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Hatmo inicia mobilizações para atrair novos doadores de medula óssea

Geral

07.10.2014

Alessandra Bernardo

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Em comemoração ao Dia Nacional do Doador de Medula Óssea, celebrado nesta segunda-feira (06), a Humanização e Apoio ao Transplantado de Medula Óssea do Rio Grande do Norte (Hatmo-RN) realiza durante toda a semana a “Primavera dos Doadores”. O evento, que começou hoje com a abertura de exposição de material de campanhas passadas, contará com palestras de orientação e cadastro de novos doadores no Hemonorte e Hemovida e se encerra no próximo sábado com a Festa do Doador, na sede da entidade, no conjunto dos Professores, em Capim Macio.

Segundo a presidente da Hatmo, Rosali Cortez, a entidade também irá promover, no próximo dia 29 de outubro, festa em comemoração ao Dia das Crianças para os 115 pequenos pacientes atendidos pela entidade. Ela disse que os interessados podem fazer doações de brinquedos, lancheiras para as participantes, bem como itens e alimentos para a festa, como bolo, salgados, balões e outros.

“Nosso objetivo é dar um pouco de alegria para essas crianças, que são tão pequenas e já carregam um sofrimento tão grande na vida, passam por um tratamento pesado e complicado e merecem distração e alegrias. Será um momento lúdico, com atrações artísticas e muitas brincadeiras”, afirmou.

O ingresso cobrado para os interessados em assistir as palestras é um quilo de alimento não-perecível ou alimentos que possam compor uma cesta básica, que será entregue às famílias dos pacientes atendidos pela entidade, que atualmente possui 115 crianças, 50 adultos e seus familiares. Os kits serão distribuídos na festa do Dia das Crianças da Hatmo, em uma casa de festas de Neópolis.

As palestras serão ministradas por voluntários da Hatmo, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e em igrejas locais, sempre às 19h30, com o objetivo de sensibilizar e esclarecer os participantes sobre a importância do cadastro na Rede Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).

Interessados passam por entrevista e testes

Rosali Cortez disse que o cadastro dos interessados em serem doadores pode ser feito tanto no Hemonorte como no Hemovida, por pessoas entre os 18 e 55 anos, que tenham boa saúde, sem histórico de doenças como câncer, hepatites B ou C e HIV. Para isso, basta levar o documento de identidade e CPF. Também será feita uma entrevista para esclarecer dúvidas a respeito das doações e coleta de uma amostra de sangue, de dez mililitros, para a tipagem de HLA (características genéticas importantes para a seleção de um doador).

“A doação só acontece, no caso de algum paciente ser compatível. Estima-se que a compatibilidade entre irmãos varie entre 25% a 30%, podendo chegar a um em cem mil entre pessoas que não sejam parentes. Por isso, quanto mais pessoas se cadastrarem, maior a possibilidade de encontrar doadores compatíveis. E não há riscos para os doadores, porque apenas 10% da medula do doador é retirada e ela é recomposta pelo próprio organismo em até oito dias”, esclareceu.

Pacientes vivem na expectativa de encontrar doadores

O transplante de medula óssea é, muitas vezes, a única esperança de cura para portadores de aplasia medular, leucemias, alguns tipos de câncer e algumas doenças hematológicas. Ela citou o caso da pequena Fernanda Ramalho, de 12 anos. Ela conseguiu encontrar, através da Redome, uma doadora compatível para o transplante, que está previsto para ocorrer no início de novembro.

Com leucemia, a menina está ansiosa e aguarda com grande expectativa o grande dia. “Ela está esperando que a doadora, que não sabemos de onde é, chegue a Natal para realizar o procedimento. Enquanto isso, estamos com atenção redobrada com a saúde frágil dela, já que qualquer problema pode comprometer seriamente a sua sobrevivência, para que nada de ruim aconteça e que ela possa, enfim, ter uma vida normal, sem medo”, afirmou Rosali.

Quem também espera por transplante de medula óssea é Alex Vitor Cunha, de 19 anos, que luta contra a doença desde os dez anos de idade. Atualmente em tratamento contra uma anemia plasmática, o rapaz teve uma recaída na semana passada e precisou passar por uma transfusão de sangue. Sua mãe, a professora Maria das Dores Cunha falou sobre as dificuldades e medos com as quais vive desde o diagnóstico de leucemia.

“Muito difícil, cada dia que passa é uma vitória e uma apreensão por essa demora em encontrar um doador compatível para fazer o transplante. Hoje, ele está bem, mas pode ser que não esteja assim amanhã, já que a doença é imprevisível, por isso, lutamos tanto para que mais pessoas se tornem doadores de medula óssea, que participem dessa luta, que vivemos diariamente”, desabafo.

Reprodução: Jornal de Hoje