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Interdição piora quadro no Walfredo

Geral

02.12.2014

De acordo com a assessoria de imprensa do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, a interdição do terminal de cargas tem afetado também sua farmácia. Segundo ele, o material está “preso” no aeroporto há cerca de uma semana. Apesar disso, o problema do reabastecimento de medicamentos do hospital que é referência em atendimento de urgência e emergência tem ainda outras causas.

O estado tem uma dívida milionária com fornecedores. Assessor jurídico do Conselho Regional de Medicina (Cremern), Klevelando Santos informa que protocolou petição na quinta-feira (27) solicitando o sequestro (bloqueio das contas do estado) de mais de R$ 2,2 milhões para repor os estoques do hospital, além da aplicação de multa de R$ 2 mil por dia de descumprimento da determinação e instauração de processo contra a governadora Rosalba Ciarlini por desobediência.

Isso porque em 4 de novembro a Justiça Federal estabeleceu cinco dias para que o Governo do RN viabilizasse o abastecimento do Hospital Walfredo Gurgel. O prazo foi estendido por mais cinco dias, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), mas não foi suficiente.

O Cremern, que realizou fiscalização e resultou na ação acatada pela Justiça contra o Governo do Estado, informou à equipe da Tribuna que em nova vistoria, na quarta-feira (26), a situação continuava igual.

De acordo com a Secretaria de Saúde Pública do RN (Sesap), na quinta-feira (27) foram liberados R$ 5 milhões para pagamento de parte da dívida. O Hospital confirma o recebimento dos primeiros itens, ainda em quantidade insuficiente para o mês de dezembro, mas não permite a entrada da reportagem no local usado para armazená-los. Máscaras, gaze, luvas, cateter, cânulo endotraquial e medicamentos básicos como sedativos, dipirona e dobutamina (estabilizador da pressão arterial) são listados.

Enquanto isso, os familiares dos pacientes reclamam. Dona Célia Alves está com o marido internado há oito dias e disse que já comprou soro, gaze, sonda, luva e esparadrapo. “Eles diziam que não tinha nada aí a gente resolveu ir comprar, porque é muito ruim ficar só pedindo”.

Reprodução: Tribuna do Norte