação, SAMU e as espontâneas.

Avaliação

Nesses sete meses de implantação do SOS Emergência, o secretário adjunto de Saúde, Marcelo Bessa, considera que houve uma melhora bastante expressiva no Hospital Walfredo Gurgel, em relação aos processos de trabalho. “Manter o corredor vazio do trauma é um reflexo de toda a organização do processo de trabalho. Implementamos muito processo de qualificação, e além disso o acolhimento da classificação de risco melhorou bastante o processo de trabalho”, afirmou.

Reprodução: Jornal de Hoje