INTERNACIONAL: SONO PERIGOSO NO INÍCIO DA VIDA
Geral
09.08.2010
DIÁRIO DE NATAL – 09-08-2010
Secção: Saúde
Por: Paloma Oliveto
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Publicado no dia 09/08/10
SONO PERIGOSO NO INÍCIO DA VIDA
Médicos procuram entender o porquê de um mal que mata bebês no mundo inteiro, ainda no berço
O bebê parece apenas dormir profundamente. Mas ao tentar despertá-lo, os pais percebem que ele não respira mais. A tragédia da perda de um recém-nascido aparentemente saudável fica sem explicação. Nem mesmo uma necropsia consegue revelar a causa do óbito. A síndrome da morte súbita do lactente, também conhecida como morte no berço, assusta pais e mães e continua um mistério para a medicina. Porém informações sobre os fatores de risco ajudam a prevenir o mal que, nos Estados Unidos, atinge 0,51 em mil nascidos vivos.
A posição da criança no berço é apontada por pediatras como a principal forma de prevenção. Embora ainda não se saiba o que acontece, já foi comprovado que dormir de bruços ou de lado favorece a morte no berço. As primeiras pesquisas tiveram início na década de 1960, quando pais de crianças que morreram subitamente fundaram uma associação nacional, nos Estados Unidos, e realizaram a primeira conferência nacional sobre o assunto. Seis anos depois, no segundo encontro, o óbito inexplicado dos recém-nascidos foi considerado uma patologia, e, a partir de dados estatísticos, foram estabelecidos alguns fatores de risco: bebês com baixo peso ao nascer, do sexo masculino, nascidos em classes sociais mais baixas e de 2 a 4 meses de idade eram as maiores vítimas do mal.
"O primeiro relato da síndrome da morte súbita do lactente está na Bíblia. Na história de Salomão, há uma situação em que a mãe dorme em cima do filho, ele morre e ela troca o bebê por outra criança. Foi preciso esperar até a década de 1960 para começarem as pesquisas", lembra a cardiologista pediátrica Cristina Chaves Guerra, do Instituto do Coração, em Taguatinga (DF). De acordo com ela, até então acreditava-se que a morte ocorria devido a um acidente, assim como o relato bíblico, e era sobre os pais que caía a culpa.
Apesar dos avanços da década de 1960, foi no início dos anos 1980 que, ao investigar a cena do óbito, os pesquisadores concluíram que as mortes aconteciam quando os bebês dormiam de bruços. "Foram feitas campanhassobre a posição correta e, em 10 anos, a mortalidade caiu consideravelmente", observa Cristina. De acordo com o Instituto Americano da Síndrome da Morte Súbita do Lactente (American Sudden Infant Death Syndrome Institute, nome em inglês), em 1980, a incidência era de 1,53 casos em cada mil nascimentos. Em 2004, o índice havia sido reduzido em 75%.
No Brasil, não existem dados nacionais consolidados sobre a incidência. "Não se tem ideia de quantos recém-nascidos morrem de morte súbita porque há subnotificação", afirma o pediatra Renato Rocianon, presidente do departamento científico de neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. "Mas se imagina que muitos bebês vão à morte no Brasil por causa da síndrome, e a Pastoral da Criança procura fazer um trabalho de orientação para os pais", diz.