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CERCA DE 30% DOS PORTADORES DE HIV NÃO BUSCAM AJUDA EM ASSOCIAÇÃO POR VERGONHA

Geral

25.10.2010

GAZETA DO OESTE | SAÚDE

Por: Fidel Nunes

Publicado no dia 24/10/10 

 

A Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma das doenças mais temidas pela humanidade. Ela não faz distinção de vítimas, ataca homens, mulheres, jovens, idosos e até mesmo as crianças. Além de ser uma doença sem cura, as pessoas que a possuem são constantemente vítimas de preconceito.
Para combater a discriminação, prestar assistência aos portadores do HIV/Aids, promover uma melhor qualidade de vida e prevenir que as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) se espalhem nas regiões Oeste e Alto Oeste potiguar, foi fundado no dia 2 de outubro de 2005 o Grupo Aprendendo a Viver Positivamente (GAV+), uma Organização Não Governamental (ONG) sem fins lucrativos que tem ajudado as pessoas portadoras do HIV/Aids a se reintegrarem à sociedade.
A coordenadora do GAV+, Conceição Paz, conta que cerca de 500 pessoas são atendidas pela organização, inclusive os portadores do HIV/Aids de cidades circunvizinhas. As reuniões mensais sobre prevenção, orientação do tratamento, informações sobre as questões sociais e jurídico legais são algumas das atividades realizadas no GAV+. "Além dessas atividades nós abrigamos e oferecemos alimentação para os pacientes de outras cidades que precisam ficar em Mossoró para ser atendidos no outro dia, pois muitos deles não têm onde ficar e passam a noite aqui, não cobramos nada a nenhum deles por isso", afirma Conceição Paz.
A quantidade de pessoas que procuram o GAV+ é muito pequena se comparada ao número de portadores do HIV/Aids. Segundo Conceição Paz, muitas pessoas têm vergonha e preconceito de serem portadoras do vírus e não buscam a organização para que a sociedade não saiba da doença que ela carrega. "De todas as pessoas doentes acredito que só 30% procuram o apoio de alguma organização, pois temem sofrer preconceito da sociedade. O pior que isso acontece demais, até mesmo os voluntários que trabalham aqui e não são portadores do HIV/Aids sofrem preconceito. E a falta de voluntários é um dos nossos maiores problemas", informa.
Uma das 500 pessoas atendidas pelo GAV+ é a dona de casa Francisca das Graças, 52. Ela conta que em 2002, através de uma relação sexual, contraiu o vírus da HIV e com ele o preconceito da sociedade. "Muitas pessoas pararam de andar lá em casa, não bebem água nos meus copos e não passam sequer na minha calçada com medo de contraírem a doença. Hoje eu consigo conviver com o HIV, mas não consigo viver com o preconceito, e assim como eu todos têm o mesmo pensamento", desabafa.
O Hospital Rafael Fernandes é o local responsável pelo tratamento dos portadores. Até setembro de 2010 foram registrados 481 casos de pessoas com HIV/Aids em Mossoró, sendo 343 com a doença já manifestada e 138 como portadores do vírus. Dos 343 pacientes com Aids, 181 são homens, 154 mulheres, 5 crianças e 3 adolescentes.
Já das 138 pessoas que estão infectadas pelo vírus da HIV e ainda não desenvolveram a doença, 85 são homens, 59 mulheres, 8 crianças, 1 adolescente e 25 crianças expostas – filhos de mãe com HIV que podem ou não apresentar o vírus, elas ficam em observação do zero aos dois anos de idade para ver se apresentam ou não o vírus da HIV.

Fonte: GAZETA DO OESTE | SAÚDE