Hospitais de Natal limitam atendimentos de pacientes do interior do RN
Geral
08.05.2015
A Prefeitura do Natal repassa R$ 200 milhões do orçamento anual para as unidades de saúde, sendo que 30% são investidos em pacientes que não moram na capital potiguar. Este valor corresponde a R$ 60 milhões por ano, é o que apresentou o secretário municipal de Saúde, Luiz Roberto Fonseca.
De acordo com Luiz Roberto, a cidade está passando por um período de sobrecarga de atendimentos dos pacientes vindos de outros lugares, provocando, assim, a superlotação nas unidades de saúde pública e também da rede privada. Os setores mais prejudicados são obstetrícia e pediatria.
Atualmente, a cidade passa por um período de endemias de doenças sazonais.“Eu acho absurdo Natal ser tratada como responsável pelo atendimento de todo o Rio Grande do Norte”, comentou o médico. Luiz Roberto Fonseca alegou ainda que a capital potiguar é responsável por 40% do valores extras da Tabela do Sistema Único de Saúde (SUS), acordado em 2006 quando o Rio Grande do Norte sofreu uma crise no atendimento médico.
O mesmo acordo apontava que os outros municípios seriam responsáveis pelo pagamento de 60% desse valor extra. Entretanto, as outras cidades não estão repassando os recursos prometidos. Luiz Roberto afirmou que isso dificulta na contratação de médicos.
Como uma forma de amenizar o problema, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) anunciou nesta quinta-feira (7) que os atendimentos realizados nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e maternidades vão ter prioridades aqueles que residem em Natal, uma vez que estes também recebem recursos estaduais e federais.
Entretanto, aquelas unidades que são investidas apenas com dinheiro do Município, como o Pronto Atendimento da Unidade Mista de Cidade Satélite e de Mãe Luíza e no Pronto Atendimento Infantil Sandra Celeste, o atendimento de urgência e emergência será destinada exclusivamente para os moradores da cidade.
“Todas aqueles que não moram em Natal e necessitarem de atendimento de uma situação de emergência vamos atender. Mas os atendimentos ambulatoriais encaminharemos para os municípios de origem. Os serviços são estimados apenas para 800 mil habitantes”, enfatizou o secretário Municipal de Saúde.
Luiz Roberto explicou que os municípios são responsáveis pelos atendimentos ambulatoriais e de baixa complexidade enquanto o Estado é responsável pelas demandas mais graves. Porém, as outras cidades estão “empurrando” seus pacientes para capital. Natal tem um pacto com outras cidades em que dá um número de limites para partos de pessoas daquela região. Em 2014 foi combinado com a Prefeitura de Macaíba que iria realizar 357 partos de mulheres daquela região. Entretanto, mais de 361 mulheres macaibenses tiveram seus filhos nos hospitais da capital.
“Eu só posso pactuar essas quantias as outras cidades, pois é o limite que Município pode pagar”, alegou. Já a área de pediatria do Sandra Celeste, por exemplo, 4.356 pacientes vem de Parnamirim. O titular da pasta também comentou que a alta demanda faz com que insumos médicos programados para seis meses terminasse em pouco tempo.
O diretor do Hospital Promater, o pediatra Guilherme Fonseca, disse que 85% da procura dos pacientes são por atendimentos ambulatoriais. Além disso, a superlotação dos hospitais públicos e privados acontecem pela falta ampliação da rede hospitalar, que não acompanhou o crescimento da população. “Por isso muitos médicos, planos de saúde e órgãos públicos querem investir em hospitais”, afirmou.
O médico reconhece que a unidade hospitalar privada está passando por um período de superlotação e procura criar medidas para que os pacientes tenham atendimento médico. Isto faz com que eles tenham dificuldade em arranjar um profissional, uma vez que muitos trabalham em várias unidades de saúde ao mesmo tempo.
“A gente conseguiu um terceiro pediatra para fazer o atendimento de urgência. A parte de obstetrícia está mais grave, pois as UTIs Neonatal estão lotadas. Estamos com 15 bebês ocupando os leitos, tivemos que convocar mais médicos, enfermeiros e técnicos”, admitiu.
Guilherme Fonseca sugeriu que os planos de saúde deveriam ampliar as redes ambulatoriais para que ajudasse a diminuir a superlotação. “Recentemente um convênio disse que vai criar um novo plano de obstetrícia. Se isso acontecer, o serviço vai melhorar bastante”, avaliou.
Reprodução: Portal No AR