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Suspensão de serviços e acidentes elevam atendimentos no Walfredo

Geral

25.02.2014

O crescente número de acidentes, a indiscriminada prática da ambulancioteria e a recente suspensão dos serviços de baixa e média complexidade, na área de ortopedia ambulatorial, pelo município de Natal, são alguns dos fatores que neste fim de semana provocaram transtornos ao hospital Monsenhor Walfredo Gurgel (HMWG). Segundo os registros do HWG, desde a sexta (21) até a segunda-feira (24), 694 pessoas deram entrada na unidade, grande parte vítima de acidentes e necessitando de atendimento de urgência. A demanda elevada, mais uma vez, lotou a unidade.

Dos acidentes de trânsito, as maiores ocorrências foram novamente com motos. Oitenta e três pessoas foram assistidas no PS em decorrência de quedas e colisões sobre os veículos de duas rodas. Ciclistas, pedestres, passageiros e motoristas, juntos, somaram outras 32 ocorrências. Os ferimentos por arma de fogo totalizaram 14 vítimas. Já o volume de pessoas atendidas com quadro clínico de urgência (sob risco iminente de agravamento de seu estado de saúde ou até óbito) somaram 405 assistidos.

A alta demanda de pacientes internados na unidade também foi sentida nas áreas como politrauma e observação. No início da manhã de hoje (24), a sala onde as vítimas do trauma recebem a primeira assistência atendia 14 internos, sendo três em ventilação mecânica. A sala de observação do trauma contava com 20 pacientes. O corredor da clínica médica abrigava mais 23 pacientes.

Com relação ao corredor de politrauma, a situação apresentada na manhã desta segunda-feira se difere dos últimos seis meses, tendo se mostrado um problema pontual e não mais uma realidade diária do hospital. A alternância entre a lotação e o esvaziamento do corredor do trauma, vem sendo contornada desde o ano passado com os dois mutirões de cirurgias ortopédicas, realizados pela Secretaria Estadual da Saúde Pública (Sesap), pela renovação do contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e unidades particulares também para realização dos procedimentos eletivos ortopédicos e, ainda, pelos leitos de retaguarda no Hospital Coronel Pedro Germano e Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol).

Contudo, a diretora geral do HMWG, Maria de Fátima Pereira Pinheiro, reafirma que “estes finais de semana com maior número de atendimentos no PS sempre levam o Walfredo Gurgel a sofrer com a sua capacidade assistencial extrapolada. Isso mostra como as redes municipais de Saúde, em todo o estado, continuam fragilizadas. Não podemos contar com as unidades básicas como as UPAs para nos dar suporte e absorvemos toda a demanda. Fico apreensiva com a chegada do carnaval”, alerta.

A suspensão dos serviços de baixa e média complexidade, conveniados entre a Secretaria Municipal de Natal com unidades privadas, como a Clinorte e o Hospital Memorial, na área de ortopedia ambulatorial, também contribuiu para agravar o problema. Paralisados há cerca de 10 dias, os serviços oferecidos pela Prefeitura de Natal realizava de 2,5 a 5 mil atendimentos de ortopedia ambulatorial mês para pacientes residentes e domiciliados. “Toda essa demanda também está vindo para o Walfredo Gurgel”, afirma a diretora.

Ainda de acordo com Fátima, muitas cidades do interior não têm feito a regulação de seus pacientes. “Vários têm chegado aqui, sem que o hospital de origem faça contato com nosso Núcleo Interno de Regulação (NIR), sem avisar que estão enviando um paciente em estado grave, entubado, precisando de um ponto de oxigênio. Essa prática indevida da ambulancioterapia é contínua e tem contribuído para aumentar uma demanda que, sozinho, o Estado, muitas vezes, não tem como atender. Ficamos sempre em uma situação muito difícil”.

Reprodução: Jornal de Hoje