FÓRUM DEBATE MORTALIDADE MATERNA E NEONATAL NO HOSPITAL SANTA CATARINA
Geral
17.11.2010
CORREIO DA TARDE | URGENTE
Publicado no dia 16/11/10
Negra ou parda, com menos de quatro anos de escolaridade e com renda inferior a um salário mínimo. Este é o perfil das mulheres que mais morrem durante a gravidez na capital potiguar, de acordo com a coordenadora do núcleo de saúde do adulto e idoso da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e integrante do Comitê Municipal de Mortalidade Materna e Neonatal, Joana D'arc Leite.
"Ao pegar um atestado de óbito de mulheres que morrem por complicações na gestação ou no parto são essas características que estarão descritas lá”. A razão é óbvia, segundo Joana D'arc. Mulheres com baixa escolaridade e baixo poder aquisitivo enfrentam mais dificuldade no acesso à saúde básica. Algumas não fazem pré-natal ou não tem a atenção devida na hora do parto.
Além disso, a mortalidade neonatal, que acontece no período de até 28 dias de nascimento, tem preocupado as autoridades, pois tem se mantido entre 10 e 12 mortes nos últimos anos.
Com o objetivo de mobilizar os profissionais da saúde e a sociedade civil na promoção de políticas e ações integradas que promovam a melhoria da saúde materna e infantil, a Secretaria de Saúde Pública realizou, na manhã de hoje mais um encontro do Comitê Estadual de Mortalidade Materna e Fórum Perinatal, no auditório do Hospital Dr. José Pedro Bezerra (Santa Catarina), na zona Norte de Natal.
Segundo a coordenadora de promoção à Saúde da Sesap, Celeste Rocha, "Dessa forma, serão discutidas estratégias que melhorem o atendimento nas unidades básicas de saúde", disse ela.
A reunião faz parte do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, que é estratégia prioritária adotada pelo governo Federal e pelo governo do Estado. Participaram técnicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), representantes do Ministério da Saúde, que falaram sobre o resultado das investigações dos óbitos maternos e neonatais nos municípios prioritários – Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Ceará Mirim, Macaíba, Mossoró, Caicó, Pau dos Ferros e Currais Novos.
Para Celeste Rocha, se o Estado comemora os índices de redução à mortalidade infantil é necessário não se acomodar com os atuais índices de mortalidade neonatal que, apesar de não ter aumentado também não têm diminuído nos últimos anos. "E o mais importante é que a maioria dessas mortes acontece nos primeiros sete dias de vida, o que mostra que são decorrentes de problemas do parto e, principalmente, do pré-natal", disse.
Intervir na assistência pré-natal e no parto e ainda reforçar a prática do aleitamento materno e os cuidados na primeira semana de pós-parto, que é o período que muitas mães e crianças estão suscetíveis a infecções, são importantes medidas a serem tomadas pelo sistema público de saúde.
Além disso, Celeste acrescenta que é necessário uma atenção mais qualificada no período pré-natal, justamente nos Programas de Saúde da Família, quando se podem identificar prematuramente muitos problemas e riscos tanto para a mãe quanto para o bebê, tendo em vista que a maioria das doenças nessa fase são preveníveis.
A reunião ocorre mensalmente com o intuito de fortalecer a atenção perinatal do Estado.
Aumento de notificações
A mortalidade materna é definida como morte de mulheres na gravidez, no parto ou nos primeiros 42 dias após o nascimento do bebê e tem como principais causas doenças hipertensivas e as síndromes hemorrágicas, males que poderiam ser detectados ainda na gestação ou tratados com mais atenção durante o parto.
Para Celeste Rocha, o aumento da taxa é reflexo da melhoria no sistema de informação e da capacitação da equipe. Segundo ela, nem todas as mortes maternas e nascimentos entravam para a estatística. "As mortes estavam ocorrendo, mas não entravam no sistema", afirma.
A coordenadora de promoção à Saúde da Sesap, afirma ainda que, o aumento da taxa não significa necessariamente que mais mulheres morreram nos últimos anos. As informações sobre o número de mulheres que morrem durante a gestação ou em até 42 semanas após o parto são pouco confiáveis.
Na maioria das vezes, a falta de números fidedignos sobre os casos é resultado do preenchimento incorreto das declarações de óbito e da omissão do registro em cartório.