Escola ajuda garoto de seis anos a vencer adversidade do autismo
Geral
29.06.2015
O 6º Festival de Cultura Popular do Espaço Infantil Primeiros Passos aconteceu neste sábado (27) e homenageou a paz. Mas, entre coreografias e brincadeiras no pátio, a festa poderia ter tido a superação como tema.
João Wiclef tem seis anos. Até os dois acompanhava o desenvolvimento das crianças da sua idade. Até que apareceram os primeiros sinais do autismo. O chamado Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) compromete habilidades de comunicação e interação social. Diversos médicos foram procurados e a primeira orientação dada aos pais foi colocá-lo em uma escola. “A intenção era estimular o desenvolvimento do João através da interação com outras crianças”, conta sua mãe, a comerciante Micheline Diniz.
A escolha foi acertada. João foi matriculado no Espaço Infantil Primeiros Passos em 2011 e lá, com a ajuda de seus coleguinhas de sala, começou – entre corridas pelo pátio e abraços carinhosos – a vencer os desafios impostos pelo autismo. “É preciso olhar para cada criança em sua particularidade, respeitando seus limites, seu tempo e seu jeito”, explica Ana Beatriz Cortez, psicóloga do Espaço Infantil Primeiros Passos.
Foi na escola que João encontrou na figura de uma coleguinha, Hanna, o incentivo para evoluir. A menina de seis anos está sempre o auxiliando nas atividades. “Eu cuido dele desde quando a gente era criança”, revela cheia de maturidade. Para a festa junina deste ano, Hanna seria seu par. Mas a missão precisou ser repassada para uma outra colega, Sarah. Voluntariamente, a pequena, que também tem seis anos, assumiu o lugar deixado pela amiga e se tornou parceira de João na Quadrilha Junina. Entre um ensaio e outro, a menina se esforçava para fazê-lo acertar os passos e comemorava cada acerto. “Não sei se vou conseguir cuidar tão bem dele como Hanna”, contou.
A ação das crianças, que estão sempre atentas e dispostas a incluir João nas atividades, é reflexo da metodologia da escola. “Aqui as crianças são estimuladas a reconhecer as diferenças de cada um, sempre forma lúdica, mas natural. E através de histórias, brincadeiras ou momentos reflexivos, vamos fazendo como que elas se coloquem no lugar do outro”, explica Suzana Sales David, coordenadora pedagógica do Primeiros Passos.
Durante a festa, o som alto e o grande fluxo de pessoas, impediram João de dançar. Mas nada que apague ou tire o mérito daquele que, desde muito cedo, aprendeu a superar dia após dia, as barreiras do autismo. “O preconceito ainda existe. Mas estamos muito gratos pela educação que é dada ao meu filho e seus coleguinhas. Eles, mesmo pequenos, têm demonstrado a grandeza do coração”, encerra Micheline.
Fonte: Portal No Ar