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Mãe ao natural

Geral

06.05.2015

Embora a maior parte das mães não consiga descrever a emoção de dar a luz, há uma unanimidade: o momento, apesar de único, também é de tensão e dor. A chegada, porém, não precisa ser acompanhada do sofrimento, segundo especialistas do chamado “parto humanizado”. O termo retrata o parto como procedimento natural, priorizando o tempo de nascimento da criança e o conforto da mãe.

A procura pela humanização surge, principalmente, nas falhas de assistência às mãe, seja pela falta de de leitos em maternidades ou no acompanhamento médico. Falta segurança. Sem o acompanhamento devido, sobem índices como o de nascimento de bebês prematuros, que em 2014 alcançou 13%, e de partos cesáreos – em 2012, 56% das crianças potiguares nasceram por meio de cirurgia.

Portaria publicada pelo Ministério da Saúde em 2014 exige que maternidades instituam práticas de humanização do parto no SUS, como o contato imediato de bebês saudáveis com o colo da mãe e a amamentação ainda na primeira hora de vida. Em Natal, embora incipiente, a prática foi adotada pela maternidade Leide Morais, na Zona Norte. Os partos normais acontecem em quartos, e as crianças ficam com a mãe desde o nascimento. Para a diretora da unidade, Rosário Bezerra, é preciso repensar o modelo de assistência obstetrícia, trazendo a figura das doulas e enfermeiras obstétricas para o parto. “É preciso tirar o médico de cena e deixá-lo em situações de risco instalado. Otimiza-se o custo e damos segurança à maternidade”, afirma. Mesmo com as mudanças, cenas como parto em corredores e parturientes internas no centro cirúrgico são recorrentes.
A medicina defende limites para a humanização. “Eu não recomendaria [o parto domiciliar]”, diz a presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do RN (Sogorn), Elvira Soares. “Se a parteira está acompanhando o parto e ele não progredir, o momento oportuno da intervenção, seja cesária ou medicação, pode ser retardado. É uma responsabilidade que a paciente está assumindo”, avisa a médica.
Entretanto, a doula (parteira) Nicole Passos ressalta que o parto humanizado não é sinônimo de domiciliar. Os partos em casa são reservados para gestações de baixo risco. “A saúde vai sempre ser preservada. O que muda é que se um procedimento vai ser realizado, essa mulher passa por consulta, diferente do que é feito hoje em dia, quando muitas vezes essa decisão vem escolha vertical”, afirma. “A mulher fica com esse poder de decisão e pode usufruir do momento do parto”, acrescenta. A gestante também pode ser acompanhada por obstetra e doula, não há exclusões. 

Fonte: Tribuna do Norte