População reclama da espera
Geral
14.10.2015
Os brasileiros consideram a saúde como a área que o governo deve dar prioridade, aponta pesquisa realizada em todo o País, encomendada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). No trabalho, 43% dos entrevistados apontaram a saúde como o tema que merece maior preocupação, seguido por educação, com 27%, e combate à corrupção, com 10%.
Embora os números sejam significativos, houve uma queda em relação à pesquisa semelhante, realizada ano passado. Em 2014, 57% avaliaram que a saúde era a área que carecia de maior atenção. "Acreditamos que a redução não esteja ligada à melhora nas condições de atendimento e infraestrutura de saúde, mas, sim, a problemas que se tornaram mais agudos nas outras áreas, ligados por exemplo ao Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e à corrupção", avaliou o presidente do CFM, Carlos Vital.
Uma das principais dificuldades enfrentadas por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) é o tempo de espera para receber atendimento. A pesquisa revela que um quarto dos entrevistados aguardava mais de 12 meses para serem atendidos. Do total de ouvidos, 16% disseram esperar entre 6 e 12 meses e 39%, de um a seis meses. Quanto maior a complexidade do procedimento, maior a dificuldade para o acesso. Para fazer cirurgias, por exemplo, 44% disseram aguardar mais de 12 meses. "É um tempo inadmissível", disse Vital.
Não é por acaso que a maior crítica feita ao SUS é a espera (36%), seguida por falta de médicos (19%), falta de estrutura dos hospitais (15%) e falta de organização (9%). Do total de usuários do SUS, 54% atribuíram nota de 0 a 6 ao atendimento.
De forma geral, a população considera difícil o acesso ao SUS. O equivalente a 63% dos entrevistados, por exemplo, classificou como difícil e muito difícil o acesso a cirurgias e 59%, o acesso a consultas com médicos. Aqueles que conseguem ultrapassar a barreira do acesso, no entanto, dizem estar satisfeitos com o serviço. Entre os que fizeram cirurgias no SUS, por exemplo, 55% consideraram o atendimento bom ou excelente.
O levantamento indica que a nota dada pelo brasileiro ao SUS é maior do que a dada para o sistema de saúde de forma geral (incluindo aí a assistência suplementar e particular). A pesquisa revela que 12% dos entrevistados concederam nota máxima ao SUS, bem acima dos 6% que consideraram ótimo e excelente o sistema de saúde de forma geral. Do total de entrevistados, 86% buscaram o SUS nos últimos dois anos e 83% usaram no período algum serviço ofertado pelo sistema. A maior fatia foi de atendimento em postos de saúde (69%) e consultas (67%).
A pesquisa encomendada pelo CFM foi feita pelo Instituto DataFolha em todo o País. Foram entrevistados para o trabalho 2 069 pessoas com 16 anos ou mais, entre 10 e 12 de agosto.
Em processo de transição por causa da reforma administrativa do governo Dilma, o Ministério da Saúde não havia se manifestado sobre a pesquisa até o final do expediente de ontem.
O ministro da Saúde, Marcelo Castro, empossado na semana passada, reiterou durante a solenidade de transmissão de cargo seu empenho em dar continuidade ao trabalho de todos aqueles que não mediram esforços para tornar o Sistema Único de Saúde uma realidade para a população brasileira. O ministro pediu apoio daqueles que militam na saúde e disse estar aberto ao diálogo para a discussão das políticas de saúde, de fontes específicas para o financiamento e planejamento.
Entre os temas que pretende compartilhar com os gestores da saúde para consolidação do SUS, o ministro destacou o financiamento da saúde, a atenção primária, o desafio da judicialização, os avanços tecnológicos e a formação contínua de profissionais. “Os que dedicaram partes de suas vidas na construção do sistema de saúde brasileiro podem ter certeza de que não se decepcionarão. Vim para me unir a vocês em torno de uma causa concreta com nome e endereço: o direito da saúde das pessoas”, disse o ministro, que defende a recriação da CPMF para financiar a saúde. Ele reconhece que estados e municípios estão comprometendo com a saúde valor muito acima do mínimo legal exigido de suas receitas e é preciso criar fontes permanentes para o financiamento da saúde, para garantir a oferta e aprimorar os serviços.
PESQUISA
Avaliação do Sistema Único de Saúde – 2015
Áreas prioritárias
Saúde 43%
Educação 27%
Combate à corrupção 10%
Combate ao desemprego 7%
Segurança 6%
Combate à inflação 3%
Moradia 2%
Transporte 1%
Meio Ambiente 1%
Avaliação geral dos serviços do SUS
Bom/ótimo 33%
Regular 41%
Péssimo/ruim 25%
Atendimento de emergência em pronto socorro
Bom/ótimo 31%
Regular 40%
Péssimo/ruim 28%
Não sabe 1%
Atendimento nos postos de saúde
Bom/ótimo 35%
Regular 41%
Péssimo/ruim 28%
Consulta com médicos
Bom/ótimo 40%
Regular 39%
Péssimo/ruim 20%
Cirurgias
Bom/ótimo 55%
Regular 23%
Péssimo/ruim 21%
Pontos negativos (notas 0 a 6)
36% tempo de espera
19% poucos médicos
15% falta de estrutura
9% falta de organização
7% médicos demoram pouco tempo nas consultas
Pontos positivos (notas 7 a 10)
19% tempo de espera
17% médicos disponíveis
15% médicos fazem consulta detalhada
11% estrutura
11% oferece todos os tipos de exames, cirurgias
Fonte: Tribuna do Norte