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VOLUNTÁRIAS DA LIGA CONTRA O CÂNCER PRODUZEM PRÓTESES MAMÁRIAS

Geral

16.11.2010

DIÁRIO DE NATAL – Dn Online | NOTÍCIAS

Por: Erta Souza

Publicado no dia 14/11/10

Recuperar a autoestima das mulheres que enfrentaram a mastectomia, cirurgia que remove completamente a mama após a descoberta do câncer. Foi este motivo que fez duas mulheres aprenderem técnicas para confecção artesanal de próteses mamárias distribuídas, diariamente, às pacientes que retiraram a mama no Rio Grande do Norte. Voluntárias da Rede Feminina da Liga Norteriograndense Contra o Câncer, Raquel Maria de Medeiros, 81 anos, e Maria Crinaura Abreu, 71 anos, proporcionam uma vida mais digna para mais de mil mulheres por ano. Juntas, elas fabricam em torno de 86 próteses por mês.

Entretanto, os modelos são diferentes. A professora aposentada Raquel confecciona o modelo tipo gota; já Crinaura faz o molde mais arredondado. Porém, ambas distribuem as próteses gratuitamente e fazem o trabalho pelo mesmo motivo: melhorar o trauma psicológico e elevar a autoestima das mulheres mastectomizadas. Em alguns casos, as voluntárias entregam as próteses às próprias mulheres, mas normalmente as assistentes sociais da Liga Norteriograndense Contra o Câncer se encarregam da distribuição. Dona Raquel começou fazer as próteses há 16 anos após ser informada pelo médico que teria que retirar uma das mamas. Para confeccionar cerca de 20 próteses por mês ela conta com a ajuda financeira da família que, muitas vezes, também doa o material utilizado nas próteses. "Costuro tudo à mão.


Tenho o maior prazer do mundo em poder doar as próteses, especialmente às mulheres mais humildes que não têm dinheiro para comprar uma de silicone", disse. A prótese fabricada pela professora aposentada é composta por espuma ortopédica, acrilon, chumbo para dar o peso de acordo com o tamando da mama e malha para revestir a espuma. Raquel faz, inclusive, próteses especiais para serem utilizadas no mar ou piscina. "Como elas já sabem que faço esse modelo me pedem e entrego", conta a aposentada.

Funcionária pública durante 24 anos, Crianaura Abreu só aguentou ficar em casa 30 dias curtindo a merecida aposentadoria. Logo se entediou de não "fazer nada" e teve a ideia de integrar a Rede Feminina da Liga. Está lá até hoje. Atualmente é diretora social e ajuda na manutenção do bazar, mas é com a fabricação das próteses mamárias desde 1987 que ela se realiza.

"Longa caminhada"

O modelo produzido por Crinaura é do tipo arredondado e confeccionado com algodão de polietileno. Até chegar ao material usado atualmente, ela utilizou alpiste, isopor e chumbo para dar o peso adequado para cada tamanho de seio. "Tínhamos que colocar o alpiste no microôndas para evitar que germinasse. Foi uma longa caminhada até chegarmos até aqui, mas vale muita a pena ver as mulheres, que não fizeram ou não querem fazer a reconstrução da mama, mais felizes", destacou. Os números mais procurados são os 42 e 44, porém elas fabricam próteses do tamanho 38 a 50. De acordo com Crinaura, a procura pelas próteses aumentou significativamente nos últimos anos, o que ela não considera como uma maior incidência do câncer de mama, mas do trabalho de divulgação realizado pela Liga.

"As mulheres estão bem mais conscientizadas hoje em dia e procuram o tratamento mais cedo, mesmo que isso acarrete na retirada da mama, elas vivem melhor e nos procuram para receber a prótese", acredita.

Fonte: DIÁRIO DE NATAL – Dn Online | NOTÍCIAS