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ESTADO DEVE R$ 1,2 MILHÃO

Geral

11.11.2010

TRIBUNA DO NORTE | NATAL

Publicado no dia 11/11/10

O presidente da Cooperativa Médica do Rio Grande do Norte (Coopmed), Fernando Pinto, afirmou que poderá rescindir o contrato de prestação de serviços firmado com o Governo do Estado caso os pagamentos atrasados não sejam realizados até o final de novembro. A Secretaria Estadual de Saúde (Sesap) deve R$ 1,2 milhão aos médicos cooperados. Hospitais de referência como o Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim, e Walfredo Gurgel, em Natal, são os mais prejudicados com o débito do Governo Estadual.

Os médicos ortopedistas que trabalham no plantão do hospital Deoclécio Marques de Lucena receberam o último salário em julho. Os profissionais que trabalham no Walfredo Gurgel deixaram de receber o montante referente aos meses de setembro e outubro. “A Coopmed não entende a posição do Governo quando diz que não tem verba. Como se abre uma licitação para contratação de serviços de saúde sem ter o dinheiro? É muito estranho”, afirmou  Fernando.

 O valor bruto repassado aos médicos plantonistas é de R$ 918. Em cima desse valor, a Coopmed deduz cerca de 30% referente aos impostos e encargos tributários. Os médicos trabalham como autônomos sem nenhum vínculo empregatício com o Governo. Além dos hospitais de Natal e Parnamirim, as maiores unidades de saúde de Caicó e Açu também contratam os serviços dos médicos cooperados.

 Em reunião realizada terça-feira passada com os médicos que atendem no hospital Walfredo Gurgel, ficou decidido que os serviços de atendimento seriam retomados em sua totalidade, onde todos os profissionais trabalhariam em escala de plantão regular. “Decidimos dar mais uma chance ao Governo. As escalas de plantão voltarão ao normal e, se até o final de novembro, não forem efetuados os pagamentos atrasados, o contrato será rescindido”, comentou o presidente da Coopmed. Ele disse, ainda, que a Sesap não está realizado o pagamento dos 60% de responsabilidade do Governo Estadual para os hospitais de média e alta complexidade. “São 8 hospitais, incluindo privados, e 36 especialidades médicas que estão com o repasse atrasado”.

 A situação do HWG é caótica. Os corredores estão lotados com 35 pacientes esperando autorização da SMS de para procedimentos cirúrgicos, enquanto existem leitos vazios no Deoclécio Marques de Lucena, em Parnamirim. Dos três ortopedistas que deveriam dar plantão de 12h, apenas um está trabalhando. Mais de 60 cirurgias eletivas já deixaram de ser realizadas desde o início da redução do trabalho, há 12 dias.

 Os secretários estadual e adjunto de Saúde foram procurados para comentar o caso, mas não foram localizados. A assessoria de imprensa da Sesap solicitou que a TN entrasse em contato com a Secretaria de Planejamento e Finanças, mas ninguém se habilitou a comentar o assunto.

Maternidade volta a realizar partos

 Surpreso com o motivo pelo qual culminou com a transferência de mulheres em trabalho de parto na segunda e terça-feira passada na Maternidade Prof. Leide Morais, o secretário municipal de Saúde, Thiago Trindade, afirmou que a situação no hospital está regularizada. “Continuo acreditando que houve omissão de alguém. A falta de sabão não é desculpa para interromper o atendimento às gestantes”.

 Uma reunião foi realizada na tarde ontem com o secretário adjunto de Administração, Carlos Fernandes, e representantes de algumas unidades de saúde do município para tratar de assuntos relacionados à gestão dos hospitais, maternidades e postos de saúde. O secretário só soube da interrupção dos partos quando a equipe da TRIBUNA DO NORTE chegou ao local para apurar a denúncia.

 Trindade afirmou que houve uma falha quando os profissionais decidiram encaminhar as gestantes à Maternidade Escola Januário Cicco e ao hospital Santa Catarina, pois a Maternidade das Quintas estava abastecida com material de limpeza e itens necessários aos procedimentos médicos para parto normal. Além disso, Trindade informou que foi detectada a existência do material de limpeza no almoxarifado da unidade, o que não teria causado o problema de interrupção do atendimento. “Houve uma má condução de alguém que estava envolvido no processo”.

Fonte: TRIBUNA DO NORTE | NATAL