Sindicato aguarda resposta da SMS para definir sobre greve em Natal
Geral
17.03.2015
Os agentes comunitários de saúde e os agentes de combates às endemias de Natal passaram boa parte da manhã desta segunda-feira (16), na Praça Padre João Maria, a espera de uma resposta da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para definir se deflagravam ou não a greve. Como a resposta não chegou, os servidores saíram em caminhada até a sede da Prefeitura Municipal, onde se encontraram com o secretário de Saúde, Luiz Roberto Fonseca, que se comprometeu em apresentar a contraproposta ainda na tarde de hoje. Até o fechamento da edição, ainda não havia uma decisão sobre a paralisação. Amanhã (17), o Sindicato dos Agentes de Saúde do RN (Sindas-RN), com outros sindicatos, se reunirão na Prefeitura de Natal, para discutir dois pontos: a mudança de nível e o reajuste da database em 17,93%. Na quarta-feira (18), deverá ser realizada uma nova assembleia da categoria.
“Caso a categoria decida entrar em greve, iremos manter 50% da categoria trabalhando. Esse é um compromisso nosso com a cidade. Se a prefeitura não tem compromisso com a população, os agentes de saúde têm e vão manter esse efetivo trabalhando”, afirma Cosmo Mariz, presidente do Sindicato dos Agentes de Saúde do RN (Sindas-RN).
O presidente do Sindicato dos Agentes de Saúde do Rio Grande do Norte (Sindas-RN), Cosmo Mariz, explicou que a categoria reivindica o cumprimento de vários pontos de pauta das greves passadas, bem como pelo não atendimento a algumas reivindicações da categoria, a exemplo do reajuste nas gratificações, que havia ficado acordado que só seria pago quando o piso da categoria fosse regulamento, o que foi feito desde o mês de junho do ano passado.
Além disso, os agentes de endemias reivindicam por melhores condições de trabalho, reajuste no auxilio alimentação, que hoje é R$ 10,00 e o Sindicato pede que passe a ser R$ 15,00, aquisição de fardamento, material de trabalho e filtro solar. “Estamos acompanhando uma licitação que vem se arrastando há mais de um ano para aquisição desse material, mas nada de chegar. A categoria está trabalhando de forma improvisada, muitos com a farda suja”, afirma. Cosmo conta ainda que os agentes não dispõe de uma base de apoio. “A maioria fica jogado, sem ter um local de apoio”.
Cosmo Mariz cobra também o cumprimento do Plano de Cargos da categoria (Lei 120/2010), pois há duas evolução de níveis vencidas (2010 e 2012) e uma por vencer (2014) e a mudança de nível de 2012-2014 que vencerá em julho.
No tocante ao reajuste salarial, os agentes de saúde apresentaram a pauta em comum com demais categorias e reivindicam um reajuste de 17,93%, que inclui as perdas salariais e a diferença em relação aos reajustes aplicados nos últimos dois anos. “Queremos esse reajuste para que o servidor resgate o poder de compra, mas tirando essas diferenças, do que se perdeu, o aumento real será só de 3,73% de reajuste real”, afirma o presidente do Sindas.
“Estamos dilatando os prazos para que a categoria não deflagre uma greve antes que se esgotasse todas as possibilidades de diálogo. Natal vivencia hoje uma grande epidemia de dengue e não dá para esconder essa realidade. Não tem coleta de pneus, que estão servindo de local para proliferação do mosquito”, alerta Cosmo Mariz.
Atualmente, há um déficit de mais de 300 agentes de endemias em Natal. No último concurso público ofereceu 265 vagas, mas o Ministério Público travou o processo com uma ação na Justiça. O processo foi arquivado, depois que foi feito um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o secretário Luiz Roberto Fonseca e o Ministério Público. Agora, cabe a Comperve agilizar o processo de convocação dos aprovados.
“Além disso, temos um grande problema na nossa cidade. Natal é a única capital do Brasil em que não se visita os imóveis acima do térreo. Para esconder a deficiência do próprio sistema, Natal não dispõe desse serviço para quem mora no primeiro andar, por exemplo. Isso quer dizer que os criadores do mosquito da dengue que estão acima do térreo em Natal estão sendo responsável pela proliferação da doença em Natal”, ressalta o presidente do Sindas.
Reprodução: Jornal de Hoje