Usuários e servidores dividem bolo contra falta de medicamentos
Geral
06.10.2014
Com uma relação contendo 293 nomes de medicamentos, entre os distribuídos para os hospitais da rede estadual de saúde e os pacientes atendidos pela Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), os servidores da saúde protestaram contra a falta dos itens, alguns que estariam em falta há um ano. Em razão disso, eles levaram um bolo comemorativo, que foi dividido entre os usuários que estavam na sede do órgão, no bairro do Tirol, na manhã desta quinta-feira (02).
Segundo o coordenador do Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde), Manoel Egídio, há um ano que o medicamento Evista de 60mg, que é um dos mais procurados da unidade e usado para o tratamento de osteoporose, não é distribuído aos usuários por estar em falta e sem previsão de chegada. Além dele, o Hidroxicloroquina, indicado para artrite reumatóide, também.
“Ambos são usados por pessoas idosas e a falta desses medicamentos apode comprometer a saúde dos pacientes, que precisam tomá-los diariamente, sem falta. Muitos deles não têm condições de comprá-los e são obrigados a racionar remédios e até interromper seus tratamentos. Infelizmente, já são 272 itens de uso hospitalar e 21 de alto custo que estão em falta na Unicat, sem previsão alguma de chegada”, afirmou.
Uma dessas pessoas é a agricultora Jucinete Justino, que veio do município de Monte Alegre só para buscar o medicamento Alenia, que ela precisa usar de forma ininterrupta para tratamento de problemas respiratórios, asma, sem sucesso. Ela disse que já está há mais de três meses sem receber o remédio e que conseguiu comprar uma caixa após tirar dinheiro das compras de alimentos para isso.
“Com muito custo consegui comprar uma caixa, mas ele é muito caro para mim, não tenho condições de pagar todos os meses, então, sempre que venho aqui, rezo muito para encontrar. Infelizmente, já tem mais de três meses que não recebo nada. Vivo de auxílio-doença e o dinheiro que recebo, mal dá para comprar comida, ainda mais comprar um remédio que custa mais de R$ 120″, explicou Jucinete.
Conforme o Sindsaúde, vários outros medicamentos de uso contínuo também estão em falta há meses, como a Toxina Botulínica (500 UI), para tratar espasmos, e a Somatropina (4 UI e 12 UI), que é mais conhecida como o “hormônio do crescimento”. Ambos os remédios estão em falta há mais de seis meses. Há três meses a Unicat também não conta mais com o Galantamina, para o tratamento de Alzheimer. Há ainda o Amiodarona, para pacientes cardíacos; Captopril, para hipertensivos e os antibióticos Cefalexina, Meropenem e Cefepina, que também estão em falta.
MP reúne Sesap e Sindsaúde
Conforme informações da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), será feita uma audiência entre o órgão, Sindsaúde e o Ministério Público do Rio Grande do Norte (MNRN) para analisarem o estudo de impacto gerado pela alteração das alterações da jornada de trabalho dos servidores e a redução do horário de funcionamento da Unicat, fatos que motivaram a greve dos servidores da saúde, que começou no último dia 12 de setembro no Unicat. O estudo foi solicitado pelo MPRN ao Sindsaúde e à Sesap, que tiveram um prazo de dez dias para entregar o documento.
Fonte: Jornal de Hoje