AVANÇO // ESTUDO GENÉTICO PODE EXPLICAR LÁBIO LEPORINO
Geral
16.11.2010
DIÁRIO DE NATAL | CIÊNCIAS
Por: Paloma Oliveto
Publicado no dia 16/11/10
A compreensão a respeito de um grupo específico de genes pode explicar por que algumascrianças nascem com lábio leporino. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) utilizaram células-tronco extraídas da polpa do dente de leite de pacientes com a anomalia e descobriram o mal funcionamento de genes responsáveis pelo processo de cicatrização da boca – que ocorre normalmente entre a sexta e a 12ª semana de gestação. São eles que ativam o funcionamento da matriz extracelular, componente fundamental para o movimento das células durante a formação do embrião.
Sabendo que a fissura é decorrente de um problema – ainda não identificado – causado durante o desenvolvimento embrionário, o objetivo do estudo foi entender o que leva a esse erro. Segundo a coordenadora do Laboratório de Genética do Desenvolvimento Humano do Instituto de Biociência da USP e também coordenadora da pesquisa, Maria Rita Passos, se a produção da matriz extracelular for maior que o normal, as células que vão formar o lábio não conseguem sedeslocar, e isso leva à falha no fechamento. O mesmo se aplica à região do palato. Do material extraído dos pacientes, foram identificados 90 genes ligados à anomalia e, desses, 10 apresentaram funcionamento inadequado. "Alguns estão produzindo mais proteína do que deveriam. Existe um desbalanço no funcionamento desses 10 genes", explica Maria Rita.
Para o estudo, foram analisados 33 mil genes, sendo que 90 do grupo de fissurados apresentou funcionamento diferente, quando comparado aos genomas do grupo de controle (pacientes sem o problema). "A confirmação veio com a repetição dos testes de 10 novos pacientes com fissuras labiopalatais. Todos os pacientes apresentaram falhas no funcionamento dos mesmos 10 genes selecionados", diz a professora.
Realizada com seis pacientes de 5 a 8 anos, com e sem a anomalia, a equipe do laboratório inovou ao utilizar células-tronco dos dentes de leite. Segundo Maria Rita, além de os dentes caírem naturalmente, o procedimento não é invasivo. A comparação do funcionamento dos genes foi possível por técnicas de biologia molecular e bioinformática.