3201 5491

FALE COM A GENTE

ÁREA DO COOPERADO

FÓRUM DEBATE MORTALIDADE MATERNA E NEONATAL NO HOSPITAL SANTA CATARINA

Geral

17.11.2010

CORREIO DA TARDE | URGENTE

Publicado no dia 16/11/10

Negra ou parda, com menos de qua­tro anos de es­co­la­ri­da­de e com renda in­fe­rior a um sa­lá­rio mí­ni­mo. Este é o per­fil das mu­lhe­res que mais mor­rem du­ran­te a gra­vi­dez na ca­pi­tal po­ti­guar, de acor­do com a coor­de­na­do­ra do nú­cleo de saúde do adul­to e idoso da Se­cre­ta­ria Mu­ni­ci­pal de Saúde (SMS) e in­te­gran­te do Co­mi­tê Mu­ni­ci­pal de Mor­ta­li­da­de Ma­ter­na e Neo­na­tal, Joana D'arc Leite.

"Ao pegar um ates­ta­do de óbito de mu­lhe­res que mor­rem por com­pli­ca­ções na ges­ta­ção ou no parto são essas ca­rac­te­rís­ti­cas que es­ta­rão des­cri­tas lá”. A razão é óbvia, se­gun­do Joana D'arc. Mu­lhe­res com baixa es­co­la­ri­da­de e baixo poder aqui­si­ti­vo en­fren­tam mais di­fi­cul­da­de no aces­so à saúde bá­si­ca. Al­gu­mas não fazem pré-natal ou não tem a aten­ção de­vi­da na hora do parto.

Além disso, a mor­ta­li­da­de neo­na­tal, que acon­te­ce no pe­río­do de até 28 dias de nas­ci­men­to, tem preo­cu­pa­do as au­to­ri­da­des, pois tem se man­ti­do entre 10 e 12 mor­tes nos úl­ti­mos anos.

Com o ob­je­ti­vo de mo­bi­li­zar os pro­fis­sio­nais da saúde e a so­cie­da­de civil na pro­mo­ção de po­lí­ti­cas e ações in­te­gra­das que pro­mo­vam a me­lho­ria da saúde ma­ter­na e in­fan­til, a Se­cre­ta­ria de Saúde Pú­bli­ca rea­li­zou, na manhã de hoje mais um en­con­tro do Co­mi­tê Es­ta­dual de Mor­ta­li­da­de Ma­ter­na e Fórum Pe­ri­na­tal, no au­di­tó­rio do Hos­pi­tal Dr. José Pedro Be­zer­ra (Santa Ca­ta­ri­na), na zona Norte de Natal.

Se­gun­do a coor­de­na­do­ra de pro­mo­ção à Saúde da Sesap, Ce­les­te Rocha, "Dessa forma, serão dis­cu­ti­das es­tra­té­gias que me­lho­rem o aten­di­men­to nas uni­da­des bá­si­cas de saúde", disse ela.

A reu­nião faz parte do Pacto Na­cio­nal pela Re­du­ção da Mor­ta­li­da­de Ma­ter­na e Neo­na­tal, que é es­tra­té­gia prio­ri­tá­ria ado­ta­da pelo go­ver­no Fe­de­ral e pelo go­ver­no do Es­ta­do. Par­ti­ci­pa­ram téc­ni­cos da Se­cre­ta­ria Mu­ni­ci­pal de Saúde (SMS), re­pre­sen­tan­tes do Mi­nis­té­rio da Saúde, que fa­la­ram sobre o re­sul­ta­do das in­ves­ti­ga­ções dos óbi­tos ma­ter­nos e neo­na­tais nos mu­ni­cí­pios prio­ri­tá­rios – Natal, Par­na­mi­rim, São Gon­ça­lo do Ama­ran­te, Ceará Mirim, Ma­caí­ba, Mos­so­ró, Caicó, Pau dos Fer­ros e Cur­rais Novos.

Para Ce­les­te Rocha, se o Es­ta­do co­me­mo­ra os ín­di­ces de re­du­ção à mor­ta­li­da­de in­fan­til é ne­ces­sá­rio não se aco­mo­dar com os atuais ín­di­ces de mor­ta­li­da­de neo­na­tal que, ape­sar de não ter au­men­ta­do tam­bém não têm di­mi­nuí­do nos úl­ti­mos anos. "E o mais im­por­tan­te é que a maio­ria des­sas mor­tes acon­te­ce nos pri­mei­ros sete dias de vida, o que mos­tra que são de­cor­ren­tes de pro­ble­mas do parto e, prin­ci­pal­men­te, do pré-natal", disse.

In­ter­vir na as­sis­tên­cia pré-natal e no parto e ainda re­for­çar a prá­ti­ca do alei­ta­men­to ma­ter­no e os cui­da­dos na pri­mei­ra se­ma­na de pós-parto, que é o pe­río­do que mui­tas mães e crian­ças estão sus­ce­tí­veis a in­fec­ções, são im­por­tan­tes me­di­das a serem to­ma­das pelo sis­te­ma pú­bli­co de saúde.

Além disso, Ce­les­te acres­cen­ta que é ne­ces­sá­rio uma aten­ção mais qua­li­fi­ca­da no pe­río­do pré-natal, jus­ta­men­te nos Pro­gra­mas de Saúde da Fa­mí­lia, quan­do se podem iden­ti­fi­car pre­ma­tu­ra­men­te mui­tos pro­ble­mas e ris­cos tanto para a mãe quan­to para o bebê, tendo em vista que a maio­ria das doen­ças nessa fase são pre­ve­ní­veis.

A reu­nião ocor­re men­sal­men­te com o in­tui­to de for­ta­le­cer a aten­ção pe­ri­na­tal do Es­ta­do.

Aumento de notificações

A mor­ta­li­da­de ma­ter­na é de­fi­ni­da como morte de mu­lhe­res na gra­vi­dez, no parto ou nos pri­mei­ros 42 dias após o nas­ci­men­to do bebê e tem como prin­ci­pais cau­sas doen­ças hi­per­ten­si­vas e as sín­dro­mes he­mor­rá­gi­cas, males que po­de­riam ser de­tec­ta­dos ainda na ges­ta­ção ou tra­ta­dos com mais aten­ção du­ran­te o parto.
Para Ce­les­te Rocha, o au­men­to da taxa é re­fle­xo da me­lho­ria no sis­te­ma de in­for­ma­ção e da ca­pa­ci­ta­ção da equi­pe. Se­gun­do ela, nem todas as mor­tes ma­ter­nas e nas­ci­men­tos en­tra­vam para a es­ta­tís­ti­ca. "As mor­tes es­ta­vam ocor­ren­do, mas não en­tra­vam no sis­te­ma", afir­ma.

A coor­de­na­do­ra de pro­mo­ção à Saúde da Sesap, afir­ma ainda que, o au­men­to da taxa não sig­ni­fi­ca ne­ces­sa­ria­men­te que mais mu­lhe­res mor­re­ram nos úl­ti­mos anos. As in­for­ma­ções sobre o nú­me­ro de mu­lhe­res que mor­rem du­ran­te a ges­ta­ção ou em até 42 se­ma­nas após o parto são pouco con­fiá­veis.

Na maio­ria das vezes, a falta de nú­me­ros fi­de­dig­nos sobre os casos é re­sul­ta­do do preen­chi­men­to in­cor­re­to das de­cla­ra­ções de óbito e da omis­são do re­gis­tro em car­tó­rio.


 

Fonte: CORREIO DA TARDE | URGENTE