Saúde reprodutiva sofre desmonte
Geral
04.04.2014
Corredores vazios, salas fechadas, pacientes sem atendimento. Com processo de municipalização inconcluso, o Centro de Saúde Reprodutiva Prof. Leide Morais sofre um desmonte. Quem procura a unidade se depara com a interrupção do serviço na única unidade pública da cidade especializada em reprodução. Equipamentos e servidores estão sendo transferidos para unidades hospitalares estaduais, impossibilitando os atendimentos no Centro – que recebia cerca de 600 pessoas todos os dias, e há dois meses contabiliza apenas 30 atendimentos diários.
O Centro Leide Morais é uma unidade de referência, até então integrante da Secretária Estadual de Saúde Pública (Sesap), criada desde 1998 com a especialização no combate e prevenção de doenças no sistema reprodutivo da mulher e do homem. Segundo a diretora do Centro, Débora Torquato, a unidade era a única na rede pública de saúde a realizar procedimentos de média complexidade, como, diagnóstico por biópsia e tratamento do colo do útero, curetagem diagnóstica, peníscopia, pulsão da mama.
Além disso ofertava o atendimento ambulatorial nas áreas como mastologia, urologia, sexologia, psicologia, dermatologia; testes de de doenças sexualmente transmissíveis (DST), HIV/Aids, e hepatites b e c.“De dois meses para cá começamos a receber as notificações de transferência dos profissionais. Há tempos estávamos conversando sobre a municipalização, sempre tínhamos reuniões aqui com os dois órgãos da saúde, de Natal e do Estado. Eu só não esperava que fosse assim. Hoje o Centro está vazio, e agora, ficam jogando a responsabilidade entre Estado e município”, declara Debora Torquato, indignada.
Do total de 160 profissionais, entre médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, hoje ela conta com apenas 31. O maquinário de ultra-sonografia foi levado para o Hospital Walfredo Gurgel há um ano – na promessa de um novo para a unidade. “Cinco ultra-sonografistas estão parados há um ano pela falta do aparelho”. O processador do mamógrafo foi enviado para Assu.
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“Os remédios da farmácia só não levaram porque eu brequei”, disse ela. São medicamentos dermatológicos, ginecológicos e contra DST’s. “Inclusive, já vieram pegar oito aparelhos de ar-condicionado. Eu disse que não tinha condições, que ainda havia gente trabalhando aqui”, frisa a diretora.
Ela ressalta três setores da unidade, únicos da cidade, que hoje estão sem oferecer atendimento. O programa do adolescente, com cerca de 14 mil jovens cadastrados, contava com uma equipe de três ginecologistas, dois psicólogos e hebiatra e 1 sexólogo. Segundo a diretora, apenas o sexólogo continua.
Situação semelhante aconteceu no setor de Patologia de Tratamento Genital Inferior e no setor de Saúde do Homem. Este último, sofreu com transferências desde julho de 2013. “Eram quatro urologistas e levaram para o Hospital Walfredo Gurgel”, diz. “Os profissionais que temos hoje são insuficientes para os setores. Acho uma irresponsabilidade, já que o acordo foi de manter o serviço. Não compactuo com essa forma de transferência”, ressalta Torquato.
Para Simone Dutra, presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde do RN (Sindsaúde/RN), a situação aparenta que o Centro está sendo “desmontado” para cobrir outros serviços da rede. “O problema hoje é que não está havendo nem a municipalização, está havendo um desmonte. Só vai entregar o prédio. Isso é um crime contra população”, opina. Na próxima sexta-feira, 11, haverá audiência pública na Câmara de Vereadores para discutir a situação.
Fonte: Tribuna do Norte