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Crise na Pediatria das redes privada e pública afeta atendimentos no RN

Geral

07.04.2015

“Não faltam pediatras no Rio Grande do Norte, o problema é que eles trabalham em situação de extrema precariedade, sem direitos trabalhistas, recebendo valores abaixo do que é o correto e em condições análogas à exploração de mão de obra especializada”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado (Sinmed), Geraldo Ferreira, sobre a crise no setor de Pediatra vivido pelas redes privada e pública de saúde. O processo, que já se arrasta há vários meses, reflete de forma negativa nos atendimentos prestados à população, que sofre com a falta de profissionais nos hospitais.

Ele falou que a situação atual é bastante crítica, mas de fácil resolução, que poderia ser definida rapidamente se houvesse interesse, boa vontade e comprometimento dos gestores privados e públicos para isso. Que o mercado de trabalho potiguar é equilibrado e que um dos principais problemas é a falta de garantias trabalhistas dos pediatras que atuam por planos de saúde em hospitais particulares.

“Há uma grande precarização das condições de trabalho e de direitos trabalhistas, já que muitos trabalham sem nenhum tipo de contrato fixo, sem carteira assinada, ou seja, sem nada garantido. Sem contar que o valor pago pela rede particular por plantão médico é muito abaixo do que é devido a outras especialidades, por exemplo, num claro desprestígio da categoria. E ainda tem o problema da precariedade das condições de trabalho, que é outro item negativo”, explicou Geraldo.

Já na rede pública, o obstáculo principal é a falta de dimensionamento dos atendimentos, o que acaba gerando a sobrecarga dos profissionais que estão em atuação. Segundo o médico, muitos pediatras cumprem sua carga horária exercendo a função por dois, numa clara exploração da mão de obra por demanda específica e em situação de riscos pessoais e profissionais.

“Encontramos isso acontecendo atualmente no Hospital Municipal Sandra Celeste. Um problema específico que oferece riscos a todos os envolvidos, sejam os médicos que trabalham sobrecarregados, sejam seus pacientes, que não recebem atenção adequada porque o pediatra precisa atender um grande número de crianças em um curto espaço de tempo, para dar conta da demanda existente. Além disso, ainda há a forte tendência de substituição dos concursados por médicos de cooperativas, aumentando a precarização das relações trabalhistas”, afirmou.

Sandra Celeste atende 300 por dia

No Hospital Municipal Sandra Celeste, seis pediatras se revezam em plantões diurnos e noturnos para atender uma média de 300 crianças e adolescentes todos os dias, de acordo com a Administração da unidade. Lá, além dos atendimentos de urgência e emergência, há ainda consultas eletivas em diversas especialidades, como Ortopedia, Odontologia, Pneumologia e Ginecologia infantil.

A dona de casa Mariana Silva chegou logo cedo à unidade em busca de atendimento para sua filha e, por volta das 10h, já estava do lado de fora do prédio esperando a condução que a levaria para casa. Ela disse que esperou mais de uma hora para conseguir entrar na sala para consulta, mas que estava satisfeita por ter sido atendida. “Tem dias que esperamos uma manhã inteira, hoje até que foi rápido”, disse.

Do lado de dentro do hospital, dezenas de mães e responsáveis aguardavam no hall de entrada para preencherem a ficha e também aguardavam consulta médica. Conforme informações da Administração, a maioria dos casos que chegam até lá são de problemas respiratórios, causados em parte pelas alterações climáticas, viroses e diarréia.

Fonte: Jornal de Hoje